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Atraso nos repasses da 99Food pressiona expansão da plataforma entre restaurantes

A falha nos pagamentos da 99Food vai além de um problema técnico e coloca em risco a confiança dos restaurantes. Entenda os impactos para o mercado de delivery.
Mochila de entregas da 99Food, plataforma de delivery da 99, durante período marcado por atrasos nos repasses a restaurantes parceiros.
A 99Food atribuiu os atrasos nos repasses a uma inconsistência temporária em um parceiro financeiro terceirizado. (Foto: Reprodução)

O atraso nos repasses da 99Food a parte dos restaurantes parceiros colocou em xeque um dos pilares da estratégia da plataforma para ganhar espaço no mercado brasileiro de delivery. Embora a empresa atribua o problema a uma inconsistência temporária em um parceiro financeiro, a falta de prazo para regularizar os pagamentos aumentou a insegurança entre comerciantes.

Os valores deveriam ter sido depositados na última quarta-feira (01/07), conforme o cronograma semanal da plataforma. Restaurantes em diferentes estados, porém, afirmam que não receberam os recursos ou receberam apenas parte do montante devido, enquanto relatam dificuldade para obter respostas do suporte.

O episódio acontece em um momento delicado para a empresa. A 99Food amplia investimentos para disputar restaurantes com concorrentes como iFood e Keeta, estratégia que depende tanto da confiança dos parceiros comerciais quanto de preços competitivos e incentivos financeiros.

Antes mesmo de uma solução definitiva, o impacto ultrapassa uma falha operacional. O atraso compromete a percepção de confiabilidade da plataforma justamente entre os estabelecimentos que sustentam sua expansão.

Como os atrasos nos repasses afetam a estratégia da 99Food

A entrada da 99Food no mercado brasileiro exige conquistar restaurantes dispostos a operar em mais de uma plataforma. Para isso, a empresa aposta em taxas promocionais, campanhas de aquisição e condições comerciais agressivas.

Quando os repasses da 99Food aos restaurantes deixam de ocorrer na data prevista, parte dessa estratégia perde força. Para pequenos e médios estabelecimentos, o fluxo de caixa depende dos recebimentos semanais para cobrir despesas como fornecedores, salários e reposição de estoque.

Mesmo que a instabilidade seja temporária, a incerteza sobre quando o dinheiro será creditado pode levar comerciantes a reduzir a dependência da plataforma ou priorizar concorrentes considerados mais previsíveis nos pagamentos.

O problema amplia a pressão em uma disputa cada vez mais acirrada

O atraso nos repasses ocorre enquanto a 99Food enfrenta desafios regulatórios e concorrenciais. Nesta semana, o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) decidiu reabrir uma investigação sobre contratos firmados pela empresa com restaurantes considerados estratégicos para sua expansão.

O processo analisa alegações de que determinadas cláusulas poderiam dificultar a atuação desses estabelecimentos em plataformas concorrentes, acusação negada pela empresa. A decisão do tribunal indicou que ainda existem dúvidas sobre as provas reunidas durante a investigação.

Ao mesmo tempo, a concorrência no delivery ficou mais intensa. A chegada de novos investimentos, campanhas promocionais e incentivos para restaurantes tornou a confiança dos parceiros um ativo tão importante quanto descontos ou menores taxas cobradas pelas plataformas.

Confiança passa a valer tanto quanto preço no mercado de delivery

A 99Food informou que identificou uma inconsistência temporária em um parceiro financeiro terceirizado e afirmou que suas equipes trabalham para restabelecer a operação normal dos repasses em atraso. A empresa, porém, não informou quando os repasses serão normalizados.

O episódio dos atraso nos repasses da 99Food mostra que crescer no mercado de delivery exige mais do que oferecer condições comerciais competitivas. A capacidade de realizar pagamentos de forma previsível e manter canais de atendimento pode influenciar diretamente o ritmo de expansão nos próximos meses.

Em um setor onde restaurantes costumam operar simultaneamente em diferentes aplicativos, a confiança construída no relacionamento diário pode pesar tanto quanto preços, taxas ou campanhas promocionais na decisão sobre quais plataformas terão prioridade nas operações.

Foto de Moisés Freire Neto

Moisés Freire Neto

Moisés Freire Neto é jornalista formado pela Faculdade Estácio e pela Universidade Estadual do Ceará (UECE), com atuação em economia e negócios. Integra as equipes editoriais do Economic News Brasil e do J1, veículos que compõem o Sistema BNTI de Comunicação. Sua atuação é fundamentada em sólida experiência em jornalismo editorial e comunicação institucional.

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