A inflação de importados nos EUA registrou avanço no período recente, mesmo com lacunas relevantes na divulgação oficial. Dados do Departamento do Trabalho mostraram alta acumulada de 0,4% entre setembro e novembro, em um intervalo marcado pela paralisação de 43 dias do governo federal, que afetou a coleta de informações.
No acumulado de 12 meses até novembro, os preços de importados subiram 0,1%. Embora o resultado seja moderado, ele ganha peso analítico por ocorrer em um ambiente de dados incompletos, o que exige cautela na leitura de curto prazo feita por investidores e formuladores de política monetária.
Inflação e as distorções estatísticas
A paralisação do governo impediu a coleta de dados de pesquisa em outubro. Por isso, o Escritório de Estatísticas não divulgou as variações mensais completas de outubro e novembro. Apenas alguns índices, calculados com bases alternativas, foram publicados.
Esse hiato estatístico também atingiu o Índice de Preços ao Consumidor (CPI) de outubro. Já o Índice de Preços ao Produtor (PPI) teve a coleta preservada, mas enfrentou atrasos no processamento. Esse descompasso reduziu a clareza sobre a trajetória mensal da inflação de importados nos EUA.
Como parte desses indicadores alimenta o cálculo do índice de gastos com consumo pessoal (PCE), a leitura final da inflação acompanhada pelo Federal Reserve ficou menos precisa no período. O PCE é a métrica usada pelo banco central para perseguir sua meta de 2%.
Pressões setoriais e o papel do câmbio
Dentro da composição, os preços dos combustíveis importados recuaram 2,5% no intervalo de dois meses encerrado em novembro. Em 12 meses, a queda chegou a 6,6%, atuando como fator de alívio para a inflação externa.
Os alimentos também mostraram comportamento distinto. Em novembro, os preços caíram 0,7%, após alta de 1,4% em outubro. Ainda assim, ao excluir alimentos e combustíveis, os preços de importados avançaram 0,9% em 12 meses.
Esse avanço reflete, segundo a leitura do Departamento do Trabalho, a desvalorização do dólar frente às moedas de parceiros comerciais. O câmbio, portanto, aparece como vetor relevante na inflação de importados nos EUA, mesmo em um contexto de energia mais barata.
Inflação de importados nos EUA no radar do Fed
Para o Federal Reserve, a dinâmica dos preços de importados segue como variável de apoio na avaliação inflacionária. Embora não determine decisões isoladamente, ela ajuda a compor a leitura do PCE em um cenário de ajustes graduais na política monetária.
A inflação de importados nos EUA, afetada por câmbio, energia e falhas estatísticas temporárias, tende a ganhar maior nitidez nos próximos relatórios. Até lá, o desafio do Fed será separar ruído técnico de tendência econômica real.











