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BRB concentrou 95% das compras de crédito no Master e elevou exposição

O BRB concentrou 95% das compras de carteiras de crédito no Banco Master, somando R$ 30,4 bilhões. A estratégia elevou a exposição do banco estatal a um único grupo financeiro e acendeu alertas sobre risco e dependência.
Fachada do Banco de Brasília (BRB) com nome da instituição em destaque no prédio
Sede do Banco de Brasília (BRB), que concentrou 95% das compras de carteiras de crédito no Banco Master entre 2024 e 2025 (Foto: Joédson Alves/Agência Brasil)

O Banco de Brasília (BRB) concentrou quase toda a sua estratégia de compra de carteiras de crédito no Banco master entre 2024 e 2025 — e isso elevou a exposição do banco a um nível incomum. Documentos internos mostram que 95% dessas aquisições foram feitas junto ao Banco Master, somando R$ 30,4 bilhões.

O número não chama atenção apenas pelo volume. Ele indica uma dependência relevante de um único fornecedor de ativos, o que pode ampliar riscos caso a qualidade dessas carteiras se deteriore.

BRB concentrou compras de carteiras de crédito no Banco Master

Ao longo de 2024 e 2025, o BRB passou a comprar carteiras de crédito do Banco Master de forma recorrente. Foram mais de R$ 25,1 bilhões apenas em operações de varejo, com destaque para produtos ligados à Credcesta.

Na prática, isso significa que uma parte relevante do desempenho do banco passou a depender diretamente desses ativos. Se houver aumento de inadimplência ou queda no retorno esperado, o impacto tende a ser mais intenso justamente pela concentração.

Estratégia do BRB incluiu troca de carteiras

Parte das operações não ocorreu apenas por compra direta. O BRB também realizou transações classificadas como “substituições”, nas quais devolvia carteiras consideradas problemáticas e recebia outras em troca.

Esse tipo de operação mantém o vínculo com o mesmo parceiro, mesmo quando há tentativa de melhorar a qualidade dos ativos. Nesse contexto, a exposição não diminui; ela apenas muda de composição.

Diferença para outros bancos evidencia concentração

Enquanto ampliava a relação com o Banco Master, que teve o processo de liquidação extrajudicial colocada sob sigilo de 8 anos pelo Banco Central, o BRB também comprou carteiras de outras instituições. Mas em escala bem menor.

Foram 32 operações com outros bancos, que somaram R$ 1,6 bilhão no período.

A comparação deixa claro o nível de concentração:

  • R$ 30,4 bilhões com o Banco Master
  • R$ 1,6 bilhão com todos os demais

Ou seja, a estratégia não foi diversificada — foi direcionada.

Exposição aumenta ao incluir empresas ligadas

A dependência fica ainda mais evidente quando se inclui o Will Bank, banco digital ligado ao mesmo grupo do Master que foi liquidado pelo Banco Central em janeiro. O BRB comprou cinco carteiras de crédito dessa instituição, no total de R$ 358 milhões.

Somando essas operações, o volume negociado com o grupo chega a R$ 25,5 bilhões — contra cerca de R$ 1,2 bilhão com todas as outras instituições.

Na prática, o risco não está concentrado apenas em um banco, mas em um mesmo grupo econômico.

Relação antecede tentativa de compra barrada

Em setembro de 2025, o Banco Central barrou a tentativa do BRB de adquirir o Banco Master.

Os dados mostram que, antes disso, a relação entre as duas instituições já era intensa. As compras frequentes de carteiras de crédito, inclusive, indicam que o vínculo financeiro vinha sendo construído ao longo do tempo.

A tentativa de aquisição, nesse contexto, aparece como um desdobramento — não como ponto de partida.

O que a concentração do BRB em carteiras de crédito do Banco Master significa

Quando um banco concentra grande parte de seus ativos em um único parceiro, ele reduz sua margem de proteção.

No caso do BRB, há menor diversificação, maior dependência e maior sensibilidade a problemas específicos desses ativos.

Portanto, com mais de R$ 30 bilhões envolvidos entre BRB e Banco Master, qualquer deterioração nessas carteiras de crédito pode ter impacto relevante no resultado.

Foto de Moisés Freire Neto

Moisés Freire Neto

Moisés Freire Neto é jornalista formado pela Faculdade Estácio e pela Universidade Estadual do Ceará (UECE), com atuação em economia e negócios. Integra as equipes editoriais do Economic News Brasil e do J1, veículos que compõem o Sistema BNTI de Comunicação. Sua atuação é fundamentada em sólida experiência em jornalismo editorial e comunicação institucional.

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