Um projeto de smartphone da Amazon voltou aos planos da big tech, segundo fontes do mercado, com o desenvolvimento de um novo aparelho celular que retoma a ambição da Amazon de integrar consumo, serviços digitais e inteligência artificial em um único periférico de sua autoria.
A iniciativa marca uma nova tentativa da companhia mais de uma década após o lançamento do Fire Phone e surge alinhada ao avanço da inteligência artificial generativa, ao uso ampliado da assistente virtual Alexa e ao fortalecimento do ecossistema digital da empresa.
Smartphone da Amazon avança com projeto interno
O projeto, conhecido internamente como “Transformer”, está sendo desenvolvido dentro da unidade de dispositivos e serviços da Amazon, segundo pessoas familiarizadas com o assunto.
A proposta é posicionar o aparelho como um ponto contínuo de conexão com o usuário ao longo do dia. Segundo as fontes, o dispositivo deve facilitar compras, consumo de conteúdo e acesso a serviços como Prime Video, Prime Music e pedidos via parceiros.
Além disso, o plano envolve o uso de dados de consumo, histórico de navegação e personalização em tempo real. Com isso, a empresa busca ampliar a integração entre serviços por assinatura, comportamento do usuário e retenção dentro da plataforma.
Disputa por dispositivos com inteligência artificial
O avanço do smartphone da Amazon ocorre em um ambiente competitivo, com empresas ampliando investimentos em IA embarcada. Apple, Google e Meta avançam em novos dispositivos, enquanto a OpenAI também trabalha em projetos próprios de hardware.
Segundo Francisco Jeronimo, vice-presidente da IDC, a empresa reúne vantagens estruturais. “A Amazon pode ter uma oportunidade”, afirmou, ao destacar o alcance em comércio eletrônico, computação em nuvem e base de usuários.
Ao mesmo tempo, ele alertou que “a janela de oportunidade é minúscula”, indicando que o tempo de execução será determinante diante do avanço simultâneo dos concorrentes.
Smartphone da Amazon incorpora lições do Fire Phone
A experiência anterior ainda influencia a estratégia atual. O Fire Phone, lançado em 2014, enfrentou baixa adesão ao tentar competir com Apple e Samsung, especialmente pela ausência de aplicativos populares e limitações técnicas.
O aparelho teve o preço reduzido de US$ 649 para US$ 159 e foi descontinuado após 14 meses, gerando prejuízo de US$ 170 milhões em estoque não vendido. Esse histórico orienta decisões atuais, incluindo a busca por alternativas ao modelo baseado em lojas de aplicativos.
Além disso, o projeto avalia diferentes formatos. Segundo fontes, a empresa estudou tanto um smartphone tradicional quanto versões mais simples, como um feature phone com recursos limitados.
Nesse contexto, o smartphone da Amazon passa a integrar uma estratégia mais ampla de acesso direto ao consumidor, em um momento em que a disputa global se desloca para o controle da interface digital e da experiência de uso baseada em inteligência artificial.





