Frango premium ganha espaço e muda consumo no Brasil

A indústria tenta transformar o consumo de frango no Brasil com produtos mais práticos e de maior valor. A estratégia eleva preços e muda a forma de compra no supermercado.
Produtos de frango empanado da Seara com embalagens variadas exibidos ao lado de porções prontas representando preço do frango no brasil
Seara amplia portfólio de frango com produtos prontos e aposta em versões de maior valor agregado (Foto: Divulgação/Seara)

O preço do frango no Brasil começa a subir por um motivo que vai além dos custos. A proteína mais consumida do país passa por uma mudança silenciosa: produtos mais práticos e mais caros ganham espaço nas prateleiras, elevando o valor médio gasto no supermercado. A Seara, marca da JBS, está entre as empresas que puxam esse movimento com novos cortes, embalagens e alimentos prontos.

Essa mudança não acontece por causa do frango em si. Ela nasce fora dele. Menos tempo para cozinhar, maior uso de air fryer e a busca por refeições rápidas alteraram a forma como o consumidor decide o que levar para casa. A indústria passou a adaptar o produto a esse novo comportamento — e encontrou espaço para cobrar mais.

O que mudou na forma de comprar frango no Brasil

Durante anos, a escolha do frango no Brasil no supermercado seguia uma lógica simples: comparar preço por quilo. O consumidor levava o mais barato, geralmente congelado e inteiro ou em cortes básicos.

Esse padrão começa a perder força. Em vez de apenas comparar preço, o consumidor passou a escolher entre diferentes níveis de preparo. Filé temperado, cortes porcionados e produtos prontos entram como alternativas ao frango tradicional, espelhando o que já acontece com a carne bovina.

Na prática, a decisão deixa de ser apenas financeira e passa a envolver tempo e conveniência. Isso reduz a comparação direta entre produtos e abre espaço para versões mais caras.

Como a indústria está elevando o preço do frango

A resposta das empresas foi ampliar o número de opções. A Seara, por exemplo, chegou a 315 produtos de aves, com 79 lançados nos últimos cinco anos, além de um investimento de R$ 1 bilhão para liderar segmento de empanados. O objetivo não é apenas inovar, mas criar novas situações de consumo.

Um frango inteiro congelado disputa preço. Já um corte temperado para preparo rápido disputa praticidade. Essa diferença muda a lógica de venda.

Ou seja, quanto mais específico o produto, menor a comparação direta com alternativas mais baratas. Isso, portanto, permite aumentar o preço do frango sem depender apenas do volume oferecido no Brasil.

Por que o frango resfriado está ficando mais caro

Dentro dessa estratégia, o frango resfriado ganha espaço. Ele elimina a necessidade de descongelamento e pode ser usado imediatamente, o que se encaixa melhor na rotina de quem tem pouco tempo.

Hoje, os congelados ainda representam 55% das vendas, enquanto os resfriados ficam com 45%. Mesmo assim, a indústria aposta na migração gradual para esse tipo de produto.

O preço acompanha essa mudança. O frango resfriado custa entre 10% e 15% mais que o congelado — não pelo alimento em si, mas pela facilidade de uso.

A embalagem passou a influenciar o preço do frango no Brasil

A forma de apresentar o produto passou a influenciar diretamente a decisão de compra. Novas embalagens com tecnologia que reduz oxigênio e umidade aumentam o tempo de conservação e melhoram a aparência do alimento.

Isso resolve um problema antigo do consumidor, que associava o frango ao excesso de líquido e à necessidade de cuidado no transporte.

Com melhor apresentação, o produto ganha percepção de qualidade. Esse fator ajuda a sustentar preços mais altos no supermercado.

O avanço do frango pronto aumenta o gasto

Outra mudança relevante está no crescimento da carne de frango pronta para consumo. A Seara ampliou a distribuição para rotisserias em supermercados e lojas de rua, com grande volume mensal.

Esse modelo atende consumidores que não querem mais preparar o alimento em casa, especialmente durante a semana.

Nesse formato, o frango deixa de ser matéria-prima e passa a disputar espaço com refeições prontas — onde o valor agregado é maior e o preço final também.

Uma mudança que vai além da indústria

Tal movimento para aumentar os preços de produtos no Brasil, como o frango, não se limita apenas à Seara. Outras empresas seguem a mesma direção, o que indica uma transformação mais ampla no mercado.

O frango continua sendo a proteína mais consumida do país. A diferença é que ele passa a ocupar diferentes posições na dieta, desde a opção básica até a alternativa de maior valor.

O que mudou, portanto, não foi o produto, mas sim a forma de vender. E isso, entre outras coisas, redefine como o preço, a conveniência e a escolha pesam no bolso do consumidor.

Foto de Moisés Freire Neto

Moisés Freire Neto

Moisés Freire Neto é jornalista formado pela Faculdade Estácio e pela Universidade Estadual do Ceará (UECE), com atuação em economia e negócios. Integra as equipes editoriais do Economic News Brasil e do J1, veículos que compõem o Sistema BNTI de Comunicação. Sua atuação é fundamentada em sólida experiência em jornalismo editorial e comunicação institucional.

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