A Itália, após anos enfrentando uma economia estagnada, surpreende como um dos principais propulsores econômicos da Europa. Essa mudança de cenário, embora positiva, traz questionamentos sobre sua durabilidade, especialmente devido às políticas de endividamento.
Mario Congedo, arquiteto de 50 anos, tem revitalizado imóveis no Salento, região da Apúlia, atraindo investidores estrangeiros. Apesar do bom momento, ele mantém reservas quanto à atual explosão econômica. Durante a pandemia, seu setor quase paralisou, mas agora vive uma fase de intensa atividade.
O crescimento de 0,6% no primeiro trimestre de 2024 coloca a Itália em destaque, em contraste com a retração de 0,3% na economia alemã. Desde 2019, a expansão italiana atingiu 3,8%, superando a França e a Alemanha, segundo Jörg Krämer, economista-chefe do Commerzbank. A bolsa de valores italiana também reflete esse otimismo, com um incremento de aproximadamente 28% em 2023.
As políticas fiscais adotadas têm sido um motor para esse crescimento. A liderança da primeira-ministra Giorgia Meloni, do partido ultradireitista Irmãos da Itália (FdI), inicialmente causou apreensão. Entretanto, Meloni prosseguiu com as diretrizes de seu antecessor, Mario Draghi, mantendo a estabilidade do mercado de títulos.
O endividamento, porém, se intensificou. Antes da pandemia, representava 1,5% do PIB, chegando a 8,3% no primeiro semestre de 2023. A dívida italiana deve alcançar 140% do PIB até o final de 2024, segundo a Comissão Europeia.
Um dos programas destacados é o Superbonus 110, que incentiva reformas para eficiência energética, reembolsando 110% dos gastos. Krämer aponta que este incentivo responde por dois terços do crescimento observado. No entanto, críticas surgem quanto à inflação nos custos de materiais e mão de obra, além da falta de controle sobre os preços.
Congedo, por sua vez, apoia a iniciativa de modernização energética, mas sugere que os proprietários deveriam participar dos custos, em vez de receber o total do Estado. Meloni já reduziu o incentivo para 70% em 2023 e para 65% em 2024.
A redução dos cortes tributários impactará as receitas italianas, mas o país conta com fundos da União Europeia para reconstrução pós-pandemia, aproximando-se de 200 bilhões de euros até 2026. Krämer adverte sobre a necessidade de reformas estruturais para manter o crescimento econômico.
Com o mercado de construção aquecido, Congedo não vê falta de trabalho, apesar das preocupações com a alta nos preços e o endividamento. A experiência italiana ilustra os desafios de manter um crescimento econômico sustentável frente a políticas de incentivo agressivas e o aumento do endividamento.



