As perdas de energia elétrica consumiram R$ 11,7 bilhões em 2025, segundo a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel). O valor mostra que uma parcela da eletricidade produzida no país se perde antes de chegar ao consumidor, gerando um custo permanente para a operação do sistema de distribuição.
Embora investimentos em modernização reduzam desperdícios, parte dessas perdas é inevitável. Elas decorrem das características físicas da rede elétrica e acompanham qualquer sistema de transmissão e distribuição, independentemente do nível de tecnologia empregado.
O levantamento também revela que os desafios vão além da infraestrutura. Quando perdas técnicas e não técnicas são somadas, 14,3% de toda a energia distribuída no Brasil deixou de ser aproveitada em 2025, evidenciando a importância de elevar a eficiência operacional das concessionárias.
O impacto econômico é alto porque a energia desperdiçada continua representando um custo para o sistema elétrico. Segundo a Aneel, as perdas técnicas consideradas eficientes integram os processos regulatórios das distribuidoras, enquanto a redução das perdas não técnicas depende principalmente de investimentos, fiscalização e melhoria da gestão.
Por que as perdas técnicas fazem parte do funcionamento da rede
As perdas técnicas de energia totalizaram 45,2 terawatts-hora (TWh) em 2025, equivalentes a 7,2% de toda a energia injetada nas redes de distribuição.
Esse desperdício ocorre naturalmente durante o transporte da eletricidade. Cabos, transformadores e equipamentos dissipam parte da energia na forma de calor à medida que a corrente elétrica percorre a infraestrutura, fenômeno inerente ao funcionamento das redes.
Por essa razão, a Aneel destaca que esse tipo de perda permaneceu praticamente estável nos últimos anos. Em vez de buscar sua eliminação completa, a regulação estabelece níveis considerados eficientes para cada distribuidora, levando em conta fatores como extensão das redes, densidade de consumidores e características técnicas das áreas atendidas.
O maior espaço para reduzir custos está nas perdas não técnicas
Se as perdas técnicas representam um limite físico da infraestrutura, as perdas não técnicas oferecem maior potencial de redução.
Em 2025, elas também alcançaram 45,0 TWh, praticamente o mesmo volume das perdas técnicas, sendo provocadas principalmente por irregularidades no consumo de energia.
Entre as principais causas estão:
- furtos de energia (“gatos”);
- fraudes em medidores;
- ligações clandestinas;
- falhas de medição e faturamento.
Segundo a Aneel, esse tipo de perda pode ser reduzido por meio de fiscalização, medidores inteligentes, digitalização da rede e investimentos em tecnologia, tornando a gestão das distribuidoras um fator decisivo para diminuir desperdícios e aumentar a eficiência operacional.
Concentração regional amplia o desafio das distribuidoras
O relatório também mostra que o problema não está distribuído de forma homogênea pelo país.
A Região Norte concentra os maiores índices de perdas, seguida por Nordeste, Centro-Oeste, Sudeste e Sul. As diferenças refletem características socioeconômicas, dimensões territoriais, perfil dos consumidores e desafios operacionais enfrentados pelas concessionárias.
Outro dado relevante é a concentração das perdas não técnicas em poucas empresas. As dez maiores distribuidoras respondem por 76,2% desse volume registrado no Brasil.
Entre elas, Light e Amazonas Energia concentram, sozinhas, 31,2% das perdas não técnicas nacionais, apesar de suas áreas de concessão representarem apenas 5,8% do mercado brasileiro de baixa tensão.
Para avaliar esse cenário, a Aneel utiliza um modelo econométrico que compara concessionárias com níveis semelhantes de complexidade operacional. O objetivo é identificar quais perdas decorrem das condições estruturais da rede e quais podem ser reduzidas por melhorias de gestão, fiscalização e modernização da infraestrutura.
O levantamento da Aneel reforça que o desafio das perdas de energia elétrica não está apenas na quantidade de eletricidade desperdiçada, mas também na capacidade das distribuidoras de reduzir irregularidades e aumentar a eficiência de suas operações. Em um sistema que movimenta bilhões de reais por ano, ganhos graduais de eficiência podem reduzir custos operacionais e fortalecer a sustentabilidade da distribuição de energia no país.





