Nesta terça-feira (02/06), a MBRF (MBRF Global Foods Company) afirmou, durante apresentação de estratégias, a intenção de elevar em 50% as vendas da Sadia na Copa de 2026, o que chama a atenção porque supera o comportamento normalmente observado no varejo alimentar durante grandes eventos esportivos.
A projeção foi apresentada por Luiz Franco, diretor de Marketing e Inovação da MBRF. A empresa cita a força da Sadia, os lançamentos de produtos e a Copa mais longa como fatores para superar o desempenho registrado no Mundial de 2022.
O ponto central é que a Copa não mexe com todo o carrinho de compras da mesma forma. Ela desloca o consumo para ocasiões sociais. É aí que a Sadia tenta transformar audiência, torcida e encontro em venda.
Categorias ligadas aos jogos costumam registrar os maiores avanços
Levantamento da Scanntech divulgado pela Associação Brasileira da Indústria de Alimentos (ABIA) mostrou que a Copa de 2022 provocou fortes aumentos em categorias associadas aos encontros para assistir aos jogos.
Nos dias de partidas da Seleção Brasileira, algumas categorias registraram:
- Churrasqueiras: +227%;
- Pipoca de micro-ondas: +120%;
- Amendoim salgado: +86%;
- Espetinho bovino: +67%.
Os números ajudam a entender a lógica por trás da estratégia de vendas da Sadia na Copa de 2026. Isso porque grande parte do portfólio da marca está justamente posicionada em categorias ligadas ao consumo compartilhado, à praticidade e às refeições rápidas.
Além disso, produtos congelados, empanados, carnes processadas e aperitivos costumam se beneficiar de momentos em que famílias e grupos de amigos passam mais tempo reunidos em casa.
Por isso, a comparação mais adequada para a meta da companhia não está no crescimento médio do setor de alimentos, mas no desempenho dos segmentos diretamente favorecidos pelos jogos.
Copa de 2026 cria mais oportunidades de consumo que as edições anteriores
A ampliação da Copa do Mundo representa um dos pilares da projeção apresentada pela MBRF.
O torneio passará de 64 para 104 partidas e terá duração maior que a observada nas últimas edições. Para empresas de alimentos, isso significa mais datas com potencial para estimular compras ligadas ao entretenimento e à convivência social.
O efeito não se limita aos jogos da Seleção Brasileira.
Mais partidas significam:
- Mais encontros entre torcedores;
- Mais promoções no varejo;
- Maior exposição das marcas;
- Mais tempo para campanhas comerciais;
- Ampliação das ocasiões de consumo.
Essa diferença ajuda a explicar por que empresas do setor veem a Copa de 2026 como uma oportunidade comercial distinta das anteriores.
Enquanto em edições passadas o consumo ficava concentrado em um número menor de datas, o novo formato amplia a possibilidade de manter a demanda aquecida por um período mais longo.
O histórico mostra que grandes eventos mudam hábitos de compra
Dados da Kantar divulgados pela Associação Brasileira de Supermercados (ABRAS) apontaram que a Copa de 2018 provocou mudanças relevantes no comportamento do consumidor.
Só a cerveja, por exemplo, ganhou mais de 550 mil consumidores em comparação com o mesmo período do ano anterior. Ao mesmo tempo, o consumo fora do lar respondeu por 64% dos gastos da categoria em valor.
O dado reforça uma característica recorrente dos Mundiais: o evento altera hábitos temporariamente e direciona gastos para produtos ligados ao lazer e à convivência.
Esse padrão favorece empresas capazes de associar suas marcas ao momento de consumo.
No caso da Sadia, a ligação com o futebol ganhou força após o acordo firmado com a Confederação Brasileira de Futebol (CBF), que transformou a companhia em fornecedora oficial de proteínas das seleções brasileiras.
A parceria permite conectar campanhas publicitárias, embalagens temáticas e lançamentos de produtos a um dos eventos de maior audiência do planeta.
O desafio da MBRF para vendas da Sadia na Copa de 2026 será transformar visibilidade em participação de mercado
Embora os dados históricos ajudem a sustentar a projeção apresentada pela companhia, a meta de 50% depende de fatores que vão além do aumento natural da demanda.
A Copa tende a ampliar o consumo de determinadas categorias, mas não garante automaticamente que uma única empresa capture esse crescimento.
A disputa envolve:
- preço;
- distribuição;
- presença no varejo;
- ações promocionais;
- reconhecimento de marca.
Nesse sentido, a projeção da fusão entre Manfrig e BRF parece menos uma aposta em um mercado aquecido e mais uma tentativa de ampliar participação em segmentos que tradicionalmente ganham força durante o Mundial.
Se isso ocorrer, as vendas da Sadia na Copa de 2026 poderão refletir não apenas o efeito do maior Mundial da história, mas também a capacidade da marca de transformar audiência esportiva em crescimento comercial.





