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Compliance, ética nos negócios e o papel do comércio – Por Antonio Florencio de Queiroz Jr.

Florencio de Queiroz Jr., presidente do Sistema Fecomércio RJ.

Para identificar a temperatura da economia real do país, o comércio é a variável primária a ser observada. Se as vendas acontecem, é sinal de vitalidade. Se as pessoas não gastam no varejo, é sintoma de problemas. Portanto, melhorias no comércio vão impactar positivamente, em última instância, o PIB de todo o país. E um dos avanços que estamos buscando construir é um comércio cada vez mais sustentável, o que passa também por termos um conceito sólido de ética nos negócios.

Representar os interesses dos comerciantes do Rio de Janeiro é uma missão que exige, diariamente, guiar todo um setor econômico altamente relevante na direção de práticas eficientes. Ao mesmo tempo, a eficiência não pode vir a qualquer custo – e a pandemia deixou isso muito claro, ao nos ensinar que cada decisão, sempre complexa, trazia diversas vantagens e desvantagens. A melhor forma de levar uma ideia à frente é mostrar, na prática, que é possível fazer e obter sucesso com metas ambiciosas, mas práticas íntegras. O lucro pelo lucro é uma visão do século passado.

Pode parecer platitude falar em ética. Mas o Rio de Janeiro, a economia do nosso estado e o Sistema Fecomércio RJ enfrentaram inúmeras crises nos últimos anos, e só foi possível superá-las quando a integridade deixou de ser simplesmente uma referência abstrata e passou a ser uma prioridade. Um momento de crise se transformou em uma oportunidade de refletir, de olhar para o mundo com a atenção devida e dar muitos passos à frente, seguindo a trilha sugerida pela lógica do compliance.

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Então não é pouca coisa quando, hoje, passado o auge da crise moral e econômica que atingiu a todos nós, possamos falar do papel do Sistema Fecomércio na retomada do vigor produtivo do Rio com ações concretas. Isso se dá de duas maneiras. Primeiro, pelo gigantismo e relevância de todo o Sistema, que tem capilaridade, agilidade e eficiência no atendimento à população a ponto de ser equiparado a muitos órgãos públicos. E, também, pelo seu poder e capacidade de replicar boas práticas lá na ponta, com o comerciante, em um ciclo virtuoso de benefícios a todos.

Ajudar o comerciante a prosperar faz parte do nosso DNA e, para isso, temos como prioridade que esse crescimento seja de forma absolutamente íntegra. E temos consciência do tamanho da Fecomércio RJ e de como temos a capacidade – e a responsabilidade – de fazer com que nossas ações e práticas sejam replicadas em toda a cadeia de comércio no Rio de Janeiro, começando pelos nossos fornecedores.

Um momento muito especial nesse sentido aconteceu no último dia 9 de fevereiro, quando aderimos formalmente ao Pacto Global da ONU (Organização das Nações Unidas). Ao colocarmos nossa assinatura nesse pacto, assumimos o compromisso de implementar, naquilo que está ao nosso alcance, os dez princípios universais que compõem esse pacto – entre eles, o combate à corrupção e a defesa dos direitos humanos.

Mais que isso, esse nosso compromisso internacional inclui não meramente campanhas para terceiros agirem dessa forma, mas dando o exemplo diretamente: as boas práticas têm de acontecer na nossa própria operação cotidiana. Não é uma carta de intenções, mas um alinhamento efetivo com o que há de mais global no campo da integridade e da ética.

Também faz parte da nossa adesão o compromisso com a prática de transparência interna e o apoio a empresas para que adotem, em suas operações, práticas de sustentabilidade, de forma a beneficiar diretamente as comunidades com as quais estão envolvidas.
Voltar atrás em um compromisso como esse seria um retrocesso vergonhoso e uma confissão institucional de incapacidade de seguir procedimentos e valores que deveriam ser base de qualquer empresa – quanto mais de uma entidade que representa, e lidera pelo exemplo, milhares de comerciantes em um dos mais importantes estados do Brasil. Não recuaremos, portanto.

Essa também é uma oportunidade de resgatarmos o valor do Rio de Janeiro como vitrine do Brasil para o mundo, e o contato que os estrangeiros têm em nosso território é na maior parte das vezes com nosso setor de comércio e serviços, seja nos hotéis, seja nos restaurantes, seja nas lojas de varejo. Uma conduta íntegra também é um grande cartão de visita.

O acordo global não é nosso primeiro passo nesse sentido, no entanto. Essa trajetória se inicia de forma mais concreta em 2020, com a definição do Programa de Integridade e do Código de Conduta Ética (ambos foram revisados em 2021 a partir das primeiras experiências práticas). Ali estão as diretrizes do que fazer e do que não fazer para todos os envolvidos no dia a dia do Sistema Fecomércio RJ.

Depois disso, em setembro passado, nos alinhamos com outras 700 empresas no Pacto Empresarial pela Integridade e Contra a Corrupção, do Instituto Ethos. Com essa adesão ao Pacto Empresarial, a Fecomércio RJ assume o compromisso de divulgar a legislação brasileira anticorrupção para seus funcionários e terceiros, a fim de que seja cumprida integralmente.

Em dezembro, fomos em frente com a realização da Semana da Integridade, quando, entre outras ações, reformulamos o nosso Código de Conduta, reforçando os quatro princípios centrais do documento (integridade, transparência, respeito e legalidade) e estabelecendo regras como a que garante isenção da entidade em relação a partidos políticos e a candidatos.

Ali também adotamos uma novidade que, esperamos, irá replicar nossa preocupação com a integridade para a cadeia de fornecedores do comércio fluminense, dando robustez a um sistema que se retroalimente positivamente: lançamos um Código de Conduta Ética para Fornecedores, com o objetivo de alinhar os valores morais e éticos do Sistema Fecomércio RJ com os dessas empresas.

O passo mais recente na nossa trilha da integridade ocorreu na última reunião do Comitê de Ética da Fecomércio RJ, com a definição de regras de integridade para o aceite de patrocínios a projetos do Sesc.

Nessa jornada em busca de integridade, estaremos sempre de olho nas nossas próprias práticas, com o interesse de deixar o comércio fluminense pronto para ser exemplo, talvez contrário ao senso comum, de que o jeitinho brasileiro pode ser algo muito diferente de corrupção, propina, falta de transparência e outras ações sem nenhuma compatibilidade com a forma moderna de conduzir negócios e estabelecer relações para crescimento. Para isso, o comerciante deverá cada vez mais agregar estes conceitos em seu dia a dia: compliance e integridade devem fazer parte central disso, assim como margem líquida e outras tantas variáveis e vocabulários importantes para o negócio.

*Por Antonio Florencio de Queiroz Jr., presidente do Sistema Fecomércio RJ.

 

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