O leilão do Aeroporto Internacional do Rio de Janeiro, o Galeão, ocorre nesta segunda-feira (30), às 15h, na B3, em São Paulo, com expectativa de atrair propostas a partir de R$ 932,8 milhões. O processo busca transferir integralmente a concessão do aeroporto para um novo operador, após a saída dos atuais controladores.
A operação marca uma inflexão na política de concessões aeroportuárias, ao permitir que um único investidor assuma o controle total do terminal. Hoje, a concessão está dividida entre a RIOgaleão, com 51%, e a Infraero, com 49%, estrutura que será descontinuada.
Leilão do Galeão e a reconfiguração do contrato
O novo modelo contratual redefine a lógica econômica da concessão. Em vez de uma contribuição fixa, o operador passará a pagar 20% do faturamento à União até 2039, mecanismo que alinha receitas ao desempenho do ativo.
Além disso, o contrato elimina a exigência de construção de uma terceira pista, reduzindo a necessidade de investimento inicial. Ao mesmo tempo, o novo controlador assumirá contratos vigentes, passivos financeiros, obrigações operacionais e direitos vinculados ao terminal.
Outro ponto relevante envolve a concorrência com o Aeroporto Santos Dumont. O acordo prevê um mecanismo de compensação caso haja mudanças nas regras de operação do terminal central, considerado um fator de pressão sobre o fluxo de passageiros do Galeão.
Modelo de concessão aeroportuária e atratividade
A reformulação foi construída em negociação entre governo, RIOgaleão e Tribunal de Contas da União (TCU), com foco em aumentar o interesse de investidores. Segundo avaliação de agentes do setor, contratos mais flexíveis tendem a reduzir riscos e ampliar a previsibilidade de retorno.
O aeroporto opera atualmente abaixo de sua capacidade instalada, o que reforça o espaço para expansão. Em 2025, o terminal registrou 17,9 milhões de passageiros, alta de 23,4% frente ao ano anterior, mas ainda distante do limite de 37 milhões por ano.
Na prática, o ativo mantém uma base relevante de operação, com cerca de 49 mil passageiros diários, além de aproximadamente 340 voos domésticos e 110 internacionais por dia. Esses indicadores sustentam a atratividade do ativo no médio prazo.
Leilão do Galeão e o redesenho do setor
O leilão do Galeão também sinaliza uma revisão mais ampla no modelo de concessões no Brasil, especialmente em ativos que enfrentaram dificuldades financeiras após 2013. A nova abordagem busca equilibrar retorno privado e sustentabilidade operacional.
Além disso, o desempenho recente do aeroporto sugere recuperação gradual da demanda aérea, impulsionada pela retomada do turismo e das viagens corporativas. Esse contexto tende a influenciar a percepção de risco dos investidores.
Por fim, o desfecho do processo pode servir como referência para futuros projetos de infraestrutura, ao indicar se ajustes contratuais são suficientes para reativar ativos subutilizados. O resultado do leilão do Galeão deverá orientar os próximos passos da política aeroportuária no país.





