A Paramount Skydance decidiu vender sua joint venture de distribuição de filmes com a Universal Pictures para remover o principal obstáculo apontado pela Comissão Europeia na aquisição da Warner Bros. Discovery, avaliada em US$ 110 bilhões.
A proposta será apresentada aos reguladores europeus em 30 de junho. Caso seja aceita para análise, o prazo preliminar da União Europeia passará de 7 para 21 de julho, permitindo que Bruxelas avalie se a concessão elimina os riscos à concorrência.
A decisão mostra que a Paramount prefere abrir mão de um ativo considerado estratégico a colocar em risco uma das maiores operações da história da indústria do entretenimento.
O movimento também indica que a discussão deixou de ser o tamanho financeiro da fusão e passou a se concentrar no controle da distribuição de filmes, uma atividade considerada essencial para a competição entre os grandes estúdios de Hollywood.
Por que a UE quer que a Paramount Skydance venda a parceria com a Universal
A preocupação da Comissão Europeia não está nos estúdios ou nos canais de televisão da Paramount, mas na forma como os filmes chegam aos cinemas.
A distribuição de filmes é responsável por negociar lançamentos, datas de estreia, campanhas de marketing e contratos com exibidores. Quanto maior a concentração dessa atividade nas mãos de uma única empresa, maior tende a ser seu poder de negociação sobre redes de cinema e parceiros comerciais.
Segundo fontes ouvidas pela Reuters, a Paramount concluiu que vender essa parceria é a alternativa mais eficiente para responder às preocupações concorrenciais da União Europeia.
A companhia chegou a considerar a venda de ativos menores, como canais infantis. Os reguladores, porém, não identificaram problemas relevantes nesse segmento, concentrando a análise na distribuição cinematográfica.
Essa estratégia segue uma prática comum em grandes fusões internacionais. Em vez de abandonar toda a operação, as empresas costumam oferecer a venda de negócios específicos para preservar a concorrência e acelerar a aprovação regulatória.
Como a venda pode aumentar as chances de aprovação da fusão
Ao retirar a joint venture com a Universal da operação, a Paramount reduz a sobreposição de atividades justamente no segmento considerado mais sensível pelos reguladores europeus.
A companhia busca demonstrar que a futura empresa continuará enfrentando concorrência suficiente na distribuição de filmes, diminuindo o risco de concentração excessiva no mercado.
Entre os principais efeitos esperados estão:
- redução das preocupações antitruste da Comissão Europeia;
- menor risco de abertura de uma investigação aprofundada;
- maior probabilidade de aprovação dentro do cronograma previsto;
- preservação da maior parte dos ativos estratégicos envolvidos na aquisição.
Embora represente uma concessão importante, a venda evita mudanças mais amplas na estrutura da empresa e preserva o objetivo principal da operação: formar um grupo de mídia com maior escala para competir em cinema, televisão e streaming.
Aquisição da Warner Bros. Discovery ainda enfrenta desafios fora da Europa
A análise europeia não é o único obstáculo para a conclusão do negócio.
O Departamento de Justiça dos Estados Unidos (DOJ) já concluiu que a operação dificilmente reduzirá a concorrência ou prejudicará consumidores. Mesmo assim, Califórnia, Nova York e outros estados americanos preparam uma ação judicial para tentar impedir a aquisição.
Além disso, a transação também passa por uma avaliação separada da União Europeia com base no Regulamento sobre Subsídios Estrangeiros, já que parte do financiamento envolve o Fundo de Investimento Público da Arábia Saudita, a L’imad Holding Company, de Abu Dhabi, e a Autoridade de Investimento do Catar.
A expectativa do mercado é de que essa etapa seja concluída sem restrições relevantes, mantendo o foco das discussões na análise concorrencial.
Os efeitos da operação ultrapassam a Europa e os Estados Unidos. Uma empresa maior e mais integrada poderá influenciar negociações de licenciamento, estratégias de distribuição internacional, lançamentos globais e acordos comerciais com plataformas de streaming e redes de cinema, incluindo mercados relevantes como o brasileiro.
Por isso, a venda da parceria com a Universal representa mais do que uma exigência regulatória. Ela se tornou a principal aposta da Paramount Skydance para convencer a Comissão Europeia de que a aquisição da Warner Bros. Discovery pode ampliar sua escala global sem comprometer a concorrência no mercado de distribuição cinematográfica.





