O Banco do Estado do Pará (Banpará) anunciou o fim do contrato com a Entrepay, após o Banco Central decretar a liquidação extrajudicial da empresa de pagamentos na última sexta-feira (27/03). A decisão do Banpará (BPAR3) ocorre em meio a falhas operacionais e queixas de clientes sobre retenção de recursos.
Segundo o banco, a diretoria colegiada aprovou a rescisão unilateral da parceria comercial voltada a serviços de multiadquirência. Encerrando, assim, a relação com a Entrepay no mesmo dia da intervenção regulatória.
Fim do contrato entre Banpará e Entrepay ocorre após quebra da empresa
O rompimento sinaliza uma reação direta à liquidação extrajudicial da Entrepay pelo Banco Central, que apontou “comprometimento da situação econômico-financeira” da empresa. A autarquia também destacou falhas operacionais que poderiam expor credores a níveis de risco acima do aceitável.
Além disso, a liquidação extrajudicial atingiu outras empresas do mesmo grupo, como Acqio e Octa, ampliando o alcance da intervenção. Mesmo com baixa relevância sistêmica, apenas 0,009% dos ativos do Sistema Financeiro Nacional (SFN), a atuação do BC indica, segundo leitura de mercado, maior rigor sobre a operação de instituições de pagamento.
Problemas com lojistas anteciparam o rompimento
Apesar de tudo, o fim do contrato entre o Banpará e a Entrepay não ocorreu de forma isolada. No início do mês, o Banco do Nordeste também encerrou sua parceria com a Entrepay. Isso, após identificar problemas no processamento de transações dentro do programa Crediamigo.
Relatos de pequenos comerciantes reforçam esse cenário. Segundo registros publicados na internet e reportados pelo NeoFeed, lojistas enfrentaram dificuldades para receber valores de vendas realizadas por maquininhas, com perdas que, em alguns casos, ultrapassaram R$ 100 mil.
Esse tipo de falha, portanto, afeta diretamente o fluxo de caixa de negócios de menor porte, que dependem da liquidação rápida das transações para manter a operação diária.
Fim do contrato entre o Banpará e a Entrepay expõe fragilidade na adquirência
O fim do contrato entre o Banpará e a Entrepay também amplia a atenção sobre a infraestrutura de meios de pagamento no Brasil. Modelos de adquirência dependem de integração tecnológica para garantir liquidação eficiente e previsível.
Além disso, a ausência de cobertura do Fundo Garantidor de Créditos (FGC), no caso de instituições de pagamento. Além de elevar a exposição de credores em situações de falha operacional ou financeira. Esse ponto, portanto, passa a ganhar relevância na análise de risco por bancos e parceiros comerciais.
Diante desse cenário, o episódio reforça, segundo especialistas do setor, a necessidade de revisão em práticas de compliance, gestão de caixa, liquidação de transações e governança em fintechs e empresas de adquirência.





