Anúncio SST SESI

Inadimplência no Brasil dispara e atinge maior nível em 14 anos

O Brasil chegou a 81,7 milhões de inadimplentes em 2026, maior nível em 14 anos. Juros altos, crédito digital e baixa renda explicam a alta, mesmo após o Desenrola. Especialistas alertam para causas estruturais do endividamento.
Consumidora calcula despesas em meio ao avanço da inadimplência no Brasil
Alta da inadimplência no Brasil pressiona famílias, com contas acumuladas, uso de crédito e dificuldade para equilibrar o orçamento (Foto: Reprodução)

A inadimplência no Brasil voltou a crescer com força e atingiu 81,7 milhões de pessoas em 2026, o maior nível em 14 anos. O avanço ocorre mesmo após programas de renegociação de dívidas e revela um problema mais profundo na dinâmica de crédito, renda e consumo no país.

O número representa um aumento de 9 milhões de inadimplentes desde maio de 2024, quando o programa Desenrola foi encerrado. Na prática, isso significa mais brasileiros com restrições no nome, dificuldade de acesso a crédito e menor capacidade de consumo. Portanto, um impacto direto no dia a dia e também na economia.

O dado mais preocupante está na qualidade dessas dívidas. A inadimplência acima de 90 dias atingiu 5,24% da carteira de crédito das pessoas físicas, o maior patamar desde 2012, segundo dados recentes do setor.

Por que a inadimplência no Brasil voltou a crescer

Especialistas apontam que o aumento da inadimplência no Brasil é resultado de uma combinação de fatores que se reforçam.

O primeiro deles é o nível elevado dos juros. A taxa básica (Selic) subiu de 10,50% ao ano, quando o Desenrola terminou, para 14,75% atualmente. Esse movimento encarece o crédito e dificulta o pagamento de dívidas existentes.

Na prática, o consumidor paga mais caro para financiar compras, usar o cartão de crédito ou renegociar débitos. Isso pressiona o orçamento e aumenta o risco de atraso.

Outro fator relevante para a inadimplência no Brasil é a expansão do crédito digital. Com mais fintechs e plataformas oferecendo empréstimos de forma rápida e quase automática, o acesso ao crédito ficou mais fácil — mas também menos controlado.

Esse modelo amplia o alcance, mas reduz barreiras de avaliação de risco, o que pode levar consumidores a assumir dívidas acima da capacidade de pagamento.

Há ainda elementos comportamentais e sociais. A baixa educação financeira e o crescimento das apostas online (bets) entram nesse contexto, drenando renda disponível e contribuindo para o descontrole financeiro.

O perfil das dívidas mostra onde está o problema

Os dados da Serasa revelam que a inadimplência no Brasil está concentrada em modalidades mais caras e de uso cotidiano.

  • O cartão de crédito lidera, com 26,7% do total das dívidas.
  • Em seguida aparecem contas básicas, como água e luz, com 21,3% do total,
  • E por fim, débitos com financeiras, chegando a 20,3%)

Esse perfil mostra que o problema não está apenas em grandes financiamentos, mas no consumo diário e no uso recorrente de crédito caro para cobrir despesas básicas.

Portanto, isso indica que parte relevante da população já opera com orçamento comprometido antes mesmo de assumir novas dívidas.

Por que programas como o Desenrola não resolvem o problema

O programa Desenrola, criado para renegociar dívidas de pessoas físicas com alto índice de descontos (até 90% ou mais), conseguiu reduzir temporariamente o número de inadimplentes no Brasil, ao renegociar R$ 53,2 bilhões em dívidas e atender cerca de 15 milhões de pessoas.

Porém, especialistas apontam que a iniciativa atuou mais sobre o efeito do problema do que sobre suas causas.

Ao limpar o nome dos consumidores e facilitar o acesso ao crédito, o programa permitiu uma retomada do consumo. Mas, sem mudanças estruturais, tais como controle da oferta de crédito, redução de juros ou educação financeira, muitos desses consumidores voltaram a se endividar.

Esse movimento cria um ciclo: renegociação, retomada de crédito, novo endividamento e retorno à inadimplência.

O que muda para o consumidor e para a economia com a taxa de inadimplência no Brasil

O avanço da inadimplência no Brasil tem efeito direto no bolso do consumidor e também no ritmo da economia.

Para as famílias, significa menos acesso a crédito, juros mais altos e dificuldade para financiar bens ou reorganizar a vida financeira.

Já para o mercado, o impacto aparece na retração do consumo, aumento do risco de crédito e maior cautela das instituições financeiras.

Esse cenário tende a frear a atividade econômica, já que o consumo das famílias é um dos principais motores do crescimento no país. Ao mesmo tempo, pressiona o governo federal a buscar novas soluções. Isso, ainda que o desafio central continue sendo estrutural: equilibrar acesso ao crédito com capacidade real de pagamento.

Foto de Moisés Freire Neto

Moisés Freire Neto

Moisés Freire Neto é jornalista formado pela Faculdade Estácio e pela Universidade Estadual do Ceará (UECE), com atuação em economia e negócios. Integra as equipes editoriais do Economic News Brasil e do J1, veículos que compõem o Sistema BNTI de Comunicação. Sua atuação é fundamentada em sólida experiência em jornalismo editorial e comunicação institucional.

Mais lidas

Últimas notícias

Entrar no canal Canal do Economic News Brasil no WhatsApp