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Uso do ônibus elétricos em SP é fundamental para neutralizar as emissões de carbono

(Foto: Thom Gonzalez/Pexels)

Especialistas preveem que, até 2024, o Brasil poderá ter a maior frota de ônibus elétricos da América Latina, chegando a três mil unidades. Na capital São Paulo, a impulsão vem da criação de uma lei de mudança climática que exige uma transição energética por meio da descarbonização de todos os ônibus nas estradas.

“A atual gestão da Prefeitura de São Paulo colocou metas para que tenhamos um número que pode chegar a esses três mil veículos movidos a eletricidade”, comenta o professor Julio Romano Meneghini, do Departamento de Engenharia Mecânica da Escola Politécnica da USP e também diretor científico do Centro de Pesquisa para Inovação em Gases de Efeito Estufa.

O uso do transporte público, principalmente ônibus, é muito importante para diminuir a poluição gerada pelos carros particulares. Mas também a transição do combustível da energia fóssil para as renováveis é outro ponto fundamental.

Tipos de ônibus

Não existe apenas um modelo de ônibus elétrico, Meneghini comenta sobre dois tipos disponíveis no cenário brasileiro: “É importante falar que existem dois ônibus elétricos. Aquele que é puramente elétrico, com baterias que são recarregadas externamente, tem uma autonomia que pode chegar por volta de 180 a 200 km e deve ser recarregado naqueles carregadores muito parecidos com os de carros elétricos. O segundo tipo de ônibus elétrico é o de geração interna. Ele gera eletricidade utilizando um combustível, normalmente o hidrogênio, que alimenta as células a combustível e carrega as baterias internamente”.

O ônibus elétrico de geração interna não produz gases de efeito estufa, apenas vapor d’água. Segundo o professor ele precisa de um número de baterias, em torno de um quarto, mas tem uma grande vantagem que é o alcance de cerca de 200 a 250 km e também o tempo de recarga, ao invés de 8 a 12 horas plugado no carregador, apenas leva cinco minutos para encher os tanques de hidrogênio.

Poluição

A adoção de medidas para o aumento da frota de ônibus elétricos é uma tendência mundial. A relação entre isso e as consequências ambientais do uso de combustíveis não renováveis é clara. Porém, o meio ambiente não é o único prejudicado. 

A saúde dos moradores das cidades, sobretudo onde existem grandes frotas e vários automóveis, também é afetada: “Tem um impacto muito forte na saúde pública porque os ônibus movidos a diesel não apenas produzem gases de efeito estufa, mas existem os particulados que são emitidos e não são bons para a saúde, principalmente, a daquelas pessoas que caminham em vias onde temos uma quantidade muito grande de ônibus movidos a diesel. Então, o impacto a curto prazo não é apenas a questão de você colaborar para mitigar, a questão de emissões de gases de efeito estufa é também na saúde pública e na questão de doenças respiratórias”, explica Meneghini.

Metas

“O Brasil se comprometeu a neutralizar as emissões de carbono até 2050. Essa já é uma meta nacional determinada desde a COP do ano passado. Emissões em cidades são um ponto importante aqui no Brasil, não é o preponderante já que nós temos a mudança de uso da terra que é o ponto-chave no Brasil. Mas a questão da indústria e dos combustíveis fósseis é importante também”, comenta o especialista. O aumento da frota de ônibus elétricos é fundamental para neutralizar as emissões de carbono e melhorar o índice de poluição brasileiro.

Entretanto, para Meneghini, além do Brasil aderir a um projeto de transição para energias renováveis, a conscientização da população é necessária: “É uma questão de percepção pública além da tecnológica. A população precisa estar consciente dos danos que os combustíveis fósseis causam à saúde no curto prazo e à questão do meio ambiente no médio e longo prazos. Nós precisamos passar por um processo de conscientização para que apoiem essas medidas”.

A informação é do Portal USP.

Foto de Jackson Pereira Jr

Jackson Pereira Jr

Jackson Pereira Jr. é jornalista e empreendedor, fundador do Sistema BNTI de Comunicação e dos portais Economic News Brasil, Boa Notícia Brasil e J1 News Brasil.

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