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Confiança de serviços cai pelo 2º mês e expõe mudança no setor

Confiança de serviços recua em março com queda nas expectativas e indica mudança na leitura do setor, mesmo com atividade ainda sustentada Saiba mais.
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Índice de Confiança de Serviços recua em março e reflete piora nas expectativas do setor (Foto: Reprodução)

O índice de confiança de serviços caiu em março de 2026, segundo dados divulgados nesta segunda-feira (30/03), ao atingir 88,4 pontos após recuo de 1,8 ponto, no segundo resultado negativo consecutivo do indicador calculado pela Fundação Getulio Vargas (FGV IBRE).

Além disso, a queda interrompe uma sequência de quatro meses de alta e ocorre em um momento em que a atividade corrente ainda apresenta sinais de sustentação. Esse descompasso passa a influenciar diretamente a leitura das empresas sobre o ritmo do setor.

Confiança de serviços e a virada nas expectativas

O principal vetor da queda veio do Índice de Expectativas, que recuou 3,7 pontos, para 84,4 pontos — a maior perda desde janeiro de 2023. O indicador reflete percepções sobre demanda futura, tendência dos negócios e decisões de investimento.

Nesse recorte, a projeção de demanda para os próximos três meses caiu para 86,0 pontos, enquanto o horizonte de seis meses recuou para 82,9 pontos, indicando deterioração mais intensa no médio prazo.

Segundo Rodolpho Tobler, economista do FGV IBRE, a mudança está ligada à percepção empresarial. “A confiança de serviços volta a cair, e novamente influenciada por uma piora nas expectativas com os próximos meses”, afirmou .

Atividade atual ainda sustenta o setor

Apesar da queda no indicador geral do índice de confiança de serviços, os dados ligados ao presente seguem em outra direção. O Índice de Situação Atual ficou praticamente estável, em 92,5 pontos, com leve alta de 0,1 ponto no mês.

O avanço do volume de demanda atual, que subiu para 94,8 pontos, indica que a atividade de serviços ainda mantém ritmo no curto prazo. Ao mesmo tempo, o indicador de situação dos negócios caiu para 90,2 pontos, revelando um ambiente menos confortável para as empresas.

Leitura do setor muda com pressão externa

A avaliação dos empresários também incorpora fatores macroeconômicos. Mesmo com a redução da taxa de juros, o ambiente internacional mais instável passou a pesar nas decisões.

Segundo Tobler, esse cenário ala tera confiança de serviços e a forma como o setor projeta os próximos meses. “Essa combinação de resultados sugere que os empresários do setor estão mais cautelosos com a continuidade desse ritmo favorável”, disse.

Com isso, variáveis como planejamento empresarial, contratações e expansão operacional passam a ser reavaliadas diante do aumento da incerteza e do risco percebido no ambiente externo.

Confiança de serviços e o sinal para os próximos meses

O primeiro trimestre consolida um ponto de inflexão: enquanto a demanda corrente avança, as expectativas seguem em trajetória de queda, ampliando a distância entre presente e futuro dentro do setor.

O índice de confiança de serviços da FGV, nesse contexto, passa a atuar como um termômetro antecipado da economia. A deterioração das expectativas sugere que ajustes podem ocorrer nos próximos meses, mesmo antes de uma desaceleração aparecer nos dados de atividade.

Foto de Moisés Freire Neto

Moisés Freire Neto

Moisés Freire Neto é jornalista formado pela Faculdade Estácio e pela Universidade Estadual do Ceará (UECE), com atuação em economia e negócios. Integra as equipes editoriais do Economic News Brasil e do J1, veículos que compõem o Sistema BNTI de Comunicação. Sua atuação é fundamentada em sólida experiência em jornalismo editorial e comunicação institucional.

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