Anúncio SST SESI

Hong Kong supera Suíça e assume liderança das grandes fortunas

Hong Kong assumiu a liderança mundial na gestão de grandes fortunas e ampliou a migração do capital global para a Ásia, reduzindo a influência histórica da Suíça no private banking internacional.
Imagem da bandeira da Suíça para ilustrar uma matéria jornalística sobre a migração das Fortunas da Suíça para Hong Kong.
Hong Kong supera Suíça e muda eixo global das fortunas. (Leo Visions/Unsplash)

Durante décadas, a Suíça dominou o mercado global de grandes fortunas. Bancos de Zurique e Genebra administravam patrimônio bilionário de famílias, empresários e investidores sob uma combinação de estabilidade política, discrição financeira e tradição centenária no private banking.

Esse domínio começou a mudar de forma acelerada. Hong Kong ultrapassou a Suíça na gestão de riqueza privada e assumiu a liderança do principal hub global de fortunas, consolidando uma mudança histórica no eixo financeiro mundial.

A transformação vai além de rankings financeiros. O dinheiro novo do planeta está sendo criado na Ásia, especialmente em tecnologia, inteligência artificial, indústria avançada e comércio internacional. O centro do capital global começou a migrar para o leste.

O impacto já alcança mercados emergentes como o Brasil. A mudança altera fluxos internacionais de investimentos, reduz a influência europeia sobre ativos globais e amplia o peso de gestoras asiáticas no mercado financeiro internacional.

Hong Kong supera Suíça em fortunas e assume liderança global

Dados da Henley & Partners e da consultoria New World Wealth mostram que Hong Kong passou a administrar cerca de US$ 2,7 trilhões em fortunas, acima dos US$ 2,5 trilhões da Suíça.

A diferença ainda é relativamente pequena, mas a velocidade do crescimento expõe uma tendência estrutural difícil de reverter. Nos últimos três anos, Hong Kong avançou 34% em ativos sob gestão, enquanto a Suíça cresceu apenas 8%.

A expansão asiática também aparece no número de ultra-ricos residentes na região:

  • Hong Kong registrou alta de 19% em indivíduos com patrimônio acima de US$ 30 milhões desde 2022;
  • Singapura cresceu 28% no mesmo período;
  • centros europeus perderam participação relativa no mercado global de wealth management.

O Financial Times destacou que Hong Kong passou a concentrar parcela crescente da riqueza offshore mundial, ampliando sua vantagem competitiva sobre os tradicionais centros europeus.

O fim do sigilo bancário reduziu a vantagem da Suíça

A liderança suíça foi construída durante décadas sobre um modelo baseado em privacidade financeira e segurança patrimonial. Esse diferencial começou a perder força após a adesão do país ao Common Reporting Standard (CRS), sistema da OCDE que criou troca automática de informações fiscais entre governos.

O ambiente regulatório mais rígido reduziu parte da atratividade histórica dos bancos suíços para fortunas internacionais.

Hong Kong avançou no sentido oposto. O território asiático manteve um ambiente tributário extremamente competitivo:

  • ausência de imposto sobre ganho de capital;
  • inexistência de imposto sobre herança;
  • isenção tributária sobre dividendos;
  • imposto de renda máximo de 15%.

Ao mesmo tempo, a pressão internacional sobre paraísos fiscais europeus aumentou após investigações sobre evasão tributária e lavagem de dinheiro envolvendo bancos tradicionais.

Outro ponto relevante foi o colapso do Credit Suisse em 2023. A crise abalou a imagem histórica de segurança absoluta do sistema bancário suíço e acelerou a percepção de mudança no mercado global de private banking.

A Ásia virou o centro da nova geração de bilionários

O avanço de Hong Kong reflete uma transformação econômica mais profunda. A maior parte das novas fortunas globais passou a surgir na Ásia, impulsionada por tecnologia, manufatura avançada, inteligência artificial e exportações industriais.

O dinheiro novo começou a permanecer dentro da própria região.

Hong Kong aproveitou esse movimento para ampliar agressivamente sua infraestrutura de family offices e gestão patrimonial. O governo criou incentivos fiscais específicos para atrair famílias bilionárias e estruturas internacionais de investimento.

Mais de 400 family offices foram abertos na cidade entre 2024 e o primeiro semestre de 2025.

O movimento também ganhou força após o aumento das tensões comerciais entre China e Estados Unidos. Para empresários chineses, Hong Kong funciona como uma ponte entre o sistema financeiro internacional e o mercado continental chinês.

Bancos globais passaram a reforçar operações asiáticas diante da concentração crescente de riqueza na região. O HSBC, por exemplo, ampliou receitas em gestão patrimonial impulsionado pelo crescimento do mercado asiático.

O impacto da mudança para investimentos no Brasil

A migração do capital global para a Ásia não é apenas simbólica. Ela altera a dinâmica de investimentos internacionais e pode mudar parte dos fluxos financeiros destinados a mercados emergentes como o Brasil.

Historicamente, bancos e gestoras suíças mantinham presença relevante em títulos, ações e crédito privado latino-americano. Com o crescimento de Hong Kong e Singapura, o capital global tende a seguir prioridades regionais diferentes.

Dados do Banco Central mostram que investimentos de portfólio originados da Suíça no Brasil somavam cerca de R$ 47 bilhões no fim de 2024.

A redistribuição geográfica da riqueza pode afetar:

  • demanda internacional por ativos brasileiros;
  • exposição estrangeira à Bolsa;
  • fluxo de crédito privado;
  • estratégias globais de diversificação.

Gestoras asiáticas costumam manter participação menor em ativos latino-americanos em comparação com investidores europeus tradicionais. Isso pode alterar gradualmente a composição do capital estrangeiro presente no Brasil.

Suíça continua poderosa, mas perdeu o monopólio das fortunas no mundo

A ascensão de Hong Kong não elimina a relevância financeira suíça. A Suíça ainda possui vantagens estruturais importantes:

  • estabilidade política;
  • moeda forte;
  • tradição centenária em private banking;
  • bancos globais como UBS e Julius Baer.

O que mudou foi a direção do crescimento da riqueza mundial.

As grandes fortunas criadas atualmente estão concentradas na Ásia, especialmente entre empresários ligados à tecnologia, indústria avançada, inteligência artificial e comércio internacional.

Hong Kong supera Suíça em fortunas porque o eixo econômico do planeta também mudou. A Ásia já havia se consolidado como centro global de produção e comércio. Agora começa a assumir também o comando do capital mundial.

Foto de Marconi Bernardino

Marconi Bernardino

Marconi Bernardino é jornalista formado pela Unifavip Wyden, em Caruaru (PE). Integra a equipe do Economic News Brasil, com atuação na produção de conteúdos analíticos sobre negócios, mercado financeiro e fortunas, além de experiência em jornalismo para televisão e rádio.

Mais lidas

Últimas notícias

Entrar no canal Canal do Economic News Brasil no WhatsApp