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Allbirds aposta em IA após colapso bilionário: estratégia pode salvar a empresa?

A Allbirds aposta em IA após abandonar o setor de calçados e perder valor bilionário. A mudança levanta dúvidas sobre viabilidade e mostra os riscos de empresas que tentam migrar para setores em alta como estratégia de sobrevivência.
Allbirds aposta em IA após vender ativos por US$ 39 milhões
Allbirds aposta em IA após vender ativos por US$ 39 milhões. Imagem: Divulgação Allbirds

A Allbirds deixou o mercado de calçados e pivotou para a inteligência artificial, em uma tentativa de se reposicionar após anos de dificuldades para sustentar crescimento e rentabilidade. A mudança marca uma ruptura com o modelo que transformou a empresa em símbolo do Vale do Silício.

A mudança levanta uma dúvida central no mercado: a migração para IA representa uma estratégia viável ou apenas uma tentativa de sobrevivência após anos de dificuldades financeiras?

A mudança expõe um padrão crescente: empresas em declínio tentam migrar para setores em alta, mesmo sem histórico no novo mercado.

A virada vem após a empresa falhar em expandir clientes e gerar lucro, mesmo depois do IPO em 2021.

Fundada em 2015 em São Francisco, na Califórnia, por Tim Brown e Joey Zwillinger, a Allbirds se destacou com tênis de lã Merino e apelo sustentável. A marca ganhou força entre profissionais de tecnologia e chegou a ser usada por Barack Obama e Leonardo DiCaprio.

Com modelo direto ao consumidor, alcançou avaliação de US$ 4 bilhões após o IPO em 2021. Esse contraste reforça a dimensão da virada atual.

Por que a Allbirds aposta em IA após abandonar os tênis

A Allbirds construiu sua marca com um produto específico, os tênis de lã Merino, que se tornaram símbolo do Vale do Silício durante o auge das startups de consumo.

Esse modelo dependia de crescimento acelerado e forte apelo de marca, mas não se sustentou no longo prazo. A empresa enfrentou dificuldade para ampliar mercado, competir com grandes marcas e controlar custos.

Como consequência, o valor da companhia retraiu. A venda dos ativos por US$ 39 milhões, menos de 1% da avaliação anterior, expõe um colapso claro de estratégia.

Ao abandonar o varejo, a Allbirds entra em um setor totalmente diferente, sem histórico técnico e com concorrência dominada por gigantes.

Como funciona a nova estratégia com IA

A empresa será rebatizada como NewBird AI e pretende atuar na área de infraestrutura para inteligência artificial.

O plano envolve a compra de GPUs, chips usados para treinar e rodar modelos de IA.

A tese por trás da mudança é baseada em um problema real: a demanda por capacidade computacional cresce rapidamente e há escassez global de infraestrutura.

Com isso, a Allbirds tenta ocupar parte dessa lacuna, oferecendo suporte para desenvolvedores e empresas que precisam de processamento de alto desempenho.

O tamanho do desafio no mercado de inteligência artificial

O desafio é desproporcional ao tamanho da empresa. O investimento de US$ 50 milhões é pequeno em um mercado onde gigantes da tecnologia investem bilhões todos os anos.

Além disso, a empresa não possui histórico em tecnologia, hardware ou operação de infraestrutura digital, o que aumenta o risco de execução.

Outro obstáculo é o tempo. Entrar nesse mercado exige escala, contratos e capacidade técnica que levam anos para se consolidar.

Nesse cenário, a Allbirds aposta em IA sem vantagem competitiva clara, o que limita suas chances de sucesso.

Pivotar para IA pode salvar a empresa?

A decisão reflete um movimento crescente: empresas em dificuldade tentam migrar para setores em alta.

Esse tipo de pivô só funciona quando há conexão com o negócio original. Não é o caso da Allbirds.

Sem expertise técnica, base de clientes relevante no setor ou estrutura consolidada, a mudança se aproxima mais de uma tentativa de reinvenção do que de uma estratégia sólida.

Para investidores, o caso funciona como alerta. Nem toda empresa consegue se reposicionar com sucesso, mesmo diante de uma oportunidade clara como a inteligência artificial.

O que o caso revela sobre o mercado atual

A decisão da Allbirds evidencia duas forças no mercado global.

De um lado, o fim do ciclo de startups de consumo que cresceram sem lucro sustentável. De outro, a aceleração da inteligência artificial como prioridade de investimento.

O caso mostra que o capital está migrando rapidamente para onde há expectativa de crescimento, mesmo que isso envolva mudanças radicais de estratégia.

Entrar nesse mercado exige escala e execução que a empresa ainda não demonstrou.

No fim, a Allbirds aposta em IA como tentativa de sobrevivência. O sucesso dependerá da capacidade de competir em um setor dominado por grandes players e com barreiras de entrada elevadas.

Foto de Flávia Lifonsino

Flávia Lifonsino

Flávia Lifonsino é jornalista formada pela Universidade Federal de São João del-Rei (UFSJ). Integra a equipe do Economic News Brasil, com atuação na produção jornalística e em conteúdos analíticos sobre negócios, investimentos e tecnologia aplicada às empresas, além de experiência em coberturas digitais e projetos editoriais.

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