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Moedas de países emergentes desafiam o G7

Moedas de países emergentes acumulam quase 200 dias de menor volatilidade que o G7, impulsionadas por carry trade, dólar fraco e fluxo recorde de capital global.
Moedas de países emergentes apresentam menor volatilidade que G7
Índices apontam sequência histórica de menor oscilação das moedas de países emergentes frente ao G7. Imagem: Canva

As moedas de países emergentes registram quase 200 dias consecutivos de menor volatilidade que as divisas do G7, segundo índices do JPMorgan. O período já é o mais longo desde 2008 e, se superar 208 dias, será o recorde desde 2000.

Tradicionalmente vistas como mais arriscadas, essas moedas agora oscilam menos que dólar, euro ou iene. A inversão ocorre em um momento de dólar mais fraco e expectativa de flexibilização gradual da política monetária do Federal Reserve (Fed).

Moedas de países emergentes e o efeito do carry trade

A estabilidade das moedas de países emergentes encontra respaldo no avanço do carry trade. A estratégia consiste em captar recursos em moedas de baixo rendimento e aplicar em ativos com juros mais altos.

As moedas de mercados emergentes continuam sendo uma opção de carry trade, o que, mantém fluxo constante para ativos locais.

Além disso, os dados reforçam a tese. Um índice da Bloomberg com oito divisas emergentes sobe cerca de 2,8% neste ano, após alta de 17,5% no ano anterior, o melhor desempenho desde 2009. Os fluxos de capital também avançam no ritmo mais acelerado para o período desde 2019.

Volatilidade cambial nos desenvolvidos

Enquanto isso, a volatilidade cambial nas economias avançadas cresce. O dólar apresentou aumento na volatilidade implícita após ameaças tarifárias do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, direcionadas à Europa.

No Japão, o iene enfrenta pressão diante de dúvidas sobre o quadro fiscal e possibilidade de intervenção cambial. Analistas alertam que um eventual desmonte do carry trade com ienes pode ampliar oscilações.

Moedas de países emergentes no radar global

Investidores também reavaliam riscos estruturais nas economias desenvolvidas. Questionamentos sobre o chamado excepcionalismo americano e a trajetória fiscal dos EUA levam parte do capital a buscar alternativas.

Nesse contexto, as moedas de países emergentes combinam fundamentos macroeconômicos mais equilibrados, crescimento econômico relativo superior e ambiente global de juros menos pressionado. A continuidade desse ciclo dependerá da trajetória do Fed, do comportamento do dólar e da manutenção dos fluxos internacionais. Por ora, as moedas de países emergentes consolidam uma rara fase de estabilidade frente ao G7.

Foto de Flávia Lifonsino

Flávia Lifonsino

Flávia Lifonsino é jornalista formada pela Universidade Federal de São João del-Rei (UFSJ). Integra a equipe do Economic News Brasil, com atuação na produção jornalística e em conteúdos analíticos sobre negócios, investimentos e tecnologia aplicada às empresas, além de experiência em coberturas digitais e projetos editoriais.

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