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Cencosud compra St. Marche e muda aposta no varejo brasileiro

A Cencosud anunciou a compra do St. Marche e entra de forma mais agressiva no segmento premium. A operação reforça a presença em São Paulo e marca uma nova fase da estratégia da companhia no Brasil.
Interior de uma loja da rede St. Marche, adquirida pela Cencosud, com áreas de hortifrúti, padaria e produtos premium em São Paulo.
t. Marche foi adquirido pela Cencosud para reforçar sua atuação no varejo premium em São Paulo. (Foto: Divulgação)

A Cencosud, varejista dona de redes como GBarbosa, Bretas, Prezunic e Giga Atacado no Brasil, anunciou a compra do St. Marche, supermercado paulistano especializado no público de alta renda. A operação, divulgada nesta quarta-feira (24/06), marca a entrada mais relevante do grupo chileno no segmento premium brasileiro.

O negócio envolve 32 lojas em São Paulo e Campinas, duas unidades do Empório Santa Maria e um centro de distribuição de 7.500 metros quadrados. Nos últimos 12 meses encerrados em março de 2026, o St. Marche registrou vendas de R$ 1,078 bilhão. O valor da transação não foi divulgado.

A aquisição acontece em um momento estratégico para a companhia. Após perder posições entre os maiores grupos supermercadistas do país, a Cencosud busca ampliar sua presença no mercado paulista e avançar em um segmento de maior valor agregado, onde as margens costumam ser mais elevadas do que nas operações tradicionais de supermercado e atacarejo.

Cencosud buscar espaço em um mercado mais rentável com compra do St. Marche

A aquisição reforça uma mudança de foco da companhia no Brasil. Em vez de ampliar escala apenas por volume, a estratégia passa a incluir operações capazes de gerar maior valor por cliente.

O St. Marche atende principalmente consumidores de renda mais elevada, com forte presença em bairros de maior poder aquisitivo da capital paulista. O modelo é baseado em produtos premium, alimentos importados, perecíveis diferenciados e experiência de compra mais sofisticada.

A escolha também fortalece a presença da Cencosud em São Paulo, considerado o principal mercado consumidor do país. O grupo já opera no estado por meio do Giga Atacado e agora amplia sua exposição a um perfil de consumo completamente diferente.

O movimento ganha relevância porque a companhia perdeu posições entre os maiores grupos supermercadistas do Brasil nos últimos anos, aumentando a pressão por novas avenidas de crescimento.

Cencosud compra St. Marche após crise financeira da rede paulista

A compra acontece poucos meses depois do St. Marche concluir um processo de reestruturação financeira. A rede acumulava dívidas de R$ 528 milhões e precisou recorrer à recuperação extrajudicial em 2025 após enfrentar dificuldades provocadas pela rápida expansão dos últimos anos e pelo aumento dos juros.

Entre os fatores apontados pela empresa para a deterioração financeira estavam:

  • Crescimento acelerado de 21 para 32 lojas em poucos anos;
  • Aumento expressivo do custo financeiro após a alta dos juros;
  • Pressão sobre o caixa e fornecedores;
  • Necessidade de novos aportes para sustentar a operação.

O fundo L Catterton e o BTG Pactual injetaram cerca de R$ 90 milhões na companhia, recursos que ajudaram a normalizar pagamentos e estabilizar as operações durante a reestruturação.

A recuperação acabou transformando a rede em um ativo mais atrativo para potenciais compradores. Em vez de construir uma operação premium do zero, a Cencosud compra o St. Marche e passa a controlar uma marca já consolidada entre consumidores de maior renda.

Entrada no varejo premium traz oportunidade e desafio para a companhia

A operação amplia as possibilidades de crescimento da Cencosud, mas também traz riscos.

O segmento premium exige dinâmica diferente daquela observada nas bandeiras populares e de atacarejo. A gestão depende mais de sortimento, relacionamento com fornecedores especializados, produtos importados e experiência de compra do que de ganhos de escala tradicionais.

Esse histórico ajuda a explicar parte da cautela do mercado. Em experiências anteriores no Brasil, a companhia encontrou dificuldades para expandir operações voltadas ao público de maior renda, o que torna a integração do St. Marche um dos testes estratégicos mais relevantes da atual fase da empresa.

Ao mesmo tempo, o contexto de mercado oferece oportunidades. O enfraquecimento de algumas bandeiras tradicionais focadas na classe alta abriu espaço para maior disputa por consumidores premium em São Paulo, justamente onde o St. Marche construiu sua reputação ao longo de mais de duas décadas.

Por fim, a compra do St. Marche pela Cencosud é uma estratégia que representa uma mudança relevante na alocação de capital da companhia no Brasil. E, portanto, pode indicar o caminho escolhido para recuperar relevância em um dos mercados mais competitivos do varejo alimentar nacional.

Foto de Moisés Freire Neto

Moisés Freire Neto

Moisés Freire Neto é jornalista formado pela Faculdade Estácio e pela Universidade Estadual do Ceará (UECE), com atuação em economia e negócios. Integra as equipes editoriais do Economic News Brasil e do J1, veículos que compõem o Sistema BNTI de Comunicação. Sua atuação é fundamentada em sólida experiência em jornalismo editorial e comunicação institucional.

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