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Racismo impacta na formação de redes profissionais na economia

Formação de redes profissionais na economia
(Foto: Thirdman/Pexels)

Ter talento, ideias brilhantes e dedicação nem sempre são suficientes para se destacar profissionalmente. Em muitos casos, o acesso a redes de contatos de qualidade, também conhecido como networking desempenha um papel determinante no sucesso profissional. No entanto, considera-se critérios raciais na formação de redes profissionais entre economistas. Isso é o que afirma Pedro Sant’Anna, pesquisador da Escola de Economia de São Paulo (FGV EESP).

O pesquisador conduziu uma pesquisa científica examinando a discriminação no estabelecimento de redes profissionais entre economistas acadêmicos, juntamente aos professores Bruno Ferman e Nicolás Ajzenman. O portal da Fundação Getúlio Vargas (FGV) publicou a pesquisa nesta quinta-feira (4/01).

Eles criaram 80 contas fictícias no Twitter para realizar o estudo. Ao longo de três meses, essas contas seguiram cerca de 10 mil perfis reais associados à comunidade #EconTwitter. Rede composta principalmente por professores e estudantes de economia. Os alunos brancos recebiam mais seguidores do que os homens negros, que frequentavam faculdades de economia menos renomadas nos Estados Unidos. Além disso, os alunos brancos receberam 12% mais solicitações de retorno de seguimento dos mesmos perfis, em comparação aos alunos negros.

Discriminação, Mídias Sociais e Economistas

Os pesquisadores escolheram estudar o Twitter para compreender o impacto da discriminação na formação de redes profissionais na economia. Afinal, no meio acadêmico, os economistas utilizam amplamente essa rede para compartilhar informações relevantes.

“É muito comum que as pessoas se conheçam primeiro nessa rede e depois um indivíduo convide o outro para conhecer sua instituição ou para, quem sabe, realizarem um artigo juntos”, destaca Sant’Anna ao portal FGV. Para o pesquisador, essa mídia social replica as redes de contatos existentes fora do ambiente online, portanto, uma presença sólida no Twitter pode influenciar positivamente a trajetória profissional.

Desenvolvimento do Experimento

O estudo criou várias contas fictícias alegando serem alunos de doutorado em universidades dos Estados Unidos.

Os pesquisadores manipularam as categorias de gênero, raça e classificação da universidade onde o indivíduo estudava usando ferramentas de Inteligência Artificial. Conforme a metodologia, eles escolheram universidades com base em um ranking das 10 melhores dos EUA. Também consideraram outras instituições menos renomadas, que ocupavam posições entre o 70º e o 100º lugar no US News Ranking 2020, na categoria de Departamentos de Economia da Pós-Graduação.

Essas contas fictícias compartilhavam conteúdos e temas idênticos, com exceção das características raça, gênero e posição no ranking. Adicionalmente, todas as contas passaram a seguir perfis reais de profissionais ligados ao meio acadêmico.

Para localizar esses perfis, utilizaram a hashtag popular na comunidade de economistas, #econtwitter. No total, escolheram seguir 10 mil indivíduos dessa comunidade que usavam essa hashtag com as contas fictícias.

Fatores Determinantes na Interação no Twitter

A pesquisa aponta uma diferença significativa na classificação da universidade. Alunos de instituições melhor classificadas têm 15% mais chances de receberem seguimento em comparação aos das instituições pior classificadas. Além disso, as mulheres recebem quase 20% mais solicitações de seguimento no Twitter do que os homens.

Economia e Diversidade

Bruno Ferman, pesquisador da FGV EESP, relembra no portal FGV que o objetivo deste estudo era verificar a existência de discriminação no comportamento dos economistas ao construir suas redes de contatos profissionais. No entanto, essa investigação surgiu de uma discussão interna sobre representação e diversidade.

Pedro Sant’Anna ressalta ao portal FGV a importância de avaliar o impacto da discriminação nesse campo, dada a necessidade de construir contatos e relacionamentos sólidos com profissionais para progredir na carreira.

“Existem experimentos nesta linha de pesquisa com técnicas bastante utilizadas como uma chamada audit and correspondence studies, que identifica a existência de discriminação em diversos contextos. Recentemente, um grande foco em estudos de mercado era mandar currículos fictícios de indivíduos, com qualificações parecidas e etnia diferente, para avaliar quais eram chamados para uma entrevista”, contextualizou Sant’Anna. Ele acrescenta que no estudo da FGV EESP, a técnica foi abordada em um contexto novo que é o de mídias sociais: “decidimos olhar para a discriminação nas pessoas de uma rede profissional, não apenas de uma empresa específica”.

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