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Jogadores comprando clubes: por que Messi entrou nessa tendência

Messi comprou o Cornellà e reforçou uma tendência crescente: jogadores estão virando donos de clubes. Entenda o que está por trás desse movimento.
Lionel Messi sorrindo e fazendo gesto positivo após compra de clube espanhol
Messi amplia atuação fora de campo e entra para o grupo de jogadores que investem na compra de clubes de futebol (Foto: Reprodução)

A entrada de Lionel Messi no controle do Unión Esportiva (UE) Cornellà marca mais um capítulo de um movimento que vem ganhando força no futebol global: jogadores comprando clubes e assumindo um papel direto na gestão empresarial do esporte. A aquisição do time catalão, confirmada nesta sexta-feira (17/04), reforça que o protagonismo dos atletas agora ultrapassa o campo e avança para o lado empreendedor.

Mais do que uma decisão isolada, o movimento de Messi revela uma mudança estrutural. Na prática, jogadores passaram a enxergar clubes — especialmente os menores — como ativos estratégicos, capazes de gerar retorno financeiro, influência esportiva e posicionamento de marca no longo prazo.

Por que clubes pequenos viraram alvo de jogadores

A escolha por clubes de divisões inferiores não é por acaso. Times como o Cornellà apresentam um perfil que combina baixo custo de aquisição com alto potencial de valorização.

Esses clubes geralmente possuem:

  • Estruturas mais simples;
  • Menor pressão por resultados imediatos;
  • Forte ligação com formação de atletas.

Esse conjunto cria um ambiente ideal para investidores que querem construir projetos de longo prazo. Ao mesmo tempo, o risco financeiro é relativamente limitado quando comparado à compra de equipes de elite.

No caso de Messi, um dos jogadores mais bem pagos do mundo, o Cornellà oferece exatamente esse cenário: um clube inserido na região de Barcelona, com histórico de desenvolvimento de jogadores e espaço para crescimento institucional.

Messi investidor: o que ele viu no Cornellà

A decisão do jogador Messi de comprar o clube catalão também passa por fatores estratégicos que vão além do campo.

O clube está localizado na Catalunha, região onde o jogador construiu sua carreira e mantém forte conexão pessoal e profissional. Esse vínculo reduz barreiras culturais e operacionais, além de facilitar a construção de um projeto alinhado à identidade local.

Além disso, o Cornellà já revelou nomes relevantes, como:

  • David Raya (Arsenal)
  • Jordi Alba (Inter Miami)
  • Gerard Martín (Barcelona)

Isso indica que o clube possui uma base consolidada de formação — um dos ativos mais valiosos no futebol atual.

Na prática, Messi não compra apenas um time: ele entra em uma cadeia empresarial de produção de talentos, que pode gerar retorno esportivo e financeiro.

A tendência global: atletas viram empreendedores nos times

O movimento liderado por Messi não é isolado. Nos últimos anos, diversos jogadores passaram a investir diretamente em clubes, consolidando uma nova lógica no futebol — agora também como negócio empresarial.

Entre alguns dos casos mais relevantes, temos:

  • Cristiano Ronaldo (Almería)
    O jogador português adquiriu participação no clube espanhol como parte de sua estratégia de expansão empresarial, com foco em valorização esportiva e retorno financeiro no médio prazo.
  • Kylian Mbappé (SM Caen)
    O atacante francês entrou no controle do clube de sua região natal, com um projeto voltado à formação de jovens e reconstrução esportiva da equipe nas divisões inferiores.
  • Luka Modric (Swansea)
    O croata passou a integrar o grupo de investidores do clube galês, apostando na reestruturação financeira e no potencial de retorno com acesso à elite inglesa.
  • N’Golo Kanté (Royal Excelsior Virton)
    Kanté comprou o clube belga com foco claro em desenvolvimento de jogadores e estabilidade institucional, após anos de dificuldades financeiras da equipe.
  • David Beckham (Inter Miami)
    Um dos casos mais bem-sucedidos, Beckham não apenas investiu como ajudou a construir o clube do zero na MLS, transformando a franquia em uma das mais valiosas da liga.
  • Casemiro (Marbella FC)
    O brasileiro adquiriu participação no clube espanhol com objetivo de profissionalizar a gestão e explorar o potencial de crescimento esportivo nas divisões inferiores.

Esse padrão revela uma mudança importante: atletas deixaram de atuar apenas como profissionais do esporte e passaram a operar como investidores estratégicos dentro da própria indústria, usando capital, imagem e conhecimento do jogo para construir ativos no futebol.

O futebol como ativo financeiro

Por trás de jogadores comprando clubes, existe um fator central: o futebol se consolidou como ativo econômico global.

Clubes passaram a ser vistos como plataformas capazes de gerar valor em diferentes frentes:

  • Direitos de transmissão
  • Formação e venda de jogadores
  • Expansão de marca
  • Exploração comercial e digital

Além disso, a globalização do esporte ampliou o alcance dessas receitas. Um clube pequeno, bem estruturado, pode se tornar relevante (e rentável) internacionalmente com investimento e gestão adequada.

Esse cenário explica por que jogadores, que acumulam capital ao longo da carreira, começam a reinvestir no próprio setor.

O que muda na prática com esse movimento

A entrada de jogadores como proprietários, comprando participações, ou a total aquisição de ativos tende a provocar mudanças concretas no funcionamento dos clubes.

Entre os principais efeitos:

Mais investimento em base
Jogadores conhecem o valor da formação e tendem a priorizar esse modelo.

Gestão mais alinhada ao esporte
A experiência dentro de campo pode influenciar decisões técnicas e estruturais.

Aumento de visibilidade
A presença de um nome global como Messi atrai atenção, patrocinadores e novos talentos.

Integração com redes internacionais
Clubes podem se conectar a outros projetos e mercados por meio do investidor.

No caso do Cornellà, esses fatores podem acelerar o crescimento esportivo e institucional nos próximos anos.

Um novo papel para os grandes nomes do futebol

A compra do Unión Esportiva Cornellà mostra que a carreira de Messi entra em uma nova fase, em que o protagonismo não depende apenas do desempenho dentro de campo.

Esse movimento indica uma transformação mais ampla: jogadores passam a atuar como agentes ativos na construção do futuro do futebol, influenciando desde a formação de atletas até o modelo de negócios dos clubes.

Ao mesmo tempo, essa tendência tende a se expandir. Com o aumento das receitas no futebol e o acúmulo de capital por parte dos atletas, a tendência é que mais jogadores sigam o mesmo caminho.

Foto de Moisés Freire Neto

Moisés Freire Neto

Moisés Freire Neto é jornalista formado pela Faculdade Estácio e pela Universidade Estadual do Ceará (UECE), com atuação em economia e negócios. Integra as equipes editoriais do Economic News Brasil e do J1, veículos que compõem o Sistema BNTI de Comunicação. Sua atuação é fundamentada em sólida experiência em jornalismo editorial e comunicação institucional.

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