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Vale aposta em navio movido a etanol e pode mudar padrão global de transporte

A Vale desenvolve navio movido a etanol para transporte de minério, com potencial de reduzir até 90% das emissões. A tecnologia inaugura uma nova fase na descarbonização do transporte marítimo global.
Imagem de um navio para ilustrar uma matéria jornalística do Navio de etanol da Vale.
Navio da Vale a etanol pode cortar 90% das emissões. (Imagem: divulgação/Vale)

A Vale anunciou um acordo para operar o primeiro navio movido a etanol no transporte transoceânico de minério de ferro, com entregas previstas a partir de 2029. A inovação afeta diretamente a logística global ao permitir uma redução de até 90% nas emissões de carbono, em comparação com combustíveis tradicionais usados na navegação.

Hoje, a maior parte da frota global utiliza óleo combustível pesado, um dos derivados mais poluentes do petróleo. Em comparação, o etanol reduz drasticamente as emissões e surge como uma alternativa viável para atender às metas ambientais do setor marítimo.

Mais do que uma mudança técnica, o projeto antecipa uma transformação no padrão da indústria marítima, pressionada por metas ambientais mais rígidas e pela necessidade de reduzir custos associados à emissão de carbono.

Os navios fazem parte da classe Guaibamax, desenvolvida para operar em rotas de longa distância, especialmente entre o Brasil e a Ásia. Cada embarcação terá cerca de 340 metros de comprimento e capacidade para transportar até 325 mil toneladas de minério, o que coloca esses modelos entre os maiores do mundo em operação comercial.

Como funciona o navio movido a etanol da Vale

O principal diferencial está no sistema multicombustível. Embora o etanol seja o foco da operação, o navio não depende exclusivamente dele.

A estrutura permite o uso de:

  • etanol como combustível principal
  • metanol como alternativa
  • óleo combustível pesado em situações específicas

O projeto também já considera adaptações futuras para combustíveis como gás natural liquefeito (GNL) e amônia, o que amplia a vida útil tecnológica da embarcação e reduz o risco de obsolescência.

A eficiência do etanol é medida considerando todo o ciclo de uso do combustível, do ponto de produção até o consumo no navio. Nesse modelo, conhecido como “well-to-wake”, o etanol de segunda geração pode reduzir em até 90% as emissões de carbono, tornando-se uma das soluções mais avançadas em teste no setor.

O que muda na estrutura do navio

Além do combustível, a nova geração de Guaibamax incorpora tecnologias que reduzem o consumo energético.

Entre os principais avanços estão:

  • velas rotativas, que capturam energia do vento para auxiliar na propulsão
  • motores mais eficientes
  • dispositivos hidrodinâmicos que reduzem a resistência da água
  • gerador de eixo, que reaproveita energia do movimento
  • pintura especial de silicone, que diminui o atrito do casco

Essas melhorias permitem uma redução de cerca de 15% nas emissões de gases de efeito estufa em comparação com modelos anteriores.

Por que essa mudança ganha relevância global

O transporte marítimo ainda depende majoritariamente de combustíveis fósseis altamente poluentes. Ao mesmo tempo, a Organização Marítima Internacional (IMO) pressiona o setor por metas mais agressivas de descarbonização.

Nesse cenário, o uso do etanol em navios de grande porte representa uma alternativa concreta e escalável. A iniciativa da Vale funciona como teste real de uma tecnologia que pode se tornar padrão na indústria nos próximos anos.

Quando os navios entram em operação

O acordo firmado com a Shandong Shipping Corporation prevê:

  • contratos de 25 anos
  • construção inicial de 2 navios
  • possibilidade de expansão da frota

As entregas estão programadas para começar em 2029, indicando uma implementação gradual da tecnologia.

Antes disso, a Vale já contará com uma base operacional de comparação, com a entrada em operação de 10 navios bicombustíveis movidos a metanol e óleo pesado a partir de 2027.

Estratégia vai além do transporte marítimo

Os novos navios fazem parte do programa Ecoshipping, voltado ao desenvolvimento de soluções para reduzir emissões na cadeia logística da mineradora.

O uso do etanol também está sendo testado em outras frentes, incluindo:

  • caminhões nas operações
  • locomotivas da Ferrovia Vitória a Minas (EFVM)

Esse movimento indica que a empresa busca reduzir emissões em toda a sua operação, e não apenas no transporte marítimo.

A mudança também pode afetar o custo do transporte marítimo ao longo do tempo. Com regras ambientais mais rígidas, empresas que reduzirem emissões tendem a evitar taxas e restrições, o que pode tornar operações mais eficientes e competitivas.

O que muda na prática no navio movido a etanol da Vale

A adoção do navio movido a etanol da Vale pode acelerar mudanças no transporte global de cargas.

Na prática, isso pode:

  • reduzir custos futuros com emissões e regulação ambiental
  • influenciar padrões internacionais de navegação
  • abrir espaço para novos combustíveis na logística global

Se a tecnologia ganhar escala, o modelo atual de transporte marítimo da Vale pode acelerar mudanças no modelo atual de transporte marítimo nos próximos anos.

Foto de Marconi Bernardino

Marconi Bernardino

Marconi Bernardino é jornalista formado pela Unifavip Wyden, em Caruaru (PE). Integra a equipe do Economic News Brasil, com atuação na produção de conteúdos analíticos sobre negócios, mercado financeiro e fortunas, além de experiência em jornalismo para televisão e rádio.

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