Os investimentos em terras raras entraram na pauta direta entre Estados Unidos e mineradoras que atuam no Brasil nesta quinta-feira (15/01), em reunião virtual conduzida pelo Departamento de Estado americano. O encontro reforça o interesse de Washington em estruturar acordos para minerais críticos, com foco na redução da dependência da cadeia chinesa.
Além das terras raras, o diálogo incluiu níquel e grafite, insumos associados a baterias de veículos elétricos, armazenamento de energia, ligas metálicas e sistemas de defesa. Participaram da reunião representantes da Amcham Brasil e do Citibank, sinalizando a presença do setor financeiro nas tratativas.
Investimentos em terras raras e a estratégia dos EUA
O pano de fundo das conversas é geopolítico. Dados da Agência Internacional de Energia (IEA) indicam que a China concentra cerca de 91% do refino global de terras raras e aproximadamente 94% da produção de ímãs permanentes, usados em turbinas, motores e equipamentos militares. Para Washington, essa concentração amplia riscos de oferta e preços.
Nesse contexto, os investimentos em terras raras passaram a ser tratados como tema sensível à segurança econômica e industrial americana. A gestão Donald Trump definiu como prioridade diversificar fornecedores e ampliar o acesso a projetos fora do eixo chinês, segundo relatos de participantes das discussões.
O Brasil surge como peça relevante porque detém a segunda maior reserva mundial de terras raras, embora ainda tenha produção e refino limitados. A ausência de um marco regulatório específico e a cadeia produtiva incipiente não impediram o avanço de pesquisas geológicas e aquisições por grupos ocidentais.
Investimentos em terras raras e o papel do financiamento
Um ponto central do encontro foi o interesse do Citibank em atuar como agente financeiro. Na prática, o banco pode estruturar operações de crédito e financiamentos de longo prazo. Além disso, pode conectar mineradoras brasileiras a compradores industriais e capital nos Estados Unidos.
Esse modelo já começa a sair do papel. Empresas e agências ligadas ao governo americano participam do financiamento de ao menos dois projetos de terras raras no Brasil. Entre eles está a Alclara Resources, dedicada a ativos minerais. Outro exemplo é a Serra Verde, produtora em Goiás, com operação em argilas iônicas e menor risco ambiental.
Aplicações financeiras em minerais críticos
Outro caso envolve o Export-Import Bank of the United States, que emitiu carta de interesse para avaliar o financiamento do Projeto Caldeira, da Metoric Resources, em Minas Gerais. O movimento indica que o capital americano já testa estruturas para ampliar sua presença na mineração brasileira.
No médio prazo, os investimentos em terras raras tendem a avançar de forma seletiva, combinando interesse geopolítico, estrutura financeira e ativos com viabilidade técnica. Para o Brasil, o desafio segue em transformar potencial geológico em produção integrada, enquanto o capital externo observa com cautela cada passo regulatório.











