A reestruturação dos Correios avança com uma mudança direta na estrutura de pessoal da estatal: o número de cargos será reduzido de 32 para 18. A proposta, enviada ao Ministério da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos, integra o plano de ajuste montado pela empresa para reorganizar custos, funções e operação.
As novas regras valerão para futuras contratações. No caso dos empregados atuais, a migração será opcional, já que a legislação trabalhista preserva o direito de permanência no cargo de origem. Além disso, a estatal estuda incentivos para estimular a transição, mas tenta evitar novos gastos fixos em um momento de pressão sobre o caixa.
Reestruturação dos Correios muda desenho dos cargos
A revisão não se limita ao corte numérico. A empresa quer alterar a lógica de distribuição de funções para ganhar margem de manobra na operação diária. Hoje, por exemplo, um agente que atua no atendimento não pode assumir atividades de tratamento ou de distribuição de encomendas.
Com o novo modelo de reestruturação, os Correios tentam ampliar a flexibilidade operacional e reduzir travas internas na gestão de pessoal. A leitura da companhia, portanto, é que a estrutura atual dificulta ajustes rápidos e encarece a organização do trabalho em áreas ligadas à logística urbana e à distribuição.
A proposta também prevê o fim de cargos como médico, dentista e enfermeiro. Como os Correios não mantêm mais ambulatórios próprios, a empresa considera mais viável recorrer à terceirização de serviços, com menor peso sobre os custos operacionais no médio e no longo prazo.
PDV segue abaixo da meta
Em paralelo, o plano de demissão voluntária continua como uma das frentes centrais do ajuste. Até 24/03, 2.117 empregados aderiram ao programa, o equivalente a 21% da meta de 10 mil desligamentos prevista para 2026. Além disso, segundo o plano de reestruturação dos Correios, a empresa ainda projeta outras 5 mil saídas voluntárias em 2027.
O prazo de adesão, que terminaria em 31/03, foi estendido até 7 de abril. Um dos entraves apontados internamente é a perda do plano de saúde, que pesa na decisão dos trabalhadores. Para contornar esse freio, a Postal Saúde lançou modalidades mais baratas, com cobertura mais enxuta, voltadas também a ex-funcionários e familiares.
Reestruturação dos Correios avança sob pressão financeira
A estatal também já começou a aplicar a escala 12×36 em alguns setores. A medida independe do novo plano de cargos, mas faz parte do esforço para ampliar entregas aos fins de semana, área em que concorrentes privados já operam com mais presença na entrega expressa e na competitividade logística.
A reestruturação dos Correios ocorre depois da atual gestão mapear um rombo de R$ 20 bilhões no caixa. Em resposta, a empresa contratou um empréstimo de R$ 12 bilhões com Banco do Brasil, Caixa, Bradesco, Itaú e Santander, tendo o plano de ajuste como contrapartida.
Se o PDV dos Correios continuar abaixo do esperado, a companhia deixa aberta a possibilidade de adotar medidas adicionais, num processo que redefine a estrutura da estatal sob cobrança crescente por equilíbrio financeiro.



