A Telefônica Brasil abriu 2026 com crescimento simultâneo de lucro, receita e geração de caixa no 1º primeiro trimestre (1T26), sustentada pela expansão do pós-pago móvel e da fibra óptica. Dona da Vivo, a companhia lucrou R$ 1,3 bilhão, alta anual de 19,2%.
O resultado ampliou a pressão competitiva no setor de telecomunicações. A operadora conseguiu elevar investimentos acima da inflação sem perder margem operacional, enquanto acelerou expansão do 5G e aumentou distribuição de recursos aos acionistas.
O desempenho mostra a Telefônica Brasil cada vez mais dependente de serviços recorrentes de maior rentabilidade. O pós-pago cresceu 7,8% em receita anual, enquanto a fibra avançou 9,3%, ajudando a elevar a margem Ebitda para 40,2%.
Lucro da Telefônica Brasil no 1T26 cresce com pós-pago e fibra
A receita total da Telefônica Brasil alcançou R$ 15,5 bilhões entre janeiro e março, avanço de 7,4% na comparação anual. O Ebitda somou R$ 6,2 bilhões, crescimento de 8,9%.
Analistas consultados esperavam um trimestre forte da operadora, mas o avanço da rentabilidade reforçou a percepção de resiliência operacional da Vivo em meio à competição intensa no setor.
A expansão aconteceu mesmo com aumento de custos operacionais. As despesas totais, sem considerar depreciação e amortização, chegaram a R$ 9,2 bilhões, alta de 6,5%.
Segundo a Vivo, parte relevante dessa pressão veio do crescimento comercial.
- custo de serviços e produtos vendidos subiu 12,3%
- expansão ficou associada ao avanço das receitas
- companhia manteve controle sobre despesas estruturais
- margem operacional permaneceu acima de 40%
A Vivo terminou março com 117,4 milhões de acessos, avanço de 1,1%. A base móvel respondeu por 103,7 milhões desse total.
Expansão do 5G faz Vivo elevar investimentos acima da inflação
Os investimentos da companhia somaram R$ 2 bilhões no trimestre, crescimento de 9,6%. O avanço ficou acima da inflação acumulada pelo IPCA no período de 12 meses encerrado em março.
A estratégia está ligada à ampliação da cobertura do 5G. Atualmente, a empresa tem uma cobertura de mais de 70% da população com 5G e pretende chegar a 100%.
A expansão exige aumento da infraestrutura de rede e da quantidade de sites utilizados para instalação de equipamentos e antenas.
Mesmo assim, a operadora conseguiu estabilizar parte relevante dos gastos com torres.
- despesa com aluguel de torres ficou em R$ 1,41 bilhão
- companhia ampliou compartilhamento de infraestrutura
- contratos passaram por renegociação
- pressão sobre custos imobiliários foi reduzida
A relação entre investimento e receita atingiu 13,2%, acima dos 13% registrados no mesmo período de 2025.
Fibra óptica vira motor de crescimento da Vivo
O serviço de banda larga via fibra continuou como uma das áreas mais lucrativas da companhia. A receita do segmento atingiu R$ 2,1 bilhões no trimestre e contribuiu para o lucro Telefônica Brasil 1T26.
A base de assinantes cresceu de 7,2 milhões para cerca de 8 milhões em um ano. Ao fim de março, a infraestrutura da Vivo alcançava 31,5 milhões de casas passadas.
A empresa voltou a defender a consolidação do mercado brasileiro de fibra óptica, avaliando que a fragmentação do setor ainda cria oportunidades para aquisições.
A Vivo afirmou deter 19,2% de participação no mercado, enquanto cerca de 46% permanece concentrado nas mãos de pequenos provedores regionais.
A operadora também informou que acompanha ativos colocados à venda, entre eles a Oi Soluções, braço corporativo da Oi em recuperação judicial.
Apesar disso, afirmou que uma eventual aquisição não aparece como prioridade imediata.
Venda de eletrônicos acelera nova frente de receita
A Vivo também ampliou presença no varejo de eletrônicos. A receita com celulares e aparelhos cresceu 26,6% no primeiro trimestre, alcançando R$ 1,2 bilhão.
A estratégia da companhia mudou o funcionamento da rede de parceiros comerciais. Agora, a operadora coloca estoque próprio dentro das lojas de revendedores exclusivos.
A medida amplia o portfólio disponível e reduz limitações financeiras dos lojistas.
- Vivo possui 1.800 lojas
- cerca de 300 unidades são próprias
- restante opera com parceiros exclusivos
- companhia passou a fornecer estoque diretamente aos revendedores
O modelo aumenta o controle comercial da operadora sobre a distribuição de produtos e reduz dependência da capacidade de compra dos parceiros.
Dividendos e recompra reforçam retorno ao acionista
A Telefônica Brasil também ampliou remuneração aos investidores. A companhia já confirmou pagamentos que somam R$ 7 bilhões em 2026.
O valor supera em 9,6% o montante distribuído no exercício anterior.
Os recursos incluem:
- R$ 3 bilhões em juros sobre capital próprio pagos em abril
- R$ 4 bilhões em redução de capital programados para julho
- R$ 890 milhões em novos JCP declarados em 2026
- recompra de ações de até R$ 1 bilhão até fevereiro de 2027
O movimento sinaliza que a operadora tenta equilibrar crescimento operacional, expansão de infraestrutura e geração elevada de caixa.
O lucro Telefônica Brasil no 1T26 reforça essa estratégia ao mostrar avanço simultâneo de receita, margem e investimentos num ambiente ainda marcado por competição intensa no setor de telecomunicações.



