O presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, participou nesta quinta-feira (06/06) do evento MKBR24, promovido pela Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (ANBIMA) e pela B3. Durante sua palestra, Campos Neto destacou a preocupação da autoridade monetária com a recente piora das expectativas do mercado financeiro para a inflação. Ele também comentou que a queda de juros ao redor do mundo deve ser mais tímida do que o esperado.
Ações e políticas propostas
Campos Neto defendeu a desindexação do salário mínimo do piso da Previdência Social e a desvinculação dos gastos da saúde e educação no Orçamento Federal.
“O governo tem falado em medidas alternativas, como desindexação do salário mínimo da Previdência e a desvinculação de saúde e educação. São medidas muito boas, que seriam um choque positivo e ajudariam muito neste momento. A gente apoia qualquer uma”, afirmou Campos Neto.
Inflação e juros globais
Segundo ele, a desaceleração da inflação global ainda depende dos preços dos serviços e da atividade econômica. A expectativa para os juros nos Estados Unidos varia entre uma e duas quedas este ano. No entanto, Campos Neto observou outros pontos de atenção na agenda global dos mercados e bancos centrais. Isso inclui a possível retirada da liquidez injetada durante a pandemia e seus efeitos no custo da rolagem das dívidas dos países desenvolvidos.
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Balanço da gestão de Campos Neto
Em sua apresentação, Roberto Campos Neto fez um balanço de sua gestão, destacando avanços como a implementação do Pix, o desenvolvimento do Drex, a redução de assimetria de informações e o fomento ao mercado de home equity. Ele também mencionou a importância do planejamento das ações, que ele credita ao sucesso de iniciativas como o open finance.
“Houve muitos entraves, uma pandemia, um problema interno de engajamento das equipes do Banco Central. Dicas que deixo para o meu sucessor são saber dizer não e ter a consciência de que não existe desenvolvimento sem inclusão”, disse.
Desafios e perspectivas futuras
Campos Neto apontou que a intermediação no mercado financeiro no futuro será mais digitalizada e tokenizada, com instituições concorrendo num marketplace de soluções financeiras. Ele defendeu que o mercado de capitais será mais favorecido quanto menos o governo interferir.
“Cabe ao governo apenas fornecer condições, como uma boa regulação. O papel do governo deve ser específico, de fomento. A solução no mercado de capitais deve ser sempre privada”, completou o presidente do BC.
Crescimento do mercado de capitais
Gilson Finkelsztain, CEO da B3, lembrou que o mercado de capitais brasileiro teve que lidar com um ambiente monetário global desafiador e crises específicas, como a do crédito privado em 2023. Apesar dos desafios, ele destacou que o amadurecimento do mercado de capitais é fundamental para o crescimento do país. Carlos André, presidente da ANBIMA, comentou que eventos recentes geraram aprendizados e pavimentaram novos caminhos para o setor, com o mercado secundário alcançando um recorde de volume de negociações no ano passado.
Considerações finais
O evento MKBR24, realizado desde 2018 em parceria entre a ANBIMA e a B3, reúne grandes nomes do Brasil e do exterior para debater o cenário atual e as iniciativas que estimulam o crescimento sustentável do mercado de capitais brasileiro. Campos Neto ressaltou a importância do planejamento e da execução das políticas monetárias, destacando os avanços alcançados e os desafios que ainda permanecem.





