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Ações da Embraer caem mesmo com alta de 47% nas entregas

Ações da Embraer caem mesmo com alta nas entregas e valuation abaixo dos pares globais. Analistas apontam desconto e veem gatilhos como pedidos bilionários e revisão de projeções.
Ações da Embraer com aeronave E195-E2 ao fundo
Entregas avançam, mas ações da Embraer seguem pressionadas no mercado. Divulgação/Embraer

ações da Embraer operam em queda mesmo após a companhia elevar em 47% o volume de entregas no primeiro trimestre, um contraste que chama atenção para a leitura de preço no mercado. O papel acumula recuo de 21% desde o pico recente e ainda registra perda de 8% no ano, apesar do avanço operacional consistente.

Ao todo, foram 44 aeronaves entregues no período, com destaque para a aviação comercial, que avançou 43%, e para a aviação executiva, com crescimento de 26%. Já a divisão de defesa e segurança adicionou cinco unidades ao volume total. Ainda assim, a reação negativa do mercado sugere uma dissociação entre execução e percepção de risco. A leitura dos analistas, contudo, aponta para um ponto menos visível nesse cenário.

Desconto frente aos pares reforça tese de assimetria

Na comparação internacional, a Embraer negocia a cerca de 8,9 vezes EV/Ebitda, abaixo de rivais como Airbus, Boeing e Bombardier. Para o JPMorgan, esse nível indica que as ações da Embraer estão descontadas frente aos concorrentes globais, mesmo com indicadores operacionais mais consistentes.

A XP reforça essa visão ao afirmar que fatores positivos vêm sendo subestimados, enquanto o Itaú BBA destaca possíveis revisões nas projeções como gatilho relevante. Esse conjunto de avaliações sustenta a percepção de que o preço atual não reflete integralmente a capacidade de geração de receita.
Mas há um elemento específico que pode alterar essa equação.

Pedido bilionário da Índia pode redefinir percepção

Entre os potenciais catalisadores, o mercado acompanha a possibilidade de um pedido de até 200 aeronaves E1, ligado à parceria com o Adani Group. A estimativa aponta para um contrato de até US$ 5,1 bilhões, com chance de avanço ainda neste ano.

Além disso, a carteira de pedidos já cobre cerca de 120% das receitas projetadas da aviação comercial até 2029, o que amplia a previsibilidade de fluxo financeiro. Esse nível de cobertura reduz a exposição a ciclos mais voláteis do setor. Para além do curto prazo, há outro vetor que pressiona a leitura do investidor.

Cenário global pressiona percepção de risco

As incertezas associadas à guerra no Oriente Médio impactam diretamente as companhias aéreas, principais clientes da Embraer. Esse ambiente eleva o custo de capital e afeta decisões de compra, influenciando a precificação das ações da Embraer.

Ainda assim, a companhia projeta crescimento moderado para 2026, com entregas entre 80 e 85 aeronaves comerciais e até 170 jatos executivos. O guidance indica continuidade da expansão, mesmo diante de um ambiente macroeconômico mais desafiador.

O que está por trás da discrepância

O ponto central está na diferença entre execução e expectativa. Enquanto a Embraer entrega crescimento em volume e mantém backlog robusto, o mercado antecipa riscos futuros e ajusta o preço com base em incertezas externas.

No entanto, se os gatilhos identificados por analistas, como resultados acima do esperado ou novos contratos, se confirmarem, a tendência é de reavaliação dos múltiplos. Nesse contexto, ações da Embraer deixam de refletir apenas o presente e passam a incorporar uma disputa entre risco global e capacidade operacional, onde o desfecho ainda está em aberto.

Foto de Flávia Lifonsino

Flávia Lifonsino

Flávia Lifonsino é jornalista formada pela Universidade Federal de São João del-Rei (UFSJ). Integra a equipe do Economic News Brasil, com atuação na produção jornalística e em conteúdos analíticos sobre negócios, investimentos e tecnologia aplicada às empresas, além de experiência em coberturas digitais e projetos editoriais.

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