Deflagrada na manhã desta quinta-feira (25/06), a segunda fase da Operação Disclosure ampliou a lista de investigados na fraude contábil da Americanas. Além de ex-executivos da varejista, a Polícia Federal incluiu entre os alvos acionistas de referência integrantes do conselho de administração e executivos de grandes bancos.
Os mandados de busca e apreensão foram cumpridos no Rio de Janeiro e em São Paulo. A Justiça também determinou o bloqueio de R$ 54 bilhões em bens e valores dos investigados. Segundo a PF, as apurações apontam indícios de manipulação de mercado e associação criminosa.
Os novos investigados ocupavam posições estratégicas na Americanas ou em instituições financeiras que mantinham relação com a companhia durante o período das supostas irregularidades. A inclusão de seus nomes, no entanto, não representa condenação, mas faz parte da coleta de provas para esclarecer a participação de cada um no caso.
Quem representa a Americanas entre os investigados na fraude
Carlos Alberto Veiga Sicupira, conhecido como Beto Sicupira, é um dos principais acionistas da Americanas e integra o grupo de empresários formado por Jorge Paulo Lemann e Marcel Telles. Ele presidiu o conselho da companhia entre 1983 e 1991 e permaneceu como conselheiro até 2024.
Eduardo Saggioro Garcia preside atualmente o conselho de administração da Americanas. Antes disso, foi sócio da LTS, holding de investimentos de Lemann, Telles e Sicupira, além de participar de empresas ligadas ao grupo controlador.
Paulo Alberto Lemann, filho de Jorge Paulo Lemann, integrou o conselho da Americanas entre 2005 e 2024. Durante esse período, participou dos comitês financeiro e de pessoas e sustentabilidade, exercendo funções relacionadas à governança corporativa.
Segundo a Polícia Federal, os investigados teriam conhecimento de práticas de fraude contábeis relacionadas a operações sem lastro econômico na Americanas. Hipótese que, inclusive, ainda será analisada ao longo da investigação.
Executivos de Itaú, Bradesco e Santander também aparecem entre os investigados na fraude da Americanas
A operação também alcançou executivos ligados às áreas de atendimento a grandes empresas dos principais bancos credores da Americanas.
Entre eles está Gustavo Balassiano, que construiu carreira no Unibanco e posteriormente no Itaú BBA, antes de seguir para a XP Investimentos.
Outro nome é José de Castro Araújo Rudge Filho, diretor do Itaú BBA por cerca de duas décadas e atualmente co-head da área de infraestrutura e energia do banco.
No Bradesco, o alvo é Carlos Henrique Villela Pedras, diretor da instituição e integrante do conselho de administração da Alelo.
Já no Santander aparecem André Juaçaba de Almeida, vice-presidente de Corporate Banking, e Alexandre Lian Abdo, executivo responsável por segmentos como tecnologia, mídia, telecomunicações, aviação e logística.
A Polícia Federal não atribuiu responsabilidades individuais a cada executivo na divulgação da operação. As investigações apontam que os suspeitos ocupavam posições relacionadas às operações financeiras analisadas no caso.
O que dizem Americanas, acionistas e bancos
A Americanas afirmou que não foi alvo de mandados de busca nesta fase da Operação Disclosure e reiterou que continuará colaborando com as autoridades. A companhia também disse ser a maior interessada no esclarecimento da fraude revelada em 2023 que levou à prisão do ex-CEO da Americanas, Miguel Gutierrez.
Já a LTS, holding que representa Jorge Paulo Lemann, Marcel Telles e Beto Sicupira, informou que os acionistas foram surpreendidos pela operação. Segundo a empresa, os investigados na fraude da Americanas sustentam que foram induzidos a erro pela antiga diretoria e seguirão colaborando com as investigações.
Enquanto isso, Itaú Unibanco, Santander e Bradesco também afirmaram colaborar com as autoridades. O Itaú disse já ter apresentado documentos à Justiça e afirmou ter recusado pedidos da antiga gestão da Americanas para alterar cartas de circularização de balanços.
Além disso, o Santander declarou estar entre as partes prejudicadas pelas fraudes, enquanto o Bradesco informou acompanhar o caso e permanecer à disposição das autoridades.
O que a nova etapa da investigação busca esclarecer
Ao incluir empresários, conselheiros e executivos do sistema financeiro, a Polícia Federal amplia o universo de pessoas cujas decisões e comunicações passarão a ser analisadas. A investigação tenta identificar quem participou, quem tinha conhecimento e como as operações apontadas como fraudulentas circularam entre a companhia e seus principais interlocutores.
Esse trabalho ainda está em fase de produção de provas. As buscas e apreensões não representam condenação, mas podem definir os próximos desdobramentos de uma investigação que já figura entre as maiores da história do mercado de capitais brasileiro.





