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Liquidação extrajudicial da Sefer Investimentos amplia crise ligada ao Banco Master

O Banco Central decretou a liquidação extrajudicial da Sefer Investimentos, instituição investigada na Operação Compliance Zero. A decisão encerra as atividades da empresa por motivos regulatórios, mas não representa condenação pelos fatos apurados pela Polícia Federal. Entenda como os dois processos se relacionam e por que seguem caminhos diferentes.
Recepção da sede da Sefer Investimentos, instituição que teve liquidação extrajudicial decretada pelo Banco Central.
Liquidação ocorreu meses após a Sefer entrar na investigação sobre o caso Banco Master. (Foto: Reprodução)

A liquidação extrajudicial da Sefer Investimentos, distribuidora de títulos e valores mobiliários com sede em São Paulo, foi decretada pelo Banco Central (BC) nesta sexta-feira (26/06), adicionando um novo capítulo às investigações da Operação Compliance Zero. A decisão encerra as atividades da distribuidora por razões regulatórias, enquanto a apuração conduzida pela Polícia Federal (PF) continua em curso.

Os dois processos estão relacionados pelo contexto, mas possuem naturezas diferentes. A medida do Banco Central, portanto, não significa que a empresa ou seus administradores tenham sido condenados pelos fatos investigados pela Polícia Federal.

A diferença importa porque o Banco Central não precisa esperar o fim de uma investigação criminal para intervir em uma instituição financeira. A análise regulatória segue critérios próprios. Portanto, significa que a atuação do Banco Central e da Polícia Federal segue caminhos distintos, embora tenha origem no mesmo conjunto de fatos.

Por que o Banco Central decretou a liquidação extrajudicial Sefer Investimentos

Segundo o Banco Central, a decisão decorreu do comprometimento da situação econômico-financeira da instituição e de graves violações às normas que regulam o funcionamento de distribuidoras de títulos e valores mobiliários. Além do encerramento das atividades, o BC tornou indisponíveis os bens dos controladores e ex-administradores e informou que continuará apurando eventuais responsabilidades administrativas.

Apesar da medida, o próprio Banco Central ressaltou que a Sefer possui participação reduzida no Sistema Financeiro Nacional, representando menos de 0,0004% dos ativos do sistema e cerca de 0,17% dos recursos administrados de terceiros. Esse ponto reduz o risco de efeitos relevantes sobre a estabilidade do mercado financeiro.

Como a Operação Compliance Zero se conecta ao caso

As da medida de liquidação extrajudicial, a Sefer Investimentos já havia entrado no radar das autoridades ao ser alvo da segunda fase da Operação Compliance Zero, deflagrada pela Polícia Federal em janeiro. O inquérito investiga a suposta utilização de fundos e corretoras em um esquema de fraude financeira ligado ao Banco Master e tramita no Supremo Tribunal Federal (STF).

Na época da operação, a Sefer negou qualquer irregularidade. Em nota, afirmou atuar exclusivamente na administração e gestão de recursos de terceiros e declarou não conceder crédito com recursos próprios.

Além da investigação, a empresa voltou a aparecer recentemente no pedido de recuperação judicial do Grupo Fictor, que listou cerca de R$ 430 milhões supostamente devidos à corretora. A Sefer, porém, contestou a informação e afirmou que não era credora do conglomerado.

Liquidação não substitui investigação criminal

Embora a liquidação extrajudicial tenha ocorrido após a Sefer Investimentos se tornar alvo da Compliance Zero, os dois procedimentos produzem consequências jurídicas diferentes.

Enquanto o Banco Central atua na esfera regulatória, avaliando a capacidade da instituição de continuar operando no sistema financeiro, a Polícia Federal busca apurar a existência de crimes e a eventual responsabilidade dos investigados, processo que depende da produção de provas e de decisões da Justiça.

Isso significa que a liquidação não encerra as investigações nem representa confirmação das suspeitas. Da mesma forma, uma eventual responsabilização criminal depende da conclusão do inquérito e do devido processo judicial.

A decisão do BC, portanto, amplia os desdobramentos da Compliance Zero ao retirar mais uma instituição do mercado financeiro. Ao mesmo tempo, preserva a distinção entre uma medida administrativa voltada à proteção do sistema financeiro e a investigação criminal que continua em andamento.

Foto de Moisés Freire Neto

Moisés Freire Neto

Moisés Freire Neto é jornalista formado pela Faculdade Estácio e pela Universidade Estadual do Ceará (UECE), com atuação em economia e negócios. Integra as equipes editoriais do Economic News Brasil e do J1, veículos que compõem o Sistema BNTI de Comunicação. Sua atuação é fundamentada em sólida experiência em jornalismo editorial e comunicação institucional.

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