A China ampliou sua importância para o comércio exterior brasileiro no primeiro semestre de 2026. As exportações do Brasil para a China cresceram 21,9%, alcançaram US$ 58,322 bilhões e garantiram um superávit de US$ 19,777 bilhões, muito acima do saldo obtido com outros grandes parceiros comerciais.
O avanço confirma que o mercado chinês continua sustentando boa parte da geração de divisas do país. Enquanto a corrente comercial com a China acelerou, a Argentina perdeu fôlego e a União Europeia registrou crescimento mais moderado, ampliando a concentração das vendas externas brasileiras.
Os dados divulgados pela Secretaria de Comércio Exterior (Secex), do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), reforçam que a relação comercial entre Brasil e China segue como o principal pilar da balança comercial brasileira.
O desempenho da China vai além do crescimento das exportações. O país asiático concentrou o maior superávit entre os principais parceiros comerciais do Brasil, fortalecendo o saldo externo justamente em um cenário de resultados mais modestos em outros mercados.
Por que a China continua sendo o principal motor das exportações brasileiras
Em junho, as exportações brasileiras para a China aumentaram 24,4%, chegando a US$ 12,291 bilhões. As importações também avançaram, com alta de 27,1%, totalizando US$ 7,801 bilhões.
Mesmo com o crescimento das compras brasileiras, o saldo permaneceu amplamente favorável ao Brasil, com superávit de US$ 4,49 bilhões apenas no mês.
A força dessa relação não é recente. A China permanece como o principal destino das exportações brasileiras, impulsionada principalmente pela demanda por commodities, como matérias-primas, combustíveis minerais e produtos agropecuários, que continuam liderando a pauta comercial brasileira com o país asiático.
União Europeia avança, mas Argentina perde espaço
A comparação com outros parceiros mostra como a dependência do mercado chinês aumentou.
A União Europeia elevou as compras de produtos brasileiros em 32,4% em junho, acumulando crescimento de 12,8% no semestre. Ainda assim, o bloco respondeu por US$ 26,906 bilhões em importações do Brasil no período, menos da metade do volume exportado para a China.
Na Argentina, o movimento foi inverso. As exportações brasileiras caíram 18,1% em junho e acumulam retração de 19,4% em 2026, refletindo uma demanda menor do mercado argentino por produtos brasileiros, segundo Herlon Brandão, diretor do Departamento de Estatísticas e Estudos de Comércio Exterior do MDIC.
Os principais resultados no semestre mostram a diferença entre os parceiros:
- China: exportações de US$ 58,322 bilhões e superávit de US$ 19,777 bilhões;
- União Europeia: exportações de US$ 26,906 bilhões e superávit de US$ 2,643 bilhões;
- Argentina: exportações de US$ 7,352 bilhões e superávit de US$ 951 milhões.
O que o avanço da China significa para a economia brasileira
O fortalecimento do comércio Brasil-China ajuda a explicar parte importante do desempenho da balança comercial brasileira em 2026.
Um superávit elevado amplia a entrada de dólares na economia, melhora o resultado das contas externas e favorece os setores exportadores. Ao mesmo tempo, os números mostram que uma parcela crescente desse desempenho depende da demanda chinesa, aumentando a relevância daquele mercado para o ritmo das exportações nacionais.
Esse cenário reforça um contraste importante. Enquanto o Brasil amplia suas vendas ao maior parceiro comercial, outros mercados apresentam expansão menor ou perda de dinamismo. O resultado é uma concentração crescente das exportações brasileiras, tornando o desempenho da economia chinesa um fator cada vez mais determinante para o comércio exterior do país. Os dados oficiais da Secex mostram que essa tendência permanece consistente ao longo de 2026.





