A produção de arroz e feijão no Brasil deve recuar em 2026, segundo dados divulgados na quinta-feira (15) pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), em um cenário marcado por preços em baixa e menor área plantada. A combinação afeta diretamente dois dos alimentos mais presentes na mesa dos brasileiros, ainda que sem pressão imediata sobre a inflação.
No feijão, a estimativa aponta queda de 0,5% no volume total, que deve somar cerca de 3 milhões de toneladas ao considerar as três safras do ano. Esse resultado decorre, sobretudo, da redução de 1,9% na área cultivada, com destaque para o feijão preto, cuja colheita deve encolher 12,4%. A leitura do setor indica menor estímulo econômico ao produtor.
Produção de arroz e feijão e a decisão no campo
No caso do arroz, a retração é mais acentuada. A Conab projeta recuo de 13,3% na colheita, com produção estimada em 11 milhões de toneladas em 2026. A área plantada diminuiu 9,9%, reflexo direto da forte desvalorização do produto ao longo do último ano. As lavouras já estão semeadas, e a colheita começa na segunda metade de fevereiro.
Esse desenho contrasta com a safra de arroz e feijão em anos anteriores, especialmente no arroz, que teve colheita elevada no ciclo 2024/25, com 12,7 milhões de toneladas. Esse excedente ajudou a pressionar as cotações e influenciou o planejamento da safra atual, segundo agentes do mercado agrícola.
O efeito nos preços
Apesar da redução da oferta, economistas avaliam que o impacto no bolso do consumidor tende a ser limitado. Arroz e feijão respondem juntos por apenas 1,1% do IPC Fipe, e ambos registraram queda de preços em 2025. O arroz acumulou recuo de 25,7%, enquanto o feijão caiu 6,2%, beneficiando o consumo doméstico.
Além disso, os estoques elevados funcionam como amortecedor. Mesmo com menor produção nacional de arroz e feijão, não há indicação de desabastecimento. A própria Conab afirma que o volume produzido será suficiente para atender o mercado interno e ainda permitir alguma exportação.
Oferta de arroz e feijão e os desafios estruturais
Analistas do setor agro apontam que o tema central não está nos preços, mas na estrutura do mercado. O consumo de arroz permanece próximo de 10,8 milhões de toneladas, com pouca variação recente. Já o feijão deve registrar consumo de 2,8 milhões de toneladas, queda de 11% frente a 2019/20.
Esse quadro reforça a discussão sobre alternativas de uso e diversificação de demanda. Enquanto culturas como soja e milho contam com múltiplas aplicações industriais e demanda externa consistente, arroz e feijão seguem mais dependentes do consumo interno, o que limita a previsibilidade de renda ao produtor.
No horizonte de 2026, a tendência é que a produção de arroz e feijão continue refletindo decisões econômicas do campo, mais do que riscos inflacionários. A leitura do mercado sugere que preços baixos, crédito restrito e consumo estável seguirão moldando a oferta desses alimentos essenciais.











