Lucro da Telefônica Brasil, dona da Vivo sobe 19% no 1T26 com avanço do 5G e da fibra óptica

Telefônica Brasil ampliou lucro, receita e investimentos no 1T26 com crescimento do pós-pago e da fibra. A Vivo acelerou expansão do 5G, elevou geração de caixa e reforçou remuneração aos acionistas.
Imagem da fachada da Telefônica Brasil para ilustrar uma matéria jornalística sobre o Lucro da Telefônica Brasil.
Vivo lucra mais com avanço do 5G, fibra e pós-pago no Brasil. (Imagem: Zarateman/Wikimedia Commons)

A Telefônica Brasil abriu 2026 com crescimento simultâneo de lucro, receita e geração de caixa no 1º primeiro trimestre (1T26), sustentada pela expansão do pós-pago móvel e da fibra óptica. Dona da Vivo, a companhia lucrou R$ 1,3 bilhão, alta anual de 19,2%.

O resultado ampliou a pressão competitiva no setor de telecomunicações. A operadora conseguiu elevar investimentos acima da inflação sem perder margem operacional, enquanto acelerou expansão do 5G e aumentou distribuição de recursos aos acionistas.

O desempenho mostra a Telefônica Brasil cada vez mais dependente de serviços recorrentes de maior rentabilidade. O pós-pago cresceu 7,8% em receita anual, enquanto a fibra avançou 9,3%, ajudando a elevar a margem Ebitda para 40,2%.

Lucro da Telefônica Brasil no 1T26 cresce com pós-pago e fibra

A receita total da Telefônica Brasil alcançou R$ 15,5 bilhões entre janeiro e março, avanço de 7,4% na comparação anual. O Ebitda somou R$ 6,2 bilhões, crescimento de 8,9%.

Analistas consultados esperavam um trimestre forte da operadora, mas o avanço da rentabilidade reforçou a percepção de resiliência operacional da Vivo em meio à competição intensa no setor.

A expansão aconteceu mesmo com aumento de custos operacionais. As despesas totais, sem considerar depreciação e amortização, chegaram a R$ 9,2 bilhões, alta de 6,5%.

Segundo a Vivo, parte relevante dessa pressão veio do crescimento comercial.

  • custo de serviços e produtos vendidos subiu 12,3%
  • expansão ficou associada ao avanço das receitas
  • companhia manteve controle sobre despesas estruturais
  • margem operacional permaneceu acima de 40%

A Vivo terminou março com 117,4 milhões de acessos, avanço de 1,1%. A base móvel respondeu por 103,7 milhões desse total.

Expansão do 5G faz Vivo elevar investimentos acima da inflação

Os investimentos da companhia somaram R$ 2 bilhões no trimestre, crescimento de 9,6%. O avanço ficou acima da inflação acumulada pelo IPCA no período de 12 meses encerrado em março.

A estratégia está ligada à ampliação da cobertura do 5G. Atualmente, a empresa tem uma cobertura de mais de 70% da população com 5G e pretende chegar a 100%.

A expansão exige aumento da infraestrutura de rede e da quantidade de sites utilizados para instalação de equipamentos e antenas.

Mesmo assim, a operadora conseguiu estabilizar parte relevante dos gastos com torres.

  • despesa com aluguel de torres ficou em R$ 1,41 bilhão
  • companhia ampliou compartilhamento de infraestrutura
  • contratos passaram por renegociação
  • pressão sobre custos imobiliários foi reduzida

A relação entre investimento e receita atingiu 13,2%, acima dos 13% registrados no mesmo período de 2025.

Fibra óptica vira motor de crescimento da Vivo

O serviço de banda larga via fibra continuou como uma das áreas mais lucrativas da companhia. A receita do segmento atingiu R$ 2,1 bilhões no trimestre e contribuiu para o lucro Telefônica Brasil 1T26.

A base de assinantes cresceu de 7,2 milhões para cerca de 8 milhões em um ano. Ao fim de março, a infraestrutura da Vivo alcançava 31,5 milhões de casas passadas.

A empresa voltou a defender a consolidação do mercado brasileiro de fibra óptica, avaliando que a fragmentação do setor ainda cria oportunidades para aquisições.

A Vivo afirmou deter 19,2% de participação no mercado, enquanto cerca de 46% permanece concentrado nas mãos de pequenos provedores regionais.

A operadora também informou que acompanha ativos colocados à venda, entre eles a Oi Soluções, braço corporativo da Oi em recuperação judicial.

Apesar disso, afirmou que uma eventual aquisição não aparece como prioridade imediata.

Venda de eletrônicos acelera nova frente de receita

A Vivo também ampliou presença no varejo de eletrônicos. A receita com celulares e aparelhos cresceu 26,6% no primeiro trimestre, alcançando R$ 1,2 bilhão.

A estratégia da companhia mudou o funcionamento da rede de parceiros comerciais. Agora, a operadora coloca estoque próprio dentro das lojas de revendedores exclusivos.

A medida amplia o portfólio disponível e reduz limitações financeiras dos lojistas.

  • Vivo possui 1.800 lojas
  • cerca de 300 unidades são próprias
  • restante opera com parceiros exclusivos
  • companhia passou a fornecer estoque diretamente aos revendedores

O modelo aumenta o controle comercial da operadora sobre a distribuição de produtos e reduz dependência da capacidade de compra dos parceiros.

Dividendos e recompra reforçam retorno ao acionista

A Telefônica Brasil também ampliou remuneração aos investidores. A companhia já confirmou pagamentos que somam R$ 7 bilhões em 2026.

O valor supera em 9,6% o montante distribuído no exercício anterior.

Os recursos incluem:

  • R$ 3 bilhões em juros sobre capital próprio pagos em abril
  • R$ 4 bilhões em redução de capital programados para julho
  • R$ 890 milhões em novos JCP declarados em 2026
  • recompra de ações de até R$ 1 bilhão até fevereiro de 2027

O movimento sinaliza que a operadora tenta equilibrar crescimento operacional, expansão de infraestrutura e geração elevada de caixa.

O lucro Telefônica Brasil no 1T26 reforça essa estratégia ao mostrar avanço simultâneo de receita, margem e investimentos num ambiente ainda marcado por competição intensa no setor de telecomunicações.

Foto de Marconi Bernardino

Marconi Bernardino

Marconi Bernardino é jornalista formado pela Unifavip Wyden, em Caruaru (PE). Integra a equipe do Economic News Brasil, com atuação na produção de conteúdos analíticos sobre negócios, mercado financeiro e fortunas, além de experiência em jornalismo para televisão e rádio.

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