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Renegociação do agro sem filtro vira pauta-bomba de R$ 140 bi ao governo

Renegociação do agro aprovada pelo Senado retira filtro fiscal defendido pelo governo, usa Fundo Social do Pré-Sal e leva disputa de R$ 140 bilhões à Câmara.
Plenário do Senado durante votação da renegociação do agro tratada como pauta-bomba pelo governo
Plenário do Senado durante a votação que aprovou a renegociação do agro sem o filtro de perdas comprovadas defendido pelo governo. (Foto: Agência Senado)

O Senado aprovou na quarta-feira (10/06), o PL 5.122/2023 e liberou a renegociação do agro sem a exigência de comprovação de perdas defendida pelo governo, que tentou limitar o benefício a produtores afetados por clima ou crise econômica.

A equipe econômica calculou R$ 140 bilhões de custo até 2027. Em etapa anterior da discussão, o Ministério da Fazenda trabalhou com projeção de R$ 817 bilhões em 13 anos, valor contestado por senadores ligados ao agronegócio.

A pauta-bomba para o governo nasce da soma entre alcance ampliado, uso do Fundo Social do Pré-Sal e despesa potencial fora do filtro fiscal defendido pela Fazenda para separar socorro pontual de renegociação ampla.

A votação teve Renan Calheiros (MDB-AL), relator do projeto na Comissão de Assuntos Econômicos (CAE), e Davi Alcolumbre (União-AP), presidente do Senado, no centro da condução política que levou o texto ao plenário.

Renegociação do agro avança sem comprovação de perda

A versão aprovada não incorporou a exigência de comprovação individual de perda por clima ou crise econômica. Esse ponto separou o governo da relatoria e abriu espaço para um alcance maior nas dívidas do agro.

O PL 5.122/2023 nasceu associado a produtores atingidos por calamidade, perda climática e crise econômica. No Senado, a proposta saiu desse recorte mais estreito e passou a operar como renegociação rural de escala nacional.

A ausência da trava reduz o controle prévio do Executivo sobre o grupo de beneficiários. Para o governo, o problema fiscal está nessa abertura, porque a adesão pode superar a dimensão de produtores com prejuízo comprovado.

Fundo do Pré-Sal amplia atrito fiscal com governo

O texto autoriza linha especial com recursos do Fundo Social do Pré-Sal para quitar crédito rural, empréstimos e Cédulas de Produto Rural contratados até 30 de junho de 2025.

Nas operações de investimento, a proposta admite parcelas com vencimento até 31 de dezembro de 2027. A regra leva a renegociação para obrigações futuras já contratadas e conecta o projeto ao calendário do crédito rural.

O uso de recurso ligado ao petróleo muda o peso político da votação. A renegociação rural deixa o campo de alívio setorial e entra na disputa por dinheiro público, com efeito direto sobre a margem fiscal do governo.

Conta do agro vai de R$ 170 bi a R$ 1,4 tri

Senadores ligados ao setor rural citaram R$ 170 bilhões em débitos mais urgentes dentro de uma carteira rural de R$ 1,4 trilhão. A diferença entre as contas sustentou o embate com a Fazenda.

A leitura do agro se apoia em juros altos, custo de produção, oscilações de commodities e perdas climáticas. A posição do governo mira a falta de corte objetivo para separar produtores atingidos de devedores sem perda comprovada.

A CAE aprovou o parecer em 27 de maio, com requerimento de urgência e voto contrário de Jaques Wagner (PT-BA), líder do governo no Senado. O plenário confirmou a derrota fiscal e devolveu o texto à Câmara.

A Câmara recebe a proposta com três focos de atrito: custo bilionário, Fundo Social do Pré-Sal e ausência do filtro de perdas comprovadas. Essa combinação explica por que a renegociação do agro saiu do Senado como pauta-bomba para o governo.

Foto de Jackson Pereira Jr

Jackson Pereira Jr

Jackson Pereira Jr. é jornalista e empreendedor, fundador do Sistema BNTI de Comunicação e dos portais Economic News Brasil, Boa Notícia Brasil e J1 News Brasil.

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