A disputa entre Shein e Temu chegou ao Tribunal Superior de Londres nesta segunda-feira (11) num momento em que Estados Unidos e União Europeia ampliam a pressão sobre plataformas chinesas de comércio eletrônico barato.
O julgamento transforma uma batalha de direitos autorais em um novo foco de tensão sobre o modelo que impulsionou o crescimento explosivo do fast-fashion chinês no Ocidente: produtos baratos, remessas internacionais rápidas e preços difíceis de competir.
O caso surge justamente quando governos aumentam a fiscalização sobre importações de baixo valor, pressionando empresas que cresceram usando pequenos pacotes enviados diretamente da China.
Shein acusa Temu de copiar fotos para vender produtos rivais
A Shein acusa a Temu de usar milhares de imagens produzidas por sua equipe para anunciar cópias de roupas vendidas na plataforma.
Segundo os advogados da empresa, a prática permitiu que a Temu “pegasse carona” numa concorrente já consolidada no mercado internacional de fast-fashion.
Durante o julgamento, os representantes da Shein afirmaram que a Temu abandonou a defesa relacionada a quase 2.300 fotos questionadas no processo.
O caso amplia a pressão sobre práticas comuns do varejo digital ultrarrápido, em que tendências, fornecedores e imagens circulam em alta velocidade entre marketplaces globais.
Temu acusa Shein de usar processos para sufocar concorrência
A Temu, controlada pela PDD Holdings, reagiu afirmando que a ação judicial busca dificultar o avanço da rival no mercado internacional.
A empresa entrou com pedido de indenização após remover milhares de anúncios de produtos por causa de uma liminar obtida pela Shein.
Os advogados da Temu afirmam que a concorrente utiliza processos de propriedade intelectual como ferramenta para proteger participação de mercado.
A disputa também avançou para outro ponto sensível do fast-fashion global: a relação com fornecedores.
A Temu acusa a Shein de:
- exigir acordos de exclusividade;
- restringir fabricantes parceiros;
- dificultar vendas para plataformas rivais;
- pressionar fornecedores asiáticos.
Essa parte do caso deverá ser julgada apenas no próximo ano.
EUA e União Europeia ampliam pressão sobre plataformas chinesas
A guerra judicial acontece num momento delicado para empresas de e-commerce barato vindas da China.
Os Estados Unidos encerraram a isenção alfandegária usada por plataformas para enviar pequenos pacotes diretamente ao consumidor americano com tributação reduzida.
A União Europeia prepara medida semelhante prevista para julho, ampliando o risco regulatório sobre marketplaces asiáticos.
As mudanças atingem pilares centrais do crescimento de Shein e Temu:
- preços extremamente baixos;
- remessas internacionais baratas;
- tributação reduzida;
- alto volume de envios;
- velocidade logística.
O endurecimento das regras pode elevar custos operacionais e reduzir a vantagem competitiva das plataformas nos mercados ocidentais.
Além das questões tributárias, reguladores internacionais aumentaram o escrutínio sobre:
- segurança de produtos;
- proteção ao consumidor;
- transparência da cadeia produtiva;
- direitos autorais;
- impacto ambiental do fast-fashion.
Julgamento em Londres expõe fragilidade do modelo ultrabarato
O julgamento de duas semanas no Reino Unido virou mais um capítulo da disputa global entre Shein e Temu, que também travam batalhas judiciais nos Estados Unidos.
As duas empresas cresceram rapidamente oferecendo roupas, acessórios e gadgets vendidos por preços muito inferiores aos do varejo tradicional.
Agora, a combinação entre pressão regulatória e disputas judiciais ameaça justamente o modelo que acelerou a expansão internacional das plataformas chinesas.
O caso também expõe uma mudança importante no comércio eletrônico global: o avanço agressivo do fast-fashion barato passou a enfrentar resistência política, tributária e concorrencial em mercados estratégicos do Ocidente.
No centro da disputa, a guerra entre Shein e Temu mostra que o varejo digital ultrabarato entrou numa fase mais regulada, mais judicializada e potencialmente mais cara para consumidores e plataformas.



