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Apple aumenta preços e mostra como a corrida pela IA já encarece os eletrônicos

A Apple aumentou os preços de Macs, iPads, HomePods, Apple TV e Vision Pro após a disparada dos custos de memória e armazenamento provocada pela expansão dos data centers de inteligência artificial. O reajuste global mostra que a corrida pela IA já pressiona o preço dos eletrônicos e pode influenciar o mercado brasileiro nos próximos meses.
Quatro iPhones da Apple exibidos lado a lado, ilustrando o reajuste global de preços anunciado pela empresa.
Apple reajustou os preços de diversos produtos globalmente após a alta no custo de memória e armazenamento (Foto: Reprodução)

A Apple anunciou que deve aumentar preços de Macs, iPads, HomePods, Apple TV e Vision Pro após concluir que não consegue mais absorver a forte alta nos custos de memória e armazenamento. O reajuste entrou em vigor nesta quinta-feira e afeta mercados de todo o mundo.

A empresa atribui a decisão à escassez global de chips DRAM e NAND, componentes essenciais para computadores, tablets e outros eletrônicos. Segundo a fabricante, a rápida expansão dos data centers dedicados à inteligência artificial elevou a demanda a um nível inédito, pressionando preços e reduzindo a oferta disponível para produtos de consumo.

O movimento representa uma mudança importante na indústria de tecnologia. A infraestrutura que sustenta a inteligência artificial passou a disputar os mesmos componentes usados em dispositivos vendidos ao consumidor, tornando a IA um fator direto de pressão sobre o preço dos eletrônicos.

Mais do que uma decisão comercial da Apple, o reajuste mostra que os investimentos bilionários em inteligência artificial começam a produzir efeitos concretos no bolso dos consumidores e no mercado global de tecnologia.

Como a inteligência artificial fez Apple aumentar seus preços

Durante os últimos dois anos, empresas como Microsoft, Amazon, Google e Meta aceleraram investimentos em grandes data centers para treinar e operar modelos de inteligência artificial.

Esses servidores utilizam enormes quantidades de memória de alta performance (HBM). Sua produção depende da mesma cadeia industrial que fabrica os chips DRAM e NAND usados em notebooks, tablets e outros eletrônicos.

Com uma parcela cada vez maior da produção direcionada aos data centers de IA, a oferta para dispositivos de consumo ficou mais limitada. Como consequência, fabricantes como a Apple passaram a enfrentar aumentos expressivos nos custos desses componentes e, consequentemente, aumento de preços.

A Apple afirma que conseguiu absorver parte dessa pressão durante meses. Agora, porém, diz que a situação chegou a um ponto inédito. Segundo a empresa, nunca houve uma alta tão rápida nos preços da memória e do armazenamento. Por isso, decidiu repassar parte desse aumento aos consumidores.

Quais produtos Apple ficaram mais caros

Os reajustes atingem praticamente toda a linha de computadores e tablets da empresa, além de alguns dispositivos domésticos.

Entre os principais aumentos de preços dos produtos da Apple estão:

  1. MacBook Air: de US$ 1.099 para US$ 1.299;
  2. MacBook Pro 14″: de US$ 1.699 para US$ 1.999;
  3. MacBook Pro 16″: de US$ 2.499 para US$ 2.999;
  4. MacBook Neo: de US$ 599 para US$ 699;
  5. iPad Pro: de US$ 999 para US$ 1.199;
  6. iPad Air: de US$ 599 para US$ 749;
  7. iPad básico: de US$ 349 para US$ 449;
  8. HomePod: de US$ 299 para US$ 349;
  9. Apple TV: de US$ 129 para US$ 199;
  10. Vision Pro: de US$ 3.499 para US$ 3.699.

iPhone, Apple Watch e AirPods permaneceram com os mesmos preços, indicando que a empresa priorizou preservar sua principal linha de produtos enquanto concentra os reajustes em categorias mais afetadas pelo aumento do custo da memória.

O que o aumento de preços da Apple sinaliza para o mercado de tecnologia

A decisão reforça que a corrida pela inteligência artificial deixou de afetar apenas fabricantes de chips e empresas de computação em nuvem.

Agora, seus efeitos começam a aparecer também nos preços pagos por consumidores e empresas que compram computadores, tablets e outros equipamentos.

O impacto tende a alcançar diversos mercados, inclusive o brasileiro. Embora a Apple ainda não tenha anunciado novos valores em reais, o aumento de preços da Apple no exterior costuma ser refletido no mercado nacional, somando-se aos efeitos do câmbio, da carga tributária e dos custos de importação.

Ao mesmo tempo, a empresa admite que a pressão pode continuar. Em abril, Tim Cook, atual CEO da Apple, afirmou que a escassez de memória deve persistir por vários meses, indicando que a normalização da cadeia de suprimentos ainda está distante.

Em um cenário em que fabricantes disputam os mesmos componentes utilizados pelos gigantes da inteligência artificial, o avanço da IA deixa de ser apenas uma revolução tecnológica e passa a influenciar diretamente o custo dos eletrônicos vendidos no mundo.

Foto de Moisés Freire Neto

Moisés Freire Neto

Moisés Freire Neto é jornalista formado pela Faculdade Estácio e pela Universidade Estadual do Ceará (UECE), com atuação em economia e negócios. Integra as equipes editoriais do Economic News Brasil e do J1, veículos que compõem o Sistema BNTI de Comunicação. Sua atuação é fundamentada em sólida experiência em jornalismo editorial e comunicação institucional.

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