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IPCA-15 de junho desacelera, mas energia e alimentos mantêm inflação sob pressão

O IPCA-15 de junho desacelerou para 0,41%, mas a inflação em 12 meses avançou para 4,80%. Entenda por que a queda no índice mensal ainda não representa uma melhora definitiva do cenário inflacionário.
Pessoa confere a nota fiscal ao lado de um carrinho de supermercado com alimentos durante compras.
Energia elétrica e alimentos continuaram entre os principais fatores de pressão sobre o IPCA-15 de junho. (Foto: Ilustrativa)

A prévia da inflação oficial medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo15 (IPCA-15) de junho subiu 0,41%, abaixo dos 0,62% registrados em maio, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O resultado indica uma perda de ritmo na alta dos preços durante o mês.

Ao mesmo tempo, a inflação acumulada em 12 meses avançou de 4,64% para 4,80%, permanecendo acima do teto da meta perseguida pelo Banco Central. O contraste mostra que uma desaceleração pontual não significa que as pressões inflacionárias tenham desaparecido.

O movimento reflete uma combinação de fatores. Alguns itens que haviam pressionado fortemente os preços perderam intensidade, enquanto energia elétrica, alimentos específicos e reajustes administrados continuam sustentando a inflação em um patamar elevado.

O que explica a desaceleração do IPCA-15 de junho

O principal alívio veio da alimentação consumida dentro de casa. A inflação desse grupo caiu de 1,73% em maio para 0,87% em junho, reduzindo sua contribuição para o índice geral.

Mesmo assim, diversos alimentos continuaram registrando aumentos expressivos.

Entre os principais destaques do IPCA-15 de junho temos:

  • Batata-inglesa: +29,42%;
  • Tomate: +17,27%;
  • Feijão-carioca: +14,29%;
  • Cebola: +9,54%.

Em contrapartida, café moído (-3,69%) e frutas (-0,96%) ajudaram a reduzir parte da pressão sobre o orçamento das famílias, enquanto os combustíveis também contribuíram para conter o índice.

Além disso, a gasolina caiu 0,73%, o etanol recuou 5,30% e o conjunto dos combustíveis registrou redução de 1,22%.

Por que a inflação em 12 meses continua acelerando

Embora a variação de junho do IPCA-15 tenha perdido força, o acumulado em 12 meses continua incorporando meses anteriores de inflação elevada, o que explica a alta de 4,80%.

Além disso, parte das pressões atuais não depende apenas da oferta de alimentos. A energia elétrica residencial subiu 2,04%, tornando-se o item de maior impacto individual do índice após a entrada em vigor da bandeira tarifária amarela e reajustes aplicados em algumas distribuidoras.

Outro fator veio dos planos de saúde, cuja variação refletiu o reajuste anual autorizado pela Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS).

Esse comportamento mostra que, enquanto alguns preços mais voláteis começam a perder força, os itens administrados e serviços ainda dificultam uma desaceleração mais consistente da inflação acumulada.

O que o resultado sinaliza para os próximos meses

Por fim, o IPCA-15 referente a junho indica que o processo de redução da inflação continua irregular.

Os alimentos seguem sujeitos às oscilações provocadas pelo clima e pela oferta, enquanto tarifas públicas e serviços dependem de reajustes regulatórios, fatores que tendem a manter alguma pressão sobre os índices.

Ao mesmo tempo, a queda dos combustíveis e de parte dos alimentos mostra que nem todos os componentes da inflação continuam acelerando, reduzindo a intensidade das altas observadas no início do ano.

O resultado do IBGE reforça que uma desaceleração mensal não representa, por si só, uma reversão definitiva da inflação. Enquanto alguns preços começam a aliviar, outros continuam pressionando o custo de vida e mantêm a inflação acumulada acima da meta perseguida pelo Banco Central.

Foto de Moisés Freire Neto

Moisés Freire Neto

Moisés Freire Neto é jornalista formado pela Faculdade Estácio e pela Universidade Estadual do Ceará (UECE), com atuação em economia e negócios. Integra as equipes editoriais do Economic News Brasil e do J1, veículos que compõem o Sistema BNTI de Comunicação. Sua atuação é fundamentada em sólida experiência em jornalismo editorial e comunicação institucional.

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