Shein acusa Temu em meio a ofensiva de EUA e Europa contra plataformas chinesas

A disputa entre Shein e Temu em Londres expõe a pressão global contra o modelo chinês de fast-fashion barato. EUA e Europa ampliam restrições enquanto as plataformas enfrentam acusações de violação de direitos autorais e concorrência desleal.
Imagem do aplicativa da Shein em um telefone para ilustrar uma matéria jornalística sobre a briga da justiça entre a Shein e a Temu.
Shein x Temu ampliam pressão sobre fast-fashion chinês. (Imagem: Unsplash)

A disputa entre Shein e Temu chegou ao Tribunal Superior de Londres nesta segunda-feira (11) num momento em que Estados Unidos e União Europeia ampliam a pressão sobre plataformas chinesas de comércio eletrônico barato.

O julgamento transforma uma batalha de direitos autorais em um novo foco de tensão sobre o modelo que impulsionou o crescimento explosivo do fast-fashion chinês no Ocidente: produtos baratos, remessas internacionais rápidas e preços difíceis de competir.

O caso surge justamente quando governos aumentam a fiscalização sobre importações de baixo valor, pressionando empresas que cresceram usando pequenos pacotes enviados diretamente da China.

Shein acusa Temu de copiar fotos para vender produtos rivais

A Shein acusa a Temu de usar milhares de imagens produzidas por sua equipe para anunciar cópias de roupas vendidas na plataforma.

Segundo os advogados da empresa, a prática permitiu que a Temu “pegasse carona” numa concorrente já consolidada no mercado internacional de fast-fashion.

Durante o julgamento, os representantes da Shein afirmaram que a Temu abandonou a defesa relacionada a quase 2.300 fotos questionadas no processo.

O caso amplia a pressão sobre práticas comuns do varejo digital ultrarrápido, em que tendências, fornecedores e imagens circulam em alta velocidade entre marketplaces globais.

Temu acusa Shein de usar processos para sufocar concorrência

A Temu, controlada pela PDD Holdings, reagiu afirmando que a ação judicial busca dificultar o avanço da rival no mercado internacional.

A empresa entrou com pedido de indenização após remover milhares de anúncios de produtos por causa de uma liminar obtida pela Shein.

Os advogados da Temu afirmam que a concorrente utiliza processos de propriedade intelectual como ferramenta para proteger participação de mercado.

A disputa também avançou para outro ponto sensível do fast-fashion global: a relação com fornecedores.

A Temu acusa a Shein de:

  • exigir acordos de exclusividade;
  • restringir fabricantes parceiros;
  • dificultar vendas para plataformas rivais;
  • pressionar fornecedores asiáticos.

Essa parte do caso deverá ser julgada apenas no próximo ano.

EUA e União Europeia ampliam pressão sobre plataformas chinesas

A guerra judicial acontece num momento delicado para empresas de e-commerce barato vindas da China.

Os Estados Unidos encerraram a isenção alfandegária usada por plataformas para enviar pequenos pacotes diretamente ao consumidor americano com tributação reduzida.

A União Europeia prepara medida semelhante prevista para julho, ampliando o risco regulatório sobre marketplaces asiáticos.

As mudanças atingem pilares centrais do crescimento de Shein e Temu:

  • preços extremamente baixos;
  • remessas internacionais baratas;
  • tributação reduzida;
  • alto volume de envios;
  • velocidade logística.

O endurecimento das regras pode elevar custos operacionais e reduzir a vantagem competitiva das plataformas nos mercados ocidentais.

Além das questões tributárias, reguladores internacionais aumentaram o escrutínio sobre:

  • segurança de produtos;
  • proteção ao consumidor;
  • transparência da cadeia produtiva;
  • direitos autorais;
  • impacto ambiental do fast-fashion.

Julgamento em Londres expõe fragilidade do modelo ultrabarato

O julgamento de duas semanas no Reino Unido virou mais um capítulo da disputa global entre Shein e Temu, que também travam batalhas judiciais nos Estados Unidos.

As duas empresas cresceram rapidamente oferecendo roupas, acessórios e gadgets vendidos por preços muito inferiores aos do varejo tradicional.

Agora, a combinação entre pressão regulatória e disputas judiciais ameaça justamente o modelo que acelerou a expansão internacional das plataformas chinesas.

O caso também expõe uma mudança importante no comércio eletrônico global: o avanço agressivo do fast-fashion barato passou a enfrentar resistência política, tributária e concorrencial em mercados estratégicos do Ocidente.

No centro da disputa, a guerra entre Shein e Temu mostra que o varejo digital ultrabarato entrou numa fase mais regulada, mais judicializada e potencialmente mais cara para consumidores e plataformas.

Foto de Marconi Bernardino

Marconi Bernardino

Marconi Bernardino é jornalista formado pela Unifavip Wyden, em Caruaru (PE). Integra a equipe do Economic News Brasil, com atuação na produção de conteúdos analíticos sobre negócios, mercado financeiro e fortunas, além de experiência em jornalismo para televisão e rádio.

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