As ações da Vale (VALE3) podem negociar abaixo do seu potencial. Isso ocorre porque o mercado ainda ignora um fator relevante: o valor estratégico da divisão de metais básicos da companhia.
Mesmo assim, os papéis acumulam alta de 14,6% em 2026. Antes disso, já haviam subido 49% em 2025. Ainda assim, a mineradora segue com desconto frente a concorrentes globais. Por isso, surge uma dúvida direta: o mercado deixou de precificar parte do valor da empresa?
Esse possível “desconto invisível” tem origem clara. Ele está ligado a um ativo que ainda não aparece de forma evidente nas métricas tradicionais.
A “joia escondida” por trás das ações da Vale
Nesse contexto, a tese gira em torno da Vale Base Metals (VBM). A unidade produz metais como cobre e níquel. Esses materiais são essenciais para a transição energética. Além disso, têm forte demanda em carros elétricos, redes de energia e tecnologias de baixo carbono.
Ainda assim, o mercado continua tratando a Vale como uma produtora de minério de ferro. Como resultado, limita a percepção sobre o valor total da companhia.
Hoje, a empresa negocia perto de 4,5 vezes EV/Ebitda. Esse múltiplo reflete, principalmente, o negócio tradicional. No entanto, há uma distorção relevante. Isso porque apenas a divisão de metais básicos poderia atingir entre 8 e 9 vezes EV/Ebitda. Ou seja, um nível mais alinhado a empresas ligadas à transição energética.
Na prática, isso indica um problema claro. Parte relevante do negócio segue ignorada. Como consequência, o preço das ações da Vale pode não refletir todo o seu valor.
Expansão do cobre pode destravar valor
Além disso, há um gatilho concreto no radar. A Vale quer expandir sua produção de cobre. A meta é ambiciosa. A empresa pretende sair de cerca de 380 mil toneladas por ano para 700 mil toneladas até 2035.
Se executar esse plano, a mineradora muda de posição no mercado global. Com isso, reduz a dependência do minério de ferro. Ao mesmo tempo, aumenta a exposição a um setor com demanda estrutural crescente.
Por isso, esse movimento pode destravar valor. À medida que o mercado reconhecer essa mudança, a tendência é de reprecificação das ações da Vale.
Por que o mercado ainda não precificou esse valor
Ainda assim, essa oportunidade não aparece por acaso. Existem razões claras. Primeiro, pesa o histórico da Vale como gigante do minério de ferro. Esse fator ainda domina a leitura dos investidores.
Além disso, projetos de mineração levam tempo. Como resultado, parte do valor fica concentrada no longo prazo. Isso reduz o impacto nas avaliações atuais.
Por outro lado, o cenário macro também influencia. Recentemente, o capital migrou dentro do setor de commodities. Nesse movimento, o petróleo ganhou espaço, impulsionado por tensões geopolíticas. Enquanto isso, metais industriais perderam atenção no curto prazo.
O que isso significa para quem investe nas ações da Vale
Diante desse cenário, surge uma possível reprecificação. Se a tese se confirmar, a Vale pode negociar entre 5 e 6 vezes EV/Ebitda. Ainda seria abaixo de pares australianos, que operam entre 6 e 7 vezes. Mesmo assim, já indicaria valorização relevante. Para o investidor, isso muda o jogo. Agora, não basta olhar apenas o minério de ferro. É preciso acompanhar a evolução do cobre e do níquel.
Na prática, isso altera a forma de analisar a empresa. A Vale deixa de ser apenas uma mineradora tradicional. Em vez disso, passa a atuar como um player ligado à transição energética. Por fim, o ponto central fica claro. As ações da Vale podem não refletir todo o valor da companhia. E esse reconhecimento depende menos do passado. Depende, sobretudo, da execução da estratégia nos próximos anos.





