O Open Finance, modelo que permite ao cliente compartilhar dados bancários entre diferentes instituições financeiras mediante autorização, ganhou uma nova função que pode mudar a forma como brasileiros realizam pagamentos digitais. Desde segunda-feira (22/06), usuários do Pix por aproximação passaram a autorizar, em uma única etapa, tanto a vinculação da conta quanto o compartilhamento opcional de saldo e limite disponível.
A medida foi criada pelo Banco Central e integra a chamada “jornada otimizada“. O objetivo é simplificar um processo que exigia duas autorizações distintas, reduzindo etapas que frequentemente interrompiam ou atrasavam pagamentos.
A mudança ocorre em um momento em que o Banco Central busca ampliar o uso do Open Finance além do compartilhamento de dados bancários, transformando o sistema em uma infraestrutura cada vez mais integrada aos meios de pagamento.
Antes da nova regra, o usuário precisava autorizar separadamente o compartilhamento de informações financeiras e a conexão da conta ao serviço de pagamento. Agora, ambas as permissões podem ser concedidas simultaneamente.
Open Finance tenta reduzir recusas por falta de saldo
Uma das principais justificativas do Banco Central para a mudança está na quantidade de transações interrompidas por insuficiência de recursos na conta.
Com a nova funcionalidade, o usuário poderá visualizar o saldo disponível e limites contratados, como cheque especial, antes de confirmar o pagamento. A exibição dessas informações continua opcional e depende de autorização específica do correntista.
A expectativa é que a medida reduza situações em que o consumidor inicia uma compra, chega à etapa final e descobre apenas no momento da confirmação que não possui recursos suficientes para concluir a operação.
Esse tipo de atrito ganhou relevância com o avanço das carteiras digitais e do Pix por aproximação. Sendo modalidades que dependem de experiências rápidas para competir com cartões e outros meios de pagamento.
Integração busca aumentar a conclusão de pagamentos digitais
O impacto da mudança vai além da experiência do usuário. Isso porque, ao eliminar etapas intermediárias, o Banco Central tenta aumentar a taxa de conclusão das transações iniciadas dentro do ecossistema do Open Finance. Portanto, quanto menor o número de telas e autorizações, menor tende a ser o abandono do processo.
A estratégia aproxima o modelo brasileiro das experiências já adotadas por grandes plataformas digitais como Apple Pay e Google Pay. Nelas, o pagamento ocorre com o menor número possível de interações.
Além disso, para bancos, fintechs e carteiras digitais, a simplificação pode representar mais operações concluídas e maior utilização dos serviços conectados ao Open Finance.
A medida também fortalece um dos principais objetivos do Banco Central para o sistema: transformar o compartilhamento de dados em uma ferramenta prática do cotidiano financeiro, e não apenas em um mecanismo de consulta de informações.
Banco Central acelera integração entre Pix e pagamentos digitais
A jornada otimizada chega poucos dias após outra mudança relevante nas regras do Pix por aproximação.
O Banco Central eliminou o limite fixo de R$ 500 para a modalidade, permitindo que os valores passem a seguir os mesmos limites definidos para as demais operações Pix.
Entre os principais avanços recentes estão:
- Compartilhamento opcional de saldo e limites no momento do pagamento;
- Autorização unificada para vinculação da conta e uso dos dados;
- Fim do teto fixo de R$ 500 para Pix por aproximação;
- Integração crescente entre Open Finance e carteiras digitais.
O conjunto de medidas revela uma estratégia mais ampla. Em vez de criar apenas novas funcionalidades para o Pix, o Banco Central trabalha para conectar pagamentos, dados financeiros e serviços digitais dentro de uma mesma infraestrutura.
Se a adoção avançar como esperado, o Open Finance poderá deixar de ser percebido apenas como um sistema de compartilhamento de informações e assumir um papel central na expansão dos pagamentos digitais no país.





