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Cartões de criptomoedas ampliam uso de stablecoins e levam dólar digital para compras do dia a dia

O avanço dos cartões de criptomoedas está transformando stablecoins em ferramenta de pagamento cotidiano e aproximando blockchain da economia real. Entenda o que está mudando.
Pessoa realiza pagamento com cartão de criptomoedas em uma máquina de cartão, ilustrando o avanço das stablecoins como meio de pagamento no comércio.
Cartões de criptomoedas ganham espaço em compras do dia a dia e impulsionam o uso de stablecoins fora do mercado de investimentos. (Foto: Ilustrativa)

Os cartões de criptomoedas começam a ocupar um espaço que durante anos pertenceu exclusivamente aos meios tradicionais de pagamento. Impulsionados pelas stablecoins, esses produtos estão levando ativos digitais para compras, assinaturas, viagens e transferências realizadas no dia a dia.

Dados da Binance Research mostram que o volume movimentado por esses cartões alcançou US$ 747 milhões em maio, quase 50% acima do registrado no mesmo mês do ano passado. O avanço ocorre enquanto as stablecoins acumulam valor de mercado próximo de US$ 317 bilhões e consolidam presença crescente fora do universo dos investidores.

A mudança ajuda a explicar por que empresas de pagamentos, fintechs e emissores de cartões passaram a tratar as stablecoins como uma nova camada da infraestrutura financeira global.

Como os cartões de criptomoedas estão mudando o uso das stablecoins

Durante boa parte da história do mercado cripto, stablecoins funcionaram principalmente como ferramenta para negociação de ativos digitais. O principal uso era proteger recursos da volatilidade de moedas como Bitcoin e Ethereum.

Com os cartões de criptomoedas, os saldos mantidos em stablecoins podem ser utilizados em gastos cotidianos, aproximando blockchain da economia real.

Na prática, o recurso permite utilizar dólares digitais em situações como:

  • Compras em lojas físicas;
  • Pagamentos online;
  • Assinaturas de serviços;
  • Reservas de viagens;
  • Transferências internacionais.

A experiência para o usuário se aproxima da de um cartão convencional. A diferença está na origem dos recursos, que permanecem armazenados em redes blockchain como Ethereum, Tron, Solana, Base, BNB Chain e Arbitrum.

O resultado é uma circulação maior desses ativos. Em vez de permanecerem parados em carteiras digitais, passam a ser utilizados como meio de pagamento.

Quando as criptomoedas deixam de ser investimento e viram meio de pagamento

O avanço dos cartões de criptomoedas mostra uma mudança que vai além do mercado de investimentos. Parte dos usuários já utiliza esses produtos para realizar compras, contratar serviços e movimentar recursos sem precisar converter previamente o saldo para uma conta bancária tradicional.

Essa transformação é impulsionada principalmente pelas stablecoins, que mantêm valor atrelado a moedas como o dólar e reduzem a volatilidade normalmente associada aos ativos digitais.

Na prática, os cartões de criptomoedas começam a ser utilizados em situações como:

  • compras online;
  • assinaturas de plataformas digitais;
  • reservas de viagens;
  • pagamentos internacionais;
  • transferências entre usuários.

A mudança ajuda a explicar por que o setor registra crescimento acelerado. Quanto mais os ativos digitais passam a circular na economia real por meio dos cartões de criptomoedas, menor se torna sua dependência do uso exclusivamente especulativo que marcou os primeiros anos do mercado.

Por que Visa e Mastercard estão investindo bilhões no setor

O crescimento dos cartões de criptomoedas ajuda a explicar a corrida das grandes empresas financeiras para ampliar presença no segmento.

Nos últimos anos, Visa e Mastercard passaram a desenvolver soluções voltadas para blockchain, tokenização e liquidação digital.

A estratégia inclui:

  • parcerias com empresas de criptoativos;
  • emissão de cartões ligados a carteiras digitais;
  • integração com stablecoins;
  • aquisições de infraestrutura especializada.

Em março, a Mastercard comprou a BVNK, empresa focada em infraestrutura para stablecoins, por US$ 1,8 bilhão.

O interesse não está apenas nas criptomoedas. O objetivo é participar da infraestrutura que poderá sustentar uma nova geração de pagamentos digitais.

Cartões de criptomoedas avançam além da volatilidade do mercado

A expansão dos cartões de criptomoedas acontece mesmo em momentos de queda das principais moedas digitais. Enquanto Bitcoin e Ethereum seguem sujeitos a oscilações frequentes, os cartões ligados a stablecoins continuam ampliando volume de transações.

A diferença está no tipo de uso. Parte dos usuários não busca exposição ao mercado cripto, mas acesso a um meio de pagamento baseado em ativos digitais com valor mais estável.

Esse movimento ajuda a explicar por que o setor mantém crescimento mesmo quando o interesse por investimentos em criptomoedas perde força. Em maio, as stablecoins alcançaram valor de mercado recorde de US$ 322 bilhões, fortalecendo a base que sustenta a expansão desses cartões.

O que pode acelerar a adoção dos pagamentos em blockchain

O avanço das stablecoins ocorre ao mesmo tempo em que reguladores e empresas ampliam investimentos na infraestrutura do setor.

No Brasil, a Comissão de Valores Mobiliários (CVM) prepara discussões sobre tokenização. Já entidades do mercado financeiro avaliam que o país possui uma das estruturas regulatórias mais desenvolvidas para criptoativos.

Ao mesmo tempo, empresas de pagamentos, fintechs e emissores de cartões ampliam a integração entre blockchain e sistemas financeiros tradicionais.

A combinação entre regulação, infraestrutura e uso comercial ajuda a explicar por que os cartões de criptomoedas começam a ultrapassar o nicho dos investidores. As stablecoins avançam como ferramenta de pagamento e aproximam a tecnologia blockchain das transações realizadas diariamente por empresas e consumidores.

Foto de Moisés Freire Neto

Moisés Freire Neto

Moisés Freire Neto é jornalista formado pela Faculdade Estácio e pela Universidade Estadual do Ceará (UECE), com atuação em economia e negócios. Integra as equipes editoriais do Economic News Brasil e do J1, veículos que compõem o Sistema BNTI de Comunicação. Sua atuação é fundamentada em sólida experiência em jornalismo editorial e comunicação institucional.

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