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Melhores empresas para trabalhar no Brasil: confira ranking do varejo

Empresas do varejo reconhecidas pelo GPTW cresceram 16% em faturamento em 2025. O avanço mostra como retenção, liderança e ambiente de trabalho passaram a impactar diretamente lucro e produtividade.
Imagem de uma loja do Magazine Luiza no Recife para ilustrar uma matéria jornalística sobre as Melhoras empresas para trabalhar no Brasil
Melhores empresas para trabalho no varejo crescem acima do PIB. (Imagem: divulgação/Shopping RioMar Recife)

As melhores empresas para trabalhar no varejo começaram a transformar a gestão de pessoas em vantagem financeira concreta no Brasil. Levantamento do Great Place To Work (GPTW) mostra que as companhias reconhecidas no ranking cresceram, em média, 16% em faturamento em 2025, desempenho quase cinco vezes superior ao avanço de 3,4% do PIB brasileiro.

O resultado reforça uma mudança estrutural no setor. Historicamente marcado por alta rotatividade, pressão operacional e disputa intensa por mão de obra, o varejo passou a enxergar retenção, liderança e ambiente organizacional como fatores diretamente ligados ao crescimento da receita.

A mudança ganhou relevância porque o varejo enfrenta um ambiente mais pressionado. Custos operacionais elevados, margens apertadas, avanço do e-commerce e consumidores mais sensíveis a preço aumentaram a necessidade de produtividade e eficiência nas operações.

Ambiente de trabalho vira vantagem financeira no varejo

A 12ª edição do ranking do GPTW analisou 294 empresas e impactou mais de 555 mil colaboradores em todo o país. Ao final, 60 companhias foram reconhecidas por práticas consistentes de gestão de pessoas.

Entre as empresas presentes no ranking aparecem:

  • Magazine Luiza
  • Assaí Atacadista
  • Grupo Casas Bahia
  • GPA
  • Arcos Dourados/McDonald’s
  • C&A
  • Pague Menos
  • Gazin

O levantamento mostra que o clima organizacional deixou de funcionar apenas como estratégia de reputação corporativa. O investimento passou a impactar a produtividade, estabilidade operacional e crescimento de faturamento em um dos setores mais competitivos da economia brasileira.

O movimento também evidencia uma mudança relevante no varejo. Empresas começaram a perceber que alta rotatividade gera custos invisíveis capazes de pressionar margens e reduzir eficiência operacional.

Rotatividade elevada ainda pesa no caixa das varejistas

Apesar do crescimento financeiro das empresas premiadas, o estudo mostra que o varejo ainda enfrenta dificuldades históricas para reter trabalhadores.

Quase metade dos colaboradores das empresas reconhecidas, equivalente a 49%, possui até dois anos de casa. O percentual avançou cinco pontos em relação a 2024.

Os dados do levantamento mostram:

  • 24% permanecem entre dois e cinco anos
  • Apenas 3% têm mais de 16 anos na empresa
  • Profissionais até 25 anos representam 30% da força de trabalho
  • Funcionários entre 26 e 34 anos caíram para 29%

A rotatividade elevada cria um custo operacional permanente para as empresas. O setor precisa manter treinamento contínuo, adaptação acelerada e reposição constante de mão de obra, cenário que reduz produtividade e amplia desgaste interno.

Ao mesmo tempo, cresce a participação de profissionais mais experientes. O grupo entre 45 e 54 anos passou a representar 12% dos colaboradores, enquanto trabalhadores acima de 55 anos também ampliaram presença.

O movimento sugere um varejo mais aberto à diversidade geracional num momento em que empresas buscam estabilidade operacional e redução de perdas ligadas à troca frequente de funcionários.

Mulheres avançam nos cargos de liderança do varejo

O levantamento do GPTW também mostra avanço feminino nas empresas reconhecidas pelo ranking.

Hoje, as mulheres representam 53% dos quadros funcionais das companhias premiadas, colocando o varejo entre os segmentos com maior presença feminina no mercado de trabalho brasileiro.

O crescimento aparece principalmente nos cargos de gestão:

  • Participação feminina na alta liderança subiu de 23% para 28% desde 2023
  • Média liderança chegou a 43%
  • Demais posições de gestão alcançaram 49%

Os números mostram uma mudança gradual no perfil da liderança do varejo brasileiro. O avanço ocorre justamente num setor tradicionalmente pressionado por metas agressivas, jornadas intensas e elevada rotatividade.

Mesmo assim, os cargos mais estratégicos seguem concentrados. A distância entre presença feminina operacional e participação nas posições de comando mais elevadas ainda permanece relevante.

Salário e estabilidade mudam o comportamento do trabalhador

O estudo mostra outra mudança importante dentro das melhores empresas para trabalhar no varejo.

Crescimento profissional continua sendo o principal fator de permanência nas empresas, citado por 36% dos colaboradores. Ainda assim, o índice perdeu força em relação ao ano anterior.

Em contrapartida, ganharam relevância:

  • remuneração
  • estabilidade
  • qualidade de vida
  • equilíbrio da rotina profissional

A mudança indica um trabalhador mais pragmático após anos de inflação elevada, perda de poder de compra e pressão financeira sobre as famílias brasileiras.

O levantamento também mostra avanço desigual da inovação dentro do setor. Hoje, 42% das empresas premiadas operam em estágio funcional de inovação.

Apesar disso, 44% ainda permanecem em estágio de atrito, indicando dificuldade para consolidar adaptação tecnológica e transformação cultural nas operações.

O desempenho das melhores empresas para trabalhar no varejo mostra que a gestão de pessoas deixou de ser apenas uma pauta de recursos humanos. Num ambiente de forte competição e pressão operacional, retenção, liderança e ambiente organizacional passaram a funcionar como vantagem financeira concreta para o crescimento das varejistas no Brasil.

Foto de Marconi Bernardino

Marconi Bernardino

Marconi Bernardino é jornalista formado pela Unifavip Wyden, em Caruaru (PE). Integra a equipe do Economic News Brasil, com atuação na produção de conteúdos analíticos sobre negócios, mercado financeiro e fortunas, além de experiência em jornalismo para televisão e rádio.

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