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Queda do Bitcoin abaixo de US$ 70 mil expõe saída recorde dos ETFs e aumenta risco de nova correção

A queda do Bitcoin abaixo de US$ 70 mil ocorre em meio à maior sequência de saídas dos ETFs americanos desde seu lançamento. Analistas veem enfraquecimento da demanda institucional e risco de novas correções.
Moedas de Bitcoin diante de painel financeiro com gráfico em forte queda do bitcoin, refletindo a correção recente da criptomoeda e a saída de recursos do mercado
Saídas bilionárias dos ETFs e menor demanda institucional ampliam a pressão sobre o Bitcoin abaixo dos US$ 70 mil. (Foto: Ilustrativa)

A queda do Bitcoin devolveu a criptomoeda para abaixo de US$ 70 mil no início de junho e ampliou as perdas acumuladas em 2026. Negociado perto de US$ 67,7 mil nesta terça-feira (02/06), o ativo atingiu o menor nível desde abril e passou a acumular recuo de cerca de 22% no ano.

O movimento acontece em um momento de enfraquecimento de uma das principais fontes de demanda do mercado. Após impulsionarem a valorização recente da criptomoeda, os ETFs americanos de Bitcoin passaram a registrar retiradas bilionárias de recursos, reduzindo o fluxo de capital que ajudava a sustentar os preços.

Nesse ambiente mais sensível, a venda de 32 Bitcoins pela Strategy. Analistas avaliam que a operação teve impacto econômico irrelevante. Porém, ajudou a expor dúvidas que já começavam a surgir sobre a força da demanda que sustentou a alta do Bitcoin nos últimos anos.

O comprador que ajudava a sustentar a alta começou a recuar

Esse cenário começou a mudar em maio. A atual queda do Bitcoin coincide com uma sequência de cerca de US$ 3,45 bi, em saídas líquidas dos ETFs, ao longo de 11 pregões consecutivos. Segundo estimativas citadas pelo JPMorgan, trata-se da pior sequência desde a criação desses fundos.

O dado preocupa menos pelo volume financeiro e mais pelo sinal que transmite. Desde 2024, os ETFs funcionavam como uma fonte constante de demanda para o Bitcoin. Quando esse fluxo enfraquece, a queda do Bitcoin deixa de ser apenas uma oscilação de mercado. E passa, portanto, a refletir a perda de uma das forças que sustentavam a valorização da criptomoeda.

A preocupação aumenta porque a retirada de recursos se concentrou justamente nos maiores fundos do setor. O que inclui o IBIT, da BlackRock, hoje uma das principais portas de entrada do capital institucional no mercado de criptomoedas.

Por que uma venda pequena teve repercussão tão grande

Foi nesse ambiente mais sensível que ganhou repercussão a venda de 32 Bitcoins realizada pela Strategy. A companhia vendeu os ativos para atender obrigações ligadas a uma emissão de ações preferenciais.

Em termos financeiros, porém, o impacto foi mínimo. A empresa continua controlando mais de 843 mil Bitcoins e a operação representou apenas uma fração desse volume. Mesmo assim, a notícia repercutiu porque atingiu um mercado que já estava fragilizado pela queda do Bitcoin e pela redução do fluxo de recursos para os ETFs.

Quando a confiança está elevada, operações desse tamanho costumam passar despercebidas. No entanto, quando surgem dúvidas sobre a força da demanda, qualquer sinal vindo de grandes detentores ganha peso maior.

A Strategy é liderada por Michael Saylor, empresário que se tornou conhecido no mercado de cripto ao transformar a compra de Bitcoin em estratégia da companhia. Por isso, qualquer movimentação envolvendo a empresa tende a receber atenção desproporcional dos investidores.

O que pode definir os próximos passos após queda do Bitcoin

A pressão sobre o mercado não vem apenas dos ETFs. O cenário internacional também ficou mais desafiador nas últimas semanas.

O avanço das tensões no Oriente Médio elevou os preços do petróleo e aumentou as apostas de que os juros americanos poderão permanecer elevados por mais tempo. Esse ambiente costuma reduzir o interesse por ativos considerados mais arriscados, incluindo criptomoedas.

A atenção do mercado agora se concentra na faixa entre US$ 65 mil e US$ 68 mil. Tal faixa é apontada por consultorias especializadas como uma das próximas regiões importantes de suporte. Uma nova onda de saídas dos ETFs ou um agravamento do cenário geopolítico, contudo, poderia aumentar a pressão sobre os preços.

Mais do que observar um número específico, investidores acompanham uma questão central: se os grandes compradores que impulsionaram a valorização dos últimos anos voltarão a aumentar posições. A queda do Bitcoin colocou essa dúvida no centro do mercado e transformou os próximos movimentos dos ETFs em um dos principais indicadores para o restante de 2026.

Foto de Moisés Freire Neto

Moisés Freire Neto

Moisés Freire Neto é jornalista formado pela Faculdade Estácio e pela Universidade Estadual do Ceará (UECE), com atuação em economia e negócios. Integra as equipes editoriais do Economic News Brasil e do J1, veículos que compõem o Sistema BNTI de Comunicação. Sua atuação é fundamentada em sólida experiência em jornalismo editorial e comunicação institucional.

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