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Desvendando o greenwashing: sua empresa é parte do problema ou da solução?

O desafio da autenticidade nas práticas ambientais corporativas

Greenwashing corporativo engana consumidores.
Artigo por Isabela Basso, co-fundadora da Zaya.

Nas últimas décadas, o tema sustentabilidade ganhou destaque nas pautas corporativas, refletindo um apelo crescente por práticas ecologicamente responsáveis. Como consequência, o mundo empresarial passou a exibir frequentemente rótulos e selos que buscam comprovar o seu cuidado com o meio ambiente, até como forma de conquistar a confiança dos consumidores conscientes. Hoje, essa tendência tem sido muito questionada sobre seu real impacto. Maquiar as façanhas organizacionais se tornou algo tão comum que o fenômeno recebeu até nome: greenwashing, ou, ao pé da letra, “lavagem verde”.

Em linhas gerais, esse termo se refere à prática em que empresas exageram ou falseiam seu compromisso ambiental. Elas fazem isso ao omitir dados ou ao enfatizar excessivamente aspectos isolados (e frequentemente pouco relevantes) de suas operações. De forma intencional ou não, a grande verdade é que a falta de transparência e o marketing enganoso das companhias intensificam essa prática, ajudando corporações a terem um status de protagonismo ambiental mesmo sem apresentar evidências científicas que justifiquem essa reputação.

Alerta vermelho

Termos como “sustentável”, “eco” e “verde” tornaram-se comuns e acabaram banalizados. Isso resultou em consequências perigosas, como o descrédito e a falta de uma consciência real sobre as questões ambientais. Para ilustrar a dimensão do problema, um estudo da PwC revelou que 98% dos investidores brasileiros acreditam que essa prática está presente nos relatórios de sustentabilidade das empresas. Globalmente falando, essa percepção segue altíssima, alcançando os 94%. Os números demonstram uma desconfiança generalizada sobre a veracidade das informações divulgadas pelo setor.

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Percepção do Consumidor

No Brasil, a situação ainda é complicada, pois praticamente não há movimentos para criar normas que exijam informações detalhadas e consistentes das corporações. A consultoria Bain & Company realizou um levantamento que ilumina a percepção do consumidor sobre as informações prestadas pelas empresas. Segundo a pesquisa, 60% dos consumidores recorrem às embalagens para se informar sobre as origens e processos dos produtos. Além disso, 27% dos entrevistados afirmam que a falta de informação e transparência sobre processos de produção sustentável é uma barreira para uma compra confiável e segura.

Felizmente, vários países já começaram a adotar medidas para endereçar esse problema. Por exemplo, o parlamento europeu aprovou recentemente uma lei anti-greenwashing. Essa lei exige que rótulos e selos ecológicos tenham respaldo de sistemas de certificação reconhecidos internacionalmente. Essa iniciativa representa um avanço significativo para garantir a transparência e autenticidade das alegações ambientais das empresas.

Tempo de mudanças

Em um cenário de constante atualização, a regulação é crucial para estimular práticas mais robustas e transparentes. A união entre setores da sociedade é essencial para impulsionar normas que garantam rigor nas informações divulgadas. Outro estudo conduzido pela PwC revela que 59,5% das empresas brasileiras já avaliam mudanças para cumprir requisitos do International Sustainability Standards Board (ISSB), um dos mais renomados conselhos internacionais relacionados ao tema.

A Comissão de Valores Mobiliários (CVM) demonstrou compromisso com o tema ao aprovar uma resolução que obriga empresas listadas na bolsa de valores a adequarem seus relatórios de riscos ESG às normas padronizadas pelo ISSB até 2026. A regulamentação se torna uma peça fundamental para assegurar que a transformação seja um processo positivo para todos.

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Transparência

Em linha com essa diretriz, coletar e difundir dados robustos, obtidos por meio de ferramentas científicas, são pilares essenciais para lidar com a questão. Sem indicadores bem definidos e estruturados, muitas empresas poderão seguir mascarando o seu verdadeiro impacto ou, até mesmo, seguir acreditando que estão agindo corretamente quando, na verdade, estão contribuindo para a perpetuação do problema.

O combate ao greenwashing no Brasil requer uma combinação de regulamentação rigorosa e uma mudança de mentalidade empresarial. Está na hora de exigirmos clareza e autenticidade nas práticas dentro do contexto corporativo, adotando medidas concretas e dados cientificamente comprovados. Somente assim poderemos garantir que os esforços em sustentabilidade sejam genuínos e efetivos, contribuindo para um futuro verdadeiramente mais verde e transparente.

*OpiniãoArtigo Por Isabela Basso, co-fundadora da Zaya, graduada em Comunicação pela USP e com uma Pós-Graduação em Sustentabilidade pela Universidade de Cambridge, possui mais de cinco anos de experiência no time de desenvolvimento sustentável da Braskem. Durante esse período, foi responsável por temas como empreendedorismo de impacto, mudanças climáticas e gestão e estratégia em sustentabilidade.

**Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Portal.

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