O mercado de hambúrgueres no Brasil passou por uma mudança que vai além do aumento do consumo. O setor virou uma disputa estratégica por margem, premiumização e novos hábitos alimentares, cenário que consolidou a liderança da JBS com Seara e Friboi.
A companhia alcançou 45,6% de participação na categoria, segundo a Nielsen Retail Index, num momento em que frigoríficos e varejistas tentam transformar o hambúrguer em um produto de maior valor agregado dentro dos supermercados.
O movimento revela uma mudança importante no comportamento do consumidor brasileiro. O hambúrguer deixou de ocupar apenas o espaço de refeição rápida e passou a disputar território com produtos ligados a churrasco gourmet, conveniência premium e experiências gastronômicas domésticas.
Segundo a Nielsen, o hambúrguer já está presente em mais de 70% dos lares brasileiros. O mercado cresce cerca de 5% ao ano em volume e 7% em valor, sinalizando aumento do tíquete médio e avanço das linhas premium.
Premiumização muda consumo e amplia margem no setor
A estratégia da JBS foi expandir presença em diferentes ocasiões de consumo sem depender apenas de preço baixo. A empresa passou a usar Seara e Friboi para ocupar nichos de maior rentabilidade dentro do varejo alimentar.
O hambúrguer começou a funcionar como categoria premium capaz de elevar a margem tanto para frigoríficos quanto para supermercados.
Na Seara, o avanço ocorreu principalmente em produtos voltados à conveniência e preparo doméstico. A marca ampliou o portfólio com:
- hambúrguer para Air Fryer
- mini-hambúrguer para grelha
- linhas premium para churrasco
- produtos segmentados por ocasião de consumo
A estratégia acompanha uma transformação acelerada dentro das casas brasileiras. Equipamentos como Air Fryer mudaram hábitos de preparo e ampliaram o consumo de proteínas congeladas em refeições rápidas.
Ao mesmo tempo, consumidores passaram a aceitar pagar mais por produtos associados à praticidade, sabor e experiência gastronômica.
Esse avanço ajudou o setor a escapar parcialmente da lógica tradicional de commodity alimentar, baseada apenas em preço e volume.
Friboi aproximou hambúrguer de carnes nobres
A Friboi concentrou a estratégia em um nicho ainda pouco explorado no país: hambúrgueres bovinos ligados ao churrasco gourmet.
Em 2023, a companhia lançou a linha Maturatta com hambúrgueres de 180 gramas produzidos a partir de cortes tradicionalmente associados ao churrasco brasileiro, incluindo:
- picanha
- costela
- fraldinha
O movimento aproximou o hambúrguer do universo das carnes nobres e ajudou a criar um segmento de maior valor agregado dentro da categoria.
Inspirada em mercados mais maduros, como o americano, a estratégia transformou o hambúrguer em item de experiência gastronômica doméstica e ampliou o consumo em ocasiões sociais.
Segundo dados da companhia, o segmento de hambúrgueres bovinos avançou mais de 27% em volume em 2025, impulsionado justamente pela segmentação premium liderada por Friboi e Maturatta.
A mudança também alterou a forma como supermercados passaram a organizar a categoria nos pontos de venda.
Supermercados tratam hambúrguer como categoria estratégica
O crescimento do setor levou varejistas a ampliar espaço, exposição e ações promocionais voltadas especificamente aos hambúrgueres premium.
A disputa deixou de acontecer apenas entre marcas e passou a envolver posicionamento estratégico dentro das lojas.
Entre as ações implementadas pela JBS estão:
- mobiliários temáticos
- espaços exclusivos para hambúrgueres
- cross-selling com itens para churrasco
- organização por perfil de consumo
- estímulo à compra por impulso
A Friboi criou o “Espaço Burger” para reunir produtos Maturatta e itens da linha 1953, associada a carnes nobres.
Já a Seara passou a integrar hambúrgueres premium em áreas ligadas à grelha e churrasco, aproximando os produtos de ocasiões de consumo de maior valor.
O avanço do mercado de hambúrgueres no Brasil mostra que frigoríficos passaram a enxergar a categoria como uma das mais estratégicas dentro da transformação do consumo alimentar doméstico.
A disputa agora acontece menos pelo menor preço e mais pela capacidade de criar novos hábitos de consumo, ampliar percepção de qualidade e capturar consumidores dispostos a gastar mais dentro do supermercado.





