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WhatsApp pode mudar: União Europeia acusa Meta de barrar concorrentes de IA

A Meta enfrenta pressão da União Europeia por supostamente limitar a concorrência de IA no WhatsApp. A empresa pode ser obrigada a restabelecer o acesso de assistentes de terceiros, em meio à disputa por controle de um mercado estratégico.
Imagem de um telefone para ilustrar uma matéria sobre a União Europeia e Meta.
UE acusa Meta de travar concorrência de IA no WhatsApp. (Imagem: Heiko/Pixabay)

A Meta enfrenta pressão direta da União Europeia após ser acusada, na quarta-feira (15/04), de limitar a concorrência no mercado de inteligência artificial dentro do WhatsApp. A Comissão Europeia avalia que a empresa criou barreiras que podem impedir o avanço de assistentes de IA de terceiros, o que pode resultar em intervenção no funcionamento do aplicativo.

O impacto vai além da disputa jurídica. O WhatsApp é uma das principais portas de acesso a usuários no mundo, e restringir quem pode operar dentro da plataforma pode definir quais empresas de IA crescem e quais ficam pelo caminho.

Na prática, o que está em jogo é o controle sobre um dos canais mais estratégicos da nova economia digital.

Meta pode ter usado o WhatsApp para proteger sua própria IA, diz União Europeia

O centro da investigação analisa desde a mudança feita pela Meta em outubro de 2025, quando a empresa alterou as regras do WhatsApp Business e passou a restringir a atuação de assistentes de IA de terceiros.

Inicialmente, a política previa uma proibição direta. Em março de 2026, a empresa recuou parcialmente e passou a permitir o acesso mediante pagamento.

A Comissão Europeia, porém, concluiu de forma preliminar que essa cobrança produz o mesmo efeito prático da proibição anterior. Isso porque cria uma barreira financeira que dificulta a entrada de concorrentes, especialmente empresas menores.

Ao mesmo tempo, a Meta mantém dentro do próprio ecossistema soluções como o Meta AI, o que levanta suspeitas de uso da plataforma para favorecer seus próprios produtos.

Disputa por acesso ao usuário define vencedores na IA

O mercado de assistentes de inteligência artificial cresce rapidamente e já é considerado um dos mais estratégicos da tecnologia global.

Nesse cenário, o acesso direto ao usuário se tornou um ativo decisivo. Plataformas como o WhatsApp concentram bilhões de pessoas e funcionam como canal de distribuição para novos serviços.

Quando uma empresa controla esse acesso, ela passa a ter poder para influenciar quais soluções ganham escala. A avaliação da União Europeia é que a conduta da Meta pode reduzir a concorrência e limitar a inovação no setor.

Isso afeta não apenas empresas atuais, mas também novos entrantes que dependem dessas plataformas para crescer.

União Europeia pode obrigar Meta a abrir o WhatsApp

Diante do risco de dano à concorrência, a Comissão Europeia sinalizou que pretende impor medidas provisórias contra a Meta.

Na prática, isso pode obrigar a empresa a restabelecer o acesso de assistentes de IA de terceiros ao WhatsApp nas mesmas condições anteriores a outubro de 2025, ou seja, sem barreiras adicionais.

Essa decisão teria efeito imediato e permaneceria válida até o fim da investigação.

Se confirmada, a medida muda o modelo atual da Meta e reduz seu controle sobre o funcionamento da plataforma, principalmente em relação ao uso de inteligência artificial.

Caso amplia pressão global sobre Big Techs

A Comissão Europeia também ampliou a investigação para todo o Espaço Econômico Europeu (EEE), incluindo a Itália, o que aumenta o alcance da possível decisão.

O caso reforça um movimento maior da Europa de limitar o poder das grandes empresas de tecnologia, especialmente quando há indícios de uso de posição dominante para travar concorrência.

Para o mercado, o recado é direto. O controle sobre plataformas digitais não garante liberdade total para definir regras, principalmente em setores emergentes como inteligência artificial.

A Comissão Europeia ainda não tomou a decisão final, mas o processo já sinaliza uma mudança relevante na disputa por espaço no mercado global de IA.

Foto de Marconi Bernardino

Marconi Bernardino

Marconi Bernardino é jornalista formado pela Unifavip Wyden, em Caruaru (PE). Integra a equipe do Economic News Brasil, com atuação na produção de conteúdos analíticos sobre negócios, mercado financeiro e fortunas, além de experiência em jornalismo para televisão e rádio.

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