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Custo de produção de frangos e suínos recua e dá fôlego às margens do setor

A queda dos custos na avicultura e na suinocultura trouxe novo alívio aos produtores em maio. Entenda como a redução da ração afeta margens, competitividade e rentabilidade do setor.
Custo de produção de frango e suíno registra queda em maio, com destaque para a redução das despesas na suinocultura brasileira.
Redução dos gastos com alimentação animal contribuiu para a queda dos custos de produção na suinocultura e na avicultura em maio. (Foto: Reprodução/Agência Brasil)

O custo de produção de frango e suíno voltou a recuar em maio, segundo dados da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) Suínos e Aves. O movimento foi impulsionado principalmente pela redução das despesas com alimentação animal, responsável pela maior parte dos gastos das duas atividades.

No Paraná, referência nacional da avicultura, o custo do frango de corte caiu para R$ 4,68 por quilo, enquanto em Santa Catarina, base dos cálculos da suinocultura, o custo do suíno vivo recuou para R$ 6,23 por quilo.

A nova redução ocorre em um momento importante para o setor. Após enfrentar períodos de forte pressão provocada pelos preços dos grãos, produtores começam a recuperar parte das margens justamente quando o Brasil amplia sua presença nos mercados doméstico e internacional.

Custo de produção de frango e suíno melhora resultado dentro das granjas

A principal razão para a queda dos custos continua sendo a alimentação. A ração representa mais de 63% dos gastos na avicultura e mais de 72% na suinocultura, tornando qualquer variação nos preços dos insumos um fator decisivo para a rentabilidade.

No caso do frango, a despesa com ração caiu 1,15% em maio e acumula retração de 6,63% nos últimos 12 meses. Já na produção de suínos, a redução foi de 0,36% no mês, com queda acumulada de 2,83% desde janeiro.

Esse movimento tem efeito direto sobre o caixa das granjas e sobre a estimativa de produção de carnes no Brasil em 2026. Como a alimentação concentra a maior parcela dos custos operacionais, reduções relativamente pequenas acabam produzindo ganhos relevantes quando aplicadas sobre grandes volumes de produção.

Queda dos custos ajuda a aliviar pressão sobre os produtores

No entanto, a redução dos gastos não garante aumento imediato dos lucros, já que a rentabilidade também depende dos preços pagos ao produtor e das condições do mercado. Ainda assim, o cenário atual é mais favorável do que o observado nos últimos anos, quando a alta do milho e do farelo de soja pressionou as margens da avicultura e da suinocultura.

Os dados da Embrapa mostram que o custo de produção de frango e suíno vem perdendo força ao longo de 2026. Na suinocultura, os custos acumulam queda de 3,87% no ano e retração de 1,51% na comparação anual. Na avicultura, a redução chega a 2,05% frente ao mesmo período do ano passado.

Embora os recuos sejam graduais, eles ganham relevância porque atingem justamente a alimentação animal, principal componente de custo das duas atividades. Com despesas mais controladas, produtores ganham espaço para recompor margens e enfrentar com mais competitividade tanto o mercado interno quanto as exportações.

Preço dos grãos continua sendo o principal risco para o setor

Apesar do alívio recente na produção de frango e suíno, a trajetória dos custos ainda depende da evolução dos mercados de milho e soja. Os dois insumos seguem como a base da alimentação animal e exercem influência direta sobre a competitividade das cadeias de aves e suínos.

Uma eventual alta dessas commodities pode interromper rapidamente o movimento de queda observado nos últimos meses. Por outro lado, a manutenção de preços mais equilibrados criaria um ambiente favorável para consolidar a recuperação das margens.

Por isso, os números de maio divulgados pela Embrapa representam mais do que uma simples redução mensal. Eles mostram que os custos da proteína animal voltaram a caminhar em direção mais favorável aos produtores, fortalecendo a capacidade do setor de sustentar produção, investimentos e competitividade nos mercados interno e externo.

Foto de Moisés Freire Neto

Moisés Freire Neto

Moisés Freire Neto é jornalista formado pela Faculdade Estácio e pela Universidade Estadual do Ceará (UECE), com atuação em economia e negócios. Integra as equipes editoriais do Economic News Brasil e do J1, veículos que compõem o Sistema BNTI de Comunicação. Sua atuação é fundamentada em sólida experiência em jornalismo editorial e comunicação institucional.

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