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Crise na Azzas 2154 expõe disputa por Farm e Reserva e ameaça desmonte do grupo

A crise na Azzas 2154 deixou de ser apenas uma disputa entre sócios e passou a ameaçar a estrutura da maior fusão da moda brasileira. O conflito por marcas estratégicas, como Farm e Reserva, aumenta a pressão sobre o grupo e alimenta especulações sobre uma possível divisão dos ativos.
Fachada da Azzas 2154 em meio à crise societária que envolve Alexandre Birman, Roberto Jatahy e o futuro de marcas como Hering, Farm e Reserva.
A crise da Azzas 2154 intensificou as disputas entre os controladores e ampliou as especulações sobre uma possível reorganização das marcas do grupo. (Foto: Reprodução)

A crise na Azzas 2154 ganhou um novo capítulo com a tentativa de um grupo de acionistas liderado pela família Hering de recomprar a marca fundada em Blumenau. O movimento ocorre enquanto a disputa entre os principais sócios do conglomerado, Alexandre Birman e Roberto Jatahy, avança para tribunais e câmaras arbitrais.

Embora a companhia afirme que a Hering não está à venda, as negociações reveladas pelo Pipeline e confirmadas pela Folha reforçam a percepção de que o grupo pode caminhar para um processo de reorganização mais profundo.

O episódio amplia as dúvidas sobre o futuro da companhia criada pela fusão entre Arezzo&Co e Grupo Soma e coloca em evidência uma questão que preocupa investidores: quem ficará com as principais marcas caso a tensão entre os controladores resulte em uma separação dos negócios.

Crise na Azzas 2154 aumenta incerteza sobre o controle das marcas

A disputa deixou de envolver apenas divergências de gestão. Hoje, o conflito gira em torno de quais ativos cada grupo manteria caso os controladores decidam reorganizar a companhia.

Farm e Reserva surgem como os ativos mais sensíveis da discussão. Afinal, as duas marcas estão entre as mais valiosas do portfólio e representam parte importante da capacidade de crescimento da companhia.

O embate já chegou às esferas jurídicas. Roberto Jatahy acionou a Justiça para impedir a retirada da Reserva da unidade de negócios sob sua gestão. Isso, enquanto Alexandre Birman levou a disputa para a Câmara de Arbitragem do Mercado (CAM), vinculada à B3.

O avanço desses conflitos elevou a percepção de que uma eventual divisão da companhia deixou de ser uma hipótese remota. A crise da Azzas 2154 passou a alimentar especulações sobre uma separação de ativos que até pouco tempo atrás parecia improvável.

Hering se transforma em símbolo da destruição de valor do grupo

A movimentação da família Hering ganhou relevância porque evidencia a deterioração do valor atribuído à marca desde sua venda ao Grupo Soma.

Em 2021, a Hering foi negociada por aproximadamente R$ 5,1 bilhões. Hoje, segundo informações apuradas pela Folha, seu valor de mercado estimado gira em torno de R$ 700 milhões. A diferença ajuda a explicar por que a crise da Azzas 2154 passou a levantar questionamentos sobre a capacidade do grupo de preservar valor em algumas de suas principais marcas.

A queda coincide com um período de dificuldades operacionais. No primeiro trimestre de 2026, a unidade Basic, representada principalmente pela Hering, registrou receita bruta de R$ 502,3 milhões, com retração de 18,5% na comparação anual.

A administração atribui o desempenho ao processo de reestruturação da operação, que inclui:

  • redução dos níveis de estoque;
  • eliminação de vendas com margem negativa;
  • fechamento de franquias com baixo desempenho.

Apesar dessas medidas, o interesse dos antigos controladores em retomar a marca reforça a percepção de que parte dos investidores acredita existir valor não capturado dentro da estrutura atual da Azzas.

Crise da Azzas 2154 pressiona ações e enfraquece a tese da fusão

A fusão entre Arezzo&Co e Grupo Soma foi apresentada ao mercado como a criação da maior plataforma de moda do país. A estratégia prometia ganhos de escala, integração operacional e fortalecimento das marcas. No entanto, os resultados financeiros e a queda das ações passaram a alimentar questionamentos sobre a execução dessa tese.

Nos últimos 12 meses, os papéis da companhia acumularam desvalorização de 47,9%, refletindo tanto a deterioração operacional de algumas unidades quanto a crescente instabilidade entre os controladores. Mesmo com receita bruta de R$ 3,12 bilhões, EBITDA recorrente de R$ 358,5 milhões e lucro líquido recorrente de R$ 64 milhões no primeiro trimestre de 2026, o mercado continua concentrando sua atenção na governança.

O motivo é simples. Empresas de varejo conseguem recuperar margens e ajustar operações ao longo do tempo. Conflitos entre controladores, porém, costumam gerar incertezas mais difíceis de precificar. Nesse contexto, a crise da Azzas 2154 ganhou relevância porque a possível saída da Hering pode representar o primeiro sinal de que a maior consolidação da moda brasileira caminha para um movimento inverso.

Foto de Moisés Freire Neto

Moisés Freire Neto

Moisés Freire Neto é jornalista formado pela Faculdade Estácio e pela Universidade Estadual do Ceará (UECE), com atuação em economia e negócios. Integra as equipes editoriais do Economic News Brasil e do J1, veículos que compõem o Sistema BNTI de Comunicação. Sua atuação é fundamentada em sólida experiência em jornalismo editorial e comunicação institucional.

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