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Dívida bilionária leva Aliança Agrícola à recuperação judicial

A Justiça de Minas Gerais aceitou a recuperação judicial da Aliança Agrícola do Cerrado, que tenta renegociar R$ 1,16 bilhão em dívidas. A decisão suspende cobranças por 180 dias e abre negociação com bancos e credores.
Imagem da Aliança Agrícola do Cerrado para ilustrar uma matéria jornalística sobre a recuperação judicial da Aliança Agrícola.
Justiça aceita recuperação judicial da Aliança Agrícola do Cerrado. (Imagem: divulgação/Aliança Agrícola do Cerrado)

A Justiça de Minas Gerais aceitou o pedido de recuperação judicial da Aliança Agrícola do Cerrado, trading controlada pelo grupo russo Sodrugestvo, que tenta renegociar R$ 1,16 bilhão em dívidas com cerca de mil credores. A decisão suspende por 180 dias as cobranças e abre uma nova fase de negociação com grandes bancos e instituições financeiras, em um movimento que expõe a pressão sobre o setor de trading agrícola.

A decisão foi tomada pela juíza Claudiana Silva de Freitas, da 10ª Vara Cível de Uberlândia (MG), e marca uma virada no processo. O pedido havia sido negado inicialmente, sob questionamento sobre a capacidade de recuperação da empresa. A reavaliação ocorreu após a companhia conseguir uma tutela antecipada para suspender execuções e bloqueios.

Na prática, a recuperação judicial cria um período de proteção contra credores, permitindo à empresa reorganizar suas finanças. Durante os próximos 60 dias, a Aliança Agrícola terá que apresentar um plano detalhado de pagamento e reestruturação.

O impacto imediato recai sobre o sistema financeiro. Entre os principais credores estão Banco do Brasil (R$ 135 milhões), Ecoagro Participações (R$ 110,6 milhões), Macquarie Bank (R$ 104 milhões), Santander (R$ 95,6 milhões) e XP Investimentos (R$ 80 milhões). A concentração de instituições relevantes evidencia o alcance do caso e o volume de recursos em risco.

A crise da companhia está ligada a fatores de mercado. A queda nos preços da soja, combinada com a volatilidade do trading e o aumento dos custos financeiros, reduziu a liquidez e dificultou o cumprimento das obrigações. Esse cenário pressiona empresas que operam com margens sensíveis às oscilações de commodities.

O que muda com a recuperação judicial da Aliança Agrícola

Com a recuperação judicial aceita, a empresa ganha tempo para reorganizar suas operações e preservar ativos. O processo também inclui outras empresas do grupo: a ATAC Logística e a Aliagro Trading.

A medida tende a evitar uma ruptura imediata nas atividades, o que impactaria diretamente cerca de 200 empregados e a cadeia operacional ligada à empresa. A manutenção das operações passa a ser central para sustentar qualquer proposta de pagamento aos credores.

A dimensão financeira do caso

O volume de R$ 1,16 bilhão em dívidas coloca o caso entre os relevantes no segmento de trading agrícola. Além do tamanho, chama atenção o perfil dos credores, que inclui bancos públicos, privados e instituições de investimento.

Esse tipo de situação acende um alerta sobre o nível de exposição financeira no setor, especialmente em momentos de oscilação de preços e aumento do custo do crédito.

A tentativa de reorganização do negócio

Como parte da estratégia para sair da crise, a empresa firmou um contrato de industrialização de soja com a ADM do Brasil. O acordo prevê a utilização de até 80% da capacidade das unidades industriais.

A expectativa é gerar cerca de R$ 140 milhões em receita líquida com menor exposição à volatilidade do mercado de soja. A mudança indica uma tentativa de reduzir a dependência direta do trading, buscando maior previsibilidade de caixa.

Foto de Marconi Bernardino

Marconi Bernardino

Marconi Bernardino é jornalista formado pela Unifavip Wyden, em Caruaru (PE). Integra a equipe do Economic News Brasil, com atuação na produção de conteúdos analíticos sobre negócios, mercado financeiro e fortunas, além de experiência em jornalismo para televisão e rádio.

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