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Produção de gás natural no Brasil bate recorde, mas maioria do volume ainda não chega ao mercado

A produção de gás natural no Brasil atingiu recorde em abril, impulsionada pelo pré-sal. Apesar do avanço, a maior parte do volume produzido continuou sendo reinjetada nos reservatórios, limitando a oferta disponível ao mercado.
Instalação de gás natural com tubulações industriais e equipamentos de processamento em unidade do setor energético.
Recorde na produção de gás natural expõe desafio de ampliar a oferta disponível ao mercado brasileiro. (Foto: Agência Brasil)

A produção de gás natural no Brasil alcançou um novo recorde em abril, acompanhando o avanço histórico da produção de petróleo e consolidando mais um mês de crescimento impulsionado pelo pré-sal. O volume produzido chegou a 206,70 milhões de metros cúbicos por dia, alta de 23% em relação ao mesmo período do ano anterior.

O resultado reforça a expansão da indústria petrolífera brasileira. No entanto, os números revelam uma contradição relevante: embora o país extraia volumes cada vez maiores de gás natural, apenas uma parcela limitada chega efetivamente ao mercado.

As empresas disponibilizaram apenas 63,54 milhões de m³/d para comercialização dos 206,70 milhões de m³/d produzidos, enquanto reinjetaram 119,29 milhões de m³/d nos reservatórios.

O dado ajuda a explicar por que o crescimento da produção nem sempre se traduz em aumento proporcional da oferta energética para indústrias, termelétricas e distribuidoras.

Por que a produção recorde não significa mais gás disponível

A diferença entre produção e oferta ocorre porque grande parte do gás extraído no pré-sal é associada à produção de petróleo. Em muitos campos, o gás surge junto com o óleo e nem sempre possui infraestrutura suficiente para escoamento e processamento.

Nesse cenário, as operadoras utilizam a reinjeção como estratégia operacional.

Ao devolver o gás aos reservatórios, as empresas mantêm a pressão dos campos e aumentam a eficiência da extração de petróleo, produto que geralmente possui maior valor econômico.

O resultado aparece nos números de abril:

  • Produção total de gás: 206,70 milhões de m³/d
  • Gás disponibilizado ao mercado: 63,54 milhões de m³/d
  • Gás reinjetado: 119,29 milhões de m³/d
  • Consumo nas plataformas: 19,35 milhões de m³/d
  • Queima operacional: 4,52 milhões de m³/d

Na prática, o volume reinjetado foi quase o dobro daquele efetivamente colocado à disposição do mercado.

Pré-sal amplia produção e reforça o paradoxo energético

O avanço do pré-sal continua sendo o principal motor do crescimento da indústria brasileira de óleo e gás.

A produção nacional de petróleo atingiu 4,34 milhões de barris por dia em abril, novo recorde histórico. O pré-sal respondeu sozinho por 3,57 milhões de barris diários, mais de 80% de toda a produção nacional.

Esse crescimento beneficia diretamente a produção de gás natural, já que grande parte do combustível é extraída junto ao petróleo.

Ao mesmo tempo, o próprio modelo produtivo do pré-sal contribui para elevar a reinjeção.

Dados do setor mostram que essa prática se intensificou nos últimos anos e permanece acima da metade da produção em diversos períodos, fenômeno associado à expansão dos grandes campos marítimos brasileiros.

O resultado é um paradoxo crescente: o Brasil amplia sua capacidade de produção energética, mas ainda encontra dificuldades para transformar parte desse volume em oferta efetiva de gás.

O que o recorde revela sobre os desafios do setor

O desempenho de abril confirma que o país segue avançando como uma das principais fronteiras globais de produção de petróleo.

A Petrobras liderou a produção nacional com 2,62 milhões de barris por dia, seguida pela Shell, com 450,9 mil barris diários, e pela TotalEnergies, com 220,6 mil barris por dia.

Enquanto isso, a produção total de petróleo e gás atingiu 5,64 milhões de barris de óleo equivalente por dia, também um recorde histórico. O desafio, no entanto, passa a ser outro.

Mais do que aumentar a extração, o setor precisa ampliar a capacidade de escoamento, processamento e comercialização do gás produzido. Sem essa expansão, o crescimento da produção de gás natural no Brasil continuará mantendo distante do mercado uma parcela significativa da energia extraída dos reservatórios brasileiros.

Foto de Moisés Freire Neto

Moisés Freire Neto

Moisés Freire Neto é jornalista formado pela Faculdade Estácio e pela Universidade Estadual do Ceará (UECE), com atuação em economia e negócios. Integra as equipes editoriais do Economic News Brasil e do J1, veículos que compõem o Sistema BNTI de Comunicação. Sua atuação é fundamentada em sólida experiência em jornalismo editorial e comunicação institucional.

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