O G7 reúne algumas das economias mais poderosas do mundo e voltou ao centro da política global após a escalada da guerra no Oriente Médio, a pressão sobre energia e o avanço da inteligência artificial. Nesta semana, o Brasil participa das reuniões em Paris com o ministro da Fazenda, Dario Durigan.
Embora o Brasil não faça parte oficialmente do grupo, a presença brasileira ganhou relevância porque o país passou a ocupar espaço estratégico em debates sobre minerais críticos, transição energética, commodities e investimentos internacionais.
As reuniões também acontecem num momento em que governos tentam reorganizar cadeias globais de energia, tecnologia e segurança econômica diante do aumento das tensões geopolíticas.
O que é G7 e quais países fazem parte do grupo
O Grupo dos Sete, conhecido como G7, reúne países considerados centrais para a economia e a política internacional. O fórum funciona como espaço de coordenação sobre crises globais, energia, comércio, guerras e segurança internacional.
O grupo é formado por:
- Estados Unidos
- Canadá
- Reino Unido
- França
- Alemanha
- Itália
- Japão
A União Europeia também participa das reuniões como membro não numerado desde 1977.
O G7 surgiu nos anos 1970 durante crises do petróleo e desaceleração econômica mundial. Desde então, passou a discutir temas ligados à economia global, inflação, mudanças climáticas, tecnologia e inteligência artificial.
As decisões debatidas no grupo possuem repercussão internacional porque os integrantes concentram parte relevante do Produto Interno Bruto global e exercem influência sobre investimentos, comércio e políticas econômicas.
O Brasil faz parte do G7?
O Brasil não integra oficialmente o G7, mas costuma participar de agendas paralelas e reuniões ampliadas quando temas estratégicos envolvem países emergentes ou parceiros comerciais relevantes.
A participação brasileira ganhou peso nos últimos anos por causa da importância do país em setores ligados a:
- energia
- commodities
- minerais críticos
- agricultura
- transição energética
A presença de Dario Durigan em Paris acontece justamente durante uma fase de maior disputa global por cadeias de tecnologia, energia e matérias-primas estratégicas.
O ministro também tenta ampliar o interesse internacional por investimentos no Brasil em meio à turbulência provocada pela guerra no Oriente Médio.
Durante compromissos no G7, Dario Durigan afirmou que os ativos brasileiros continuam baratos e classificou o Brasil como um possível “porto seguro” entre mercados emergentes.
O discurso ganhou relevância porque o país reúne dois fatores que passaram a atrair investidores internacionais:
- juros elevados
- posição relevante na exportação de commodities
Atualmente, a Selic está em 14,5% ao ano, uma das maiores taxas reais de juros do mundo.
O que um ministro do Brasil foi fazer nas reuniões do G7 em Paris
A agenda do ministro da Fazenda inclui reuniões sobre economia global, inteligência artificial, energia e cooperação internacional.
Nesta segunda-feira, Dario Durigan participa de uma mesa-redonda promovida pelo Le Grand Continent e de encontros com representantes do jornal francês Le Monde. O dia termina com jantar ministerial ligado ao G7.
Na terça-feira, o ministro acompanha a Reunião de Ministros de Finanças e Presidentes de Bancos Centrais do grupo.
A programação ainda inclui encontros bilaterais com:
- Anne Le Hénanff, ministra-delegada para Inteligência Artificial da França
- Satsuki Katayama, ministra das Finanças do Japão
- Fatih Birol, diretor executivo da Agência Internacional de Energia (IEA)
As reuniões envolvem temas como:
- segurança energética
- inteligência artificial
- transição para economia de baixo carbono
- cooperação econômica internacional
A participação brasileira ocorre num momento em que países desenvolvidos tentam reduzir dependência da China em cadeias estratégicas ligadas a tecnologia e energia.
Minerais críticos colocam o Brasil no radar das potências globais
Um dos principais temas da agenda brasileira em G7 envolve os chamados minerais críticos.
Esses minerais são usados na fabricação de:
- chips
- baterias
- carros elétricos
- turbinas eólicas
- painéis solares
- equipamentos militares
O governo brasileiro tenta aproveitar o avanço global da inteligência artificial e da transição energética para transformar o país em fornecedor estratégico dessa cadeia industrial.
Durante a viagem, Dario Durigan citou a aprovação, pela Câmara dos Deputados, do projeto que cria a Política Nacional de Minerais Críticos.
A proposta busca ampliar segurança jurídica e acelerar investimentos no setor mineral brasileiro. O governo também tenta reduzir a dependência histórica da exportação de matérias-primas sem processamento industrial.
A corrida global por minerais críticos ganhou dimensão geopolítica porque Estados Unidos, Europa e Japão buscam diversificar fornecedores fora da China, hoje dominante em várias etapas dessa cadeia produtiva.
Esse cenário ajuda a explicar por que o debate sobre o que é G7 voltou ao centro das discussões internacionais e por que o Brasil passou a aparecer nas reuniões envolvendo energia, tecnologia e segurança econômica global.



