O streaming no Brasil chegou a 33,4 milhões de domicílios em 2025 e ampliou a distância em relação à TV por assinatura, que caiu ao menor nível da série histórica da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD) Contínua. Mais do que uma troca de plataforma, os dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) indicam uma mudança estrutural no mercado de entretenimento e no modelo de consumo das famílias.
Segundo a pesquisa, serviços de vídeo sob demanda estavam presentes em 44,4% dos lares com televisão, um avanço de um ponto percentual em relação a 2024 e equivalente à entrada de 1,5 milhão de novos domicílios. Ao mesmo tempo, a TV por assinatura recuou para 23,5% dos lares com TV, atendendo 17,7 milhões de residências.
A mudança afeta diretamente operadoras de TV, produtores de conteúdo e anunciantes. Isso porque o crescimento das plataformas digitais fortalece um modelo baseado em assinaturas flexíveis, catálogo sob demanda e distribuição pela internet, reduzindo a dependência dos pacotes tradicionais de canais.
O avanço do streaming alcança todas as regiões do Brasil
O crescimento das plataformas de vídeo sob demanda deixou de ser um fenômeno concentrado nas regiões de maior renda. Em 2025, todas as regiões do país registraram expansão do acesso ao streaming, embora em ritmos diferentes. Por exemplo:
- Centro-Oeste: lidera o país, com 51,5% dos domicílios com televisão assinando serviços de streaming. Sul: aparece logo atrás, com 51% dos lares com TV conectados às plataformas.
- Sudeste: registra 49,5%, mantendo um nível de penetração próximo ao das regiões líderes.
- Nordeste: alcançou 30,7%, o menor percentual do país, mas também apresentou avanço em relação ao ano anterior.
Os dados também mostram que a televisão tradicional, apesar do crescimento do streaming, continua presente em parte das residências do Brasil. Entre os assinantes de streaming, 38,9% também mantêm TV por assinatura, indicando que muitos consumidores ainda utilizam os dois modelos de acesso ao conteúdo.
TV por assinatura perde espaço por mudança de comportamento
A redução da TV paga vai além do preço. Segundo o IBGE, o avanço do streaming no Brasil mudou os hábitos de consumo de entretenimento. Entre os domicílios sem assinatura, 62,2% afirmam não ter interesse no serviço. Outros 26,1% consideram a mensalidade cara, enquanto 10% entendem que a internet já oferece os mesmos filmes, séries e programas.
Essa mudança ajuda a explicar a expansão das plataformas de streaming no Brasil. Em vez de substituir apenas um serviço por outro, muitas famílias passaram a priorizar conteúdos sob demanda, acessíveis em diferentes dispositivos e sem depender da programação tradicional.
Ao mesmo tempo, cresce o número de brasileiros que abandonam completamente a recepção tradicional de televisão. Em 2025, 7,5% dos domicílios não recebiam sinal de TV aberta nem por assinatura, percentual que praticamente dobrou em relação aos 3,8% registrados em 2022.
O mercado de mídia enfrenta uma nova dinâmica
A diferença de renda ajuda a explicar quem tem acesso ao streaming. Nos domicílios com assinatura de serviços de vídeo sob demanda, o rendimento médio por pessoa chegou a R$ 3.072, mais que o dobro dos R$ 1.454 registrados entre aqueles sem acesso às plataformas.
Essa diferença mostra que a expansão do streaming no Brasil ainda não ocorre de forma homogênea. Embora o número de assinantes continue crescendo, segundo o estudo do IBGE, o consumo pago permanece mais concentrado entre famílias de maior poder aquisitivo.
Para empresas de mídia, isso significa equilibrar crescimento e acessibilidade. Enquanto as plataformas ampliam sua base de usuários, também enfrentam o desafio de alcançar consumidores com menor renda, num mercado em que a TV por assinatura perde espaço e o vídeo sob demanda ganha relevância.





