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Petróleo perto de US$ 120 oscila com guerra e risco global

O petróleo Brent oscila perto de US$ 120 em meio à guerra no Golfo. Ataques e risco no Estreito de Ormuz elevam preços e aumentam a pressão sobre combustíveis e inflação global. Saiba mais.
petróleo Brent oscila com fluxo de óleo em instalação de armazenamento durante crise no Golfo
Preço do Brent se aproxima de US$ 120 após ataques no Golfo e risco de interrupção no Estreito de Ormuz ( Foto: Reprodução)

O petróleo Brent oscila em níveis extremos no fim de março, perto de US$ 120 por barril, enquanto a guerra entre Estados Unidos, Israel e Irã eleva o risco de alta nos combustíveis e na inflação global. O mercado reage em tempo real a ataques no Golfo e a sinais contraditórios sobre o fim do conflito, criando movimentos bruscos de alta e queda no mesmo dia.

Logo após o avanço mais forte do mês, o Brent chegou a negociar perto de US$ 118 o barril, impulsionado pelo ataque do Irã a um petroleiro kuwaitiano e pelo bloqueio de fato do Estreito de Ormuz. Horas depois, parte dos ganhos foi devolvida, reforçando o padrão atual: o petróleo Brent oscila rapidamente conforme novas informações surgem.

Essa alternância não é pontual. Ela revela um mercado que tenta precificar dois cenários opostos ao mesmo tempo — escassez severa ou normalização rápida da oferta.

O que faz o petróleo subir tão rápido

O principal motor da alta é o risco físico de falta de petróleo no mercado global.

O Estreito de Ormuz concentra uma das rotas mais críticas do planeta para transporte de petróleo e gás. Com ataques a navios e avanço militar na região, o fluxo foi reduzido, retirando, assim, milhões de barris por dia do mercado.

Na prática, menos oferta significa disputa maior por petróleo disponível, o que empurra os preços para cima. Ao mesmo tempo, investidores adicionam um prêmio de risco geopolítico, elevando ainda mais as cotações.

Por que o petróleo Brent oscila e recua no mesmo dia

Se a alta responde ao risco de falta, a queda reflete a possibilidade de que esse cenário não dure.

Declarações do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, indicando disposição para encerrar a campanha militar funcionam como gatilho imediato de alívio.

Portanto, quando o mercado passa a considerar uma saída rápida da guerra, parte do prêmio de risco desaparece. E, por consequência, o preço recua.

Esse movimento é intensificado por fundos e traders que operam contratos futuros e ajustam posições em minutos, ampliando a volatilidade.

O papel de Ormuz na volatilidade do petróleo Brent

O Estreito de Ormuz virou o principal gatilho de preço no mercado global.

Ataques a petroleiros fora da hidrovia — como o caso do navio Al-Salmi, atingido próximo a Dubai — ampliam a percepção de risco e provocam saltos imediatos nas cotações. A paralisação atual, inclusive, leva oleodutos sauditas ao limite de produção.

Por outro lado, qualquer sinal de reabertura ou redução da tensão reduz rapidamente a pressão.

Isso transforma a região no epicentro da volatilidade: qualquer evento local tem efeito global direto.

Impacto direto: combustíveis e inflação entram no radar

Mesmo com recuos pontuais, o nível elevado do petróleo já começa a gerar efeitos práticos.

Combustíveis tendem a encarecer, o custo do frete sobe e isso se espalha para alimentos e produtos básicos. Em cadeia, o movimento aumenta a pressão sobre a inflação e pode afetar decisões de juros.

Além disso, a instabilidade dificulta previsões para empresas e governos, tornando mais caro planejar produção, transporte e logística.

Por que esse momento é diferente

A atual alta não é resultado apenas de demanda ou decisões da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep). Ela nasce de um conflito que afeta diretamente a circulação global de energia.

Por isso, mesmo após uma valorização acima de 50% no mês, o petróleo Brent oscila com intensidade: o mercado reage a cada novo ataque, declaração ou movimentação militar.

Foto de Moisés Freire Neto

Moisés Freire Neto

Moisés Freire Neto é jornalista formado pela Faculdade Estácio e pela Universidade Estadual do Ceará (UECE), com atuação em economia e negócios. Integra as equipes editoriais do Economic News Brasil e do J1, veículos que compõem o Sistema BNTI de Comunicação. Sua atuação é fundamentada em sólida experiência em jornalismo editorial e comunicação institucional.

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